Pages Menu
TwitterRssFacebook
Categories Menu

O fim do homem soviético, uma resenha

por em 12/01/2021 | Nenhum comentário

O fim do homem soviético, uma resenha

Eu não vou mais mudar. Vivi tempo demais no socialismo. 

Hoje ficou mais fácil viver, mas também mais repugnante. (pág. 373)

O próprio Stalin falava: não sou eu que decido, é bom Partido…

Ensinava para o filho: você acha que o Stalin sou eu. Não! 

O Stalin é ele! E apontava para o próprio retrato na parede. (…) 

A lógica era genial: a vítima é o carrasco, e no fim o carrasco 

também é vítima. (…) A roda gira e não há culpados. (pág 364)

Em 1984, George Orwell conta uma história que se passa na Eurásia, uma nação totalitária que vigia e dita cada aspecto da vida privada e pública de seus cidadãos. Desobedecer é crime contra o povo, contra o Estado. Desobedecer é morrer ou ir para um campo de trabalhos forçados. Só sobrevive quem consegue eclipsar sua individualidade num nível em que até mesmo os pensamentos são apenas aqueles permitidos pelo Partido. Como essas condições afetam a sanidade de quem vive sob essas condições? Elas representam um papel para sobreviver ou se tornam o personagem que interpretavam, como numa espécie de síndrome de Estocolmo, ficando do lado de quem as mantêm cativas?

Leia mais...

Não há nada de espontâneo nas curas espontâneas – Uma resenha

por em 15/12/2020 | Nenhum comentário

Não há nada de espontâneo nas curas espontâneas – Uma resenha

Hoje, seres humanos vivem mais e melhor. Há alguns milênios, provavelmente você não chegaria aos 35 anos, pois seria morto por infecção depois de uma mordida de javali, diarréia, ou quem sabe seria morto numa briga por comida. Agora vivemos até os 80 anos graças ao método científico, que melhorou exponencialmente a capacidade de identificar doenças e tratá-las (e aumentou as chances de morrer de câncer, já que a idade é um fortíssimo preditor dessa doença).

Leia mais...

O prêmio da beleza: Privilegiamos a beleza sem perceber

por em 05/11/2020 | Nenhum comentário

O prêmio da beleza: Privilegiamos a beleza sem perceber

Você provavelmente viu um rosto na foto da capa. Mas aquilo não é um rosto, é só uma foto aleatória de Júpiter. Você não consegue se controlar. Por mais que, pensando mais um pouco, você descubra que não tem uma face ali, você não consegue deixar de vê-la. A razão não é suficiente para desfazer essa percepção. A mesma coisa acontece com nossos vieses, seja na economia, seja nas relações interpessoais. Nossas decisões serão enviesadas, irracionais, por mais que estejamos cientes disso racionalmente: “sim, eu sei que é só a superfície de Júpiter, mas eu vejo um rosto ali mesmo assim”.

Leia mais...

As consequências políticas da viagem no tempo: Uma resenha de Snowglobe

por em 15/09/2020 | Nenhum comentário

As consequências políticas da viagem no tempo: Uma resenha de Snowglobe

Especular sobre viagem no tempo é meio difícil. Para isso, você precisa conhecer um pouco de teoria da relatividade ou de alguma hipótese quântica sobre o tema (muito embora ter uma teoria quântica sobre o tempo seja difícil e pouco consensual). Tá ok, você também pode só ver Interestelar, se estiver sem tempo (trocadilho péssimo). Mas em Snowglobe, novo livro de Fábio Barreto (de quem eu já era fã ouvindo as participações no Rapaduracast), a viagem no tempo é um pano de fundo diferente de um thriller pessoal. Em vez de focar nos paradoxos e na hard science envolvida na viagem, Barreto já começa o livro fazendo o leitor se perguntar sobre as consequências políticas e econômicas da viagem no tempo. Seria o fim de todas as guerras ou apenas início de novas? Governos se uniriam ao contemplar um futuro devastado por guerras, a fim de evitá-lo? Como o mercado reagiria? As perguntas são muitas, mas o foco da história é outro.

Leia mais...

Psicologia, a ciência sobre “coisa alguma” que estuda a mente

por em 28/07/2020 | Nenhum comentário

Psicologia, a ciência sobre “coisa alguma” que estuda a mente

O que um psicólogo estuda? “Mente”, seria a resposta esperada. Psicólogos dão essa resposta para facilitar para leigos curiosos. Mas a verdade é que essa resposta não responde nada. É como um biólogo responder que estuda a “vida”. Em especial na psicologia, essa resposta simples parece esclarecer porque apela para intuições básicas, como a de que organismos vivos possuem uma coisa em seu interior chamada de mente, onde ocorre pensamentos e sensações. Mente talvez seja o equivalente secular de coisas mais antigas, como a força vital ou o espírito. Ao longo deste texto pretendo desafiar essa visão tradicional, mostrando que a tal “mente” na verdade equivale a diferentes processos, a diferentes sensações experienciadas por um corpo que funciona acoplado a um mundo do qual nunca se desconecta, tudo isso mediado pela linguagem.

Leia mais...
Modo Noturno