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A Nutrição por trás da Ansiedade e da Depressão

por em 07/02/2020 em Ciência | Nenhum comentário

A Nutrição por trás da Ansiedade e da Depressão

O Brasil é o país com a maior taxa de ansiedade de todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).  Em 2018 a OMS registou que mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão, um aumento de mais de 18% entre 2005 e 2015. Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Inclusive é essa a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos.

Uma das coisas mais lindas da nutrição é que ela costuma estar por trás de quase tudo. E não é diferente com esses quadros clínicos. Mas não se iludam, o tratamento dessas doenças é feito com o psicólogo e psiquiatra, tudo que veremos nesse texto é o quanto a nutrição pode ter papel significante como COADJUVANTE nesses casos.

Ensaios clínicos sugerem que os padrões alimentares saudáveis, como os tradicionais de dieta estilo mediterrâneo (rica em frutas frescas, vegetais, peixe, azeite extra-virgem azeite de oliva e grãos integrais) e fatores dietéticos específicos, incluindo ômega-3, ácidos graxos poliinsaturados, entre outros, podem influenciar no tratamento da depressão e da ansiedade. Segundo um estudo que se propôs a analisar o efeito do ômega-3 na modulação da comunicação dos neurônios cerebrais, ele desempenha um papel crítico na função e estruturação do cérebro ao longo de toda vida, regulando a neurotransmissão, neurogênese, sobrevivência celular e neuroinflamação.

Alguns estudos mostram que pacientes que sofrem de depressão ou transtornos do humor têm dieta com menor ingestão e níveis séricos de ômega-3. Quando analisaram indivíduos que já possuem depressão, ao modificar suas dietas para um plano alimentar adequado e incluir ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 (EPA e DHA), os sintomas da doença diminuíram significativamente.

Os medicamentos utilizados para tratar transtornos de ansiedade costumam agir estimulando o neurotransmissor GABA e consequentemente desestimulando o Sistema Nervoso Central. Porém, a maioria desses ansiolíticos tendem a apresentar efeitos colaterais prejudiciais ao indivíduo como a dependência da substância. É por isso que hoje estuda-se muito algumas plantas medicinais. Isso porque elas parecem apresentar um promissor controle da ansiedade sem causar efeitos tão adversos para a saúde.

Alguns fitoterápicos vêm sendo estudados há muitos anos e já demonstraram efeitos significativos na melhora da ansiedade e dos quadros depressivos. Alguns deles são a Passiflora incarnata (Maracujá), Matricaria recutita (Camomila), Withania somnifera (Ashwagandha) e Erythrina verna (Mulungu). Vamos lá, deixa eu resumir o que eles encontraram:

Quanto à camomila, ela mostrou ser um bom ansiolítico natural. Umas das formas analisadas, foi a utilização de cápsulas de Matricaria chamomilla L. (500 mg) três vezes ao dia a longo prazo (38 semanas). Esse protocolo apresentou atividade ansiolítica, além da redução de peso corporal e pressão arterial em indivíduos diagnosticados com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Outro estudo que adotou oito semanas como tempo de utilização do extrato de camomila, mostrou resposta significativa na redução da ansiedade em 58,1% dos indivíduos. É contraindicado para gestantes e para indivíduos com hipersensibilidade ou alergia à planta.

Outro fitoterápico que mostrou efeitos bacanas, e sem toxicidade, é a Passiflora incarnata. Inclusive em estudo duplo cego, obteve como resultado a diminuição dos níveis de ansiedade em 40 pacientes que ingeriram 260 mg de Passiflora incarnata antes de realizarem uma cirurgia dentária, apresentando o mesmo efeito do medicamento Midazolam, porém sem seus efeitos colaterais negativos. Parece até difícil de acreditar né? Não sei se eu teria coragem de participar de um estudo desses não. Vale citar que ela é contraindicada em pessoas com hipersensibilidade ou grávidas até três meses e indivíduos que fazem uso de medicamentos ansiolíticos e hipnóticos.

