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Nutrição, Imunidade e Coronavírus

por em 25/03/2020 em Ciência, Coronavírus - Artigos, Notícias | Nenhum comentário

Nutrição, Imunidade e Coronavírus

O New York Times trouxe recentemente um artigo com a seguinte pergunta: “Posso aumentar meu sistema imunológico?” E a resposta para esse questionamento é: SIM!

Em tempos de pandemia do coronavírus é preciso não só adotar medidas profiláticas de higiene como também fortalecer nosso sistema imune para que ele possa estar forte para enfrentar um possível contágio.

É importante entender que não existe shot, chá ou suquinho que aumente sozinho a nossa imunidade. Ela é um resultado do trabalho conjunto dos pilares para uma vida saudável: alimentação saudável, bons níveis de vitamina D, prática de exercício, sono de qualidade e modulação do estresse. Vem! Vamos falar mais sobre isso!

Eu sei que muita gente chega a virar os olhinhos de descrença quando se fala no tanto que o estresse afeta nossa saúde, mas de fato existe uma grande relação hormonal e metabólica por trás disso.

Em uma série de estudos ao longo de 20 anos na Universidade Carnegie Mellon, os voluntários foram expostos ao vírus do resfriado (usando gotas nasais) e depois colocados em quarentena para observação. Os pesquisadores descobriram que pessoas que relataram menos estresse em suas vidas eram menos propensas a desenvolver sintomas de resfriado.

Ainda nesse contexto, é preciso dar atenção ao nosso sono. Um sistema imunológico privado de sono não funciona tão bem. Em um estudo, pesquisadores avaliaram 164 homens e mulheres dispostos a serem expostos ao vírus do resfriado. Descobriram que os que dormem pouco (menos de seis horas por noite) tiveram 4,2 vezes mais chances de pegar o resfriado em comparação com aqueles que dormem mais de sete horas. O risco era ainda maior quando uma pessoa dormia menos de cinco horas por noite.

Ou seja, vamos aproveitar esse momento para repensar nossos hábitos noturnos. Lancem mão de alguns chás calmantes, que ajudam a desestimular o sistema nervoso central, como artifício para ajudar a ir para cama mais cedo (já falei um pouquinho sobre isso aqui e aqui). E lembrem-se de evitar comer grandes refeições antes de dormir, e também de diminuir a exposição nesses horários às famosas luzes azuis.

Um outro ponto bem importante é diminuir o consumo de produtos alimentícios que alterem a microbiota intestinal, como é o caso do açúcar refinado, adoçantes, do glúten e do álcool. Em 2015, Sarkar, Jung e Wang publicaram um artigo sobre o efeito do álcool no sistema imunológico. Mostrando que, além da pneumonia, o consumo de álcool tem sido associado a outras doenças pulmonares, incluindo tuberculose e outras doenças. O álcool interrompe a função ciliar nas vias aéreas superiores, prejudicando a função das células imunes.

Um dos efeitos imediatos mais significativos do álcool é que ele afeta a estrutura e a integridade do trato gastrointestinal. Por exemplo, o álcool altera o número e a abundância relativa de micróbios na microbiota intestinal, uma extensa comunidade de microrganismos no intestino que ajuda na função intestinal normal. Esses organismos afetam a maturação e a função do sistema imunológico. O álcool interrompe a comunicação entre esses organismos e o sistema imunológico intestinal. O consumo de álcool também danifica células epiteliais, células T e neutrófilos no sistema gastrointestinal. Ou seja, esse é bom momento para diminuirmos o consumo de bebidas alcoólicas, não é mesmo?!

Não podemos deixar de citar também o benefício do consumo de algumas vitaminas. Uma delas é a vitamina D que, embora sejam necessários mais estudos sobre a ligação dessa vitamina e saúde imunológica, algumas pesquisas promissoras sugerem que sua suplementação pode ajudar o corpo a combater doenças respiratórias. Em um estudo de 107 pacientes mais velhos (o que é muito interessante nesse caso, pois são os alvos de maior risco do COVID-19), alguns pacientes tomaram altas doses de vitamina D, enquanto outros receberam doses padrão. Depois de um ano, os pesquisadores descobriram que as pessoas no grupo de altas doses tiveram 40% menos infecções respiratórias ao longo do ano em comparação com as da dose padrão.

Segundo Adit Ginde, professor de medicina de emergência da Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado, nossos corpos precisam de vitamina D adequada para produzir as proteínas antimicrobianas que matam vírus e bactérias: “Se você não tem circulação adequada de vitamina D, é menos eficaz na produção dessas proteínas e mais suscetível à infecção”.

As quantidades ideais dessa vitamina nos exames bioquímicos variam muito na literatura. Eu, na nutrição ortomolecular, não gosto de vê-la abaixo de 50 nanogramas por mililitro. Já a medicina tradicional costuma considerar normal acima de 30. Para que você não fique perdido, eleja um profissional da sua confiança e avalie como andam as suas taxas.

Precisamos citar a tão famosa vitamina C também, é claro. Existem estudos que mostram que a eficácia dela é bem menor do que a fama. Mas ainda assim existe sim uma grande relação entre o bom consumo dessa vitamina e o sistema imunológico. Apesar dela não ser capaz de evitar resfriados comuns, é um potente antioxidante que atua neutralizando os radicais livres (que são partículas que podem danificar células, tecidos e material genético).

O mais interessante é que alguns cientistas estão testando se a vitamina C pode aliviar os sintomas e melhorar os resultados para pacientes com COVID-19 – se administrados em uma dose alta o suficiente. Pesquisadores do Hospital Zhongnan da Universidade de Wuhan lançaram um ensaio clínico com 140 pacientes em fevereiro para testar se doses muito altas de vitamina C, administradas por via intravenosa, poderiam tratar a infecção viral com mais eficácia do que um placebo. O estudo será concluído só em setembro e ainda não há resultados disponíveis. Sorte a nossa que até lá o surto muito provavelmente já terá chegado ao fim, mas ainda assim é um estudo bem interessante, não acham?

Resumindo… Vamos investir sim em alimentos ricos em ácido ascórbico (vitamina C), como por exemplo kiwi, limão, caju, acerola, laranja, morango e brócolis. Além disso cuidado com o contexto geral da sua dieta. Manter uma alimentação inflamatória é criar um ambiente propício para qualquer tipo de inflamação. Lembrando que há também os grupos de maior risco: idosos, diabéticos, pessoas com doenças do coração ou respiratórios, fumantes e imunodeprimidos. Estes devem se atentar ainda mais aos cuidados!

Entendam: vitaminas e comida de verdade não impedem a infecção, mas preparam o sistema imune para vencer essa batalha. A vitória vai depender a junção de forças – armar o sistema imune e diminuir a exposição ao Coronavírus. Todos nós somos responsáveis por isso!

No mais, vamos manter a calma, adotar as medidas indicadas e aguardar, pois acreditem, essa pandemia uma hora vai passar.

 


Links:

How Stress Influences Disease

Alcohol and the Immune System

Vitamin D supplementation to prevent acute respiratory tract infections: systematic review and meta-analysis of individual participant data

Vitamin C Infusion for the Treatment of Severe 2019-nCoV Infected Pneumonia

 

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