Outra planta estudada foi a  Ashwagandha, que eu particularmente gosto muito, por ser adaptógena. Nesse trabalho eles concluíram que ela tem um efeito significativo na redução do estresse, em especial por agir na diminuição do cortisol. E o melhor: De forma segura.

Por último, o meu queridinho – que apesar de eu amar, morro de medo, porque existem muitas contraindicações, então, nem todo mundo pode usar –  que é o Mulungu. Um estudo usando uma bela dose desse fito e comparando com os efeitos do Diazepam (EM RATOS) mostrou efeitos muito semelhantes em ambas abordagens. Apesar disso, de fato esse é um fitoterápico que usamos com efeitos tranquilizantes. Porém, fica claro nos estudos que ainda são necessários muitas pesquisas para se encontrar doses respostas eficazes e principalmente, seguras. Até porque, como eu disse, se trata de um fito com muitas contraindicações.

Agora vamos falar de coisas que também já vem sendo estudadas há muito tempo: As vitaminas e os minerais que têm relação com a depressão e com a ansiedade. Ficaria grande demais esse texto se eu fosse aprofundar em todos os mecanismos, mas deixa eu explicar pelo menos esse: A importância do Triptofano.

Acho que todo mundo já ouviu falar na serotonina (aquele neurotransmissor famoso por gerar bem estar). Ele é produzido através do triptofano, que é um aminoácido que encontramos facilmente na alimentação. Por exemplo, na banana, na aveia, no cacau e em algumas oleaginosas. Olha a alimentação aqui.

Então quer dizer que, comendo fontes de triptofano, eu aumento a serotonina? Em teoria, sim. Não é só isso, o triptofano precisa ser convertido em L-Triptofano. E advinha só o que vai atuar aqui? Mais nutrientes. O magnésio e a vitamina B6 são cofatores importantes desse processo. Hummm… Vamos pensar em alimentos ricos nesses nutrientes? Cereais… Nozes… Vegetais verde escuro… Abacate… Vejo MAIS COMIDA DE VERDADE por aqui. E não para aí.

Bons níveis de serotonina também são responsáveis por bons níveis de melatonina (aquela que é famosa por regular nosso sono, inclusive muito usada em forma de suplemento). Quando a gente entende um pouco esses processos, entendemos também como agem os medicamentos. Alguns agem aumentando o tempo de ação (lá nas sinapses neurais) da serotonina com o intuito de prolongar a ação dela. Mas pensem… E se a produção dela for baixa? Será que adianta só prolongar? Será que não seria mais eficiente se trabalharmos em conjunto? Darmos o aporte nutricional necessário para que esses neurotransmissores sejam produzidos de forma orgânica, e nos casos onde for necessário, fazer o uso do medicamento JUNTAMENTE com esse cuidado?

Por isso vou deixar aqui o link de um estudo muito bacana, que mostrou os benefícios do L-triptofano, do Magnésio, do ômega-3 e de vitaminas do complexo B na diminuição dos sintomas da ansiedade. Também existem bons estudos feitos coma vitamina D e com o folato (inclusive, alguns autores sugerem o uso do folato juntamente com os medicamentos antidepressivos, pelo fato dele melhorar o efeito desses).

Eu termino esse texto de hoje trazendo uma reflexão: Por que não? Por que não comer mais nutrientes? Mais vitaminas, minerais, chás? É tão simples. Não se perde nada tento esse cuidado nutricional. É CLARO que não é pra deixar o tratamento convencional de lado. Afinal, o tratamento da depressão é de fato com psiquiatra e com o psicólogo. Mas gente… Só pensem… Por que não?  Basta comer COMIDA DE VERDADE na maior parte do tempo, é lá que encontramos todos esses nutrientes. E se necessário, tenha um bom profissional para fazer uma suplementação eficiente.

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