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Games no Lab: Acidentes nucleares, heróis da vida real, mutantes e Rússia sendo Rússia

por em 26/07/2019 em Ciência, Games | Nenhum comentário

Games no Lab: Acidentes nucleares, heróis da vida real, mutantes e Rússia sendo Rússia

Estava eu envolto em meus pensamentos, desenterrando games esquecidos que poderiam gerar um texto para esta coluna, quando, vendo todo o burburinho da internet sobre a nova série da HBO, Chernobyl, me lembrei de um game que usou esse acidente como pano de fundo para sua história e está prestes a ganhar uma sequência. Lançado em 2007 exclusivamente para PCs e desenvolvido pela GSC Game World, o game fez um relativo sucesso na época graças à propaganda boca a boca daqueles que o jogaram. Então, aproveitando o hype da série (Chernobyl), vamos conhecer um ótimo game com essa temática e aproveitaremos para entender um pouco sobre esse acidente e como ele ainda afeta a vidas de muitas pessoas e animais do local. Portanto pegue seu medidor Geiger e vamos juntos conhecer S.T.A.L.K.E.R.: Shadow of Chernobyl.

O game é um FPS com pitadas de sobrevivência ambientado em um cenário envolto de radiação e se alguém achar ele parecido com a série de games Metro é porque este foi criado por ex-membros da equipe de desenvolvimento de S.T.A.L.K.E.R. Inclusive fica a recomendação, já abordamos Metro aqui. Mas voltando a S.T.A.L.K.E.R., o game se passa em uma realidade alternativa onde ocorreu um segundo desastre em Chernobyl, o que resultou em anomalias físicas e meteorológicas, além de mutações na fauna, flora e humanos do local.

As condições do local acabaram criando objetos chamados de artefatos. Esses artefatos possuem propriedades físicas como antigravidade e absorção de radiação, o que os tornou extremante valiosos para fins científicos. Logo isso se transformou em um comércio e pessoas começaram a entrar no local afetado pelo desastre para encontrar esses artefatos, essas pessoas ficaram conhecidas como S.T.A.L.K.E.R. (Scavengers, Trespassers, Adventurers, Lersers, Kersers, Eplplers e Robbers).

Um das “anomalias” que você enfrenta durante a jogatina

Alguns S.T.A.L.K.E.R.s acabaram se juntando e formando facções que guerreiam dentro da Zona de Exclusão de Chernobyl, nome que foi dado ao local do desastre, seja lutando por territórios ou por ideais. No meio disso tudo está nosso protagonista, um S.T.A.L.K.E.R. que acorda no meio da Zona sem nenhuma memória (Fala aí, quem nunca?) e precisa se defender contra humanos e mutantes, até que ele descobri quem é e o que está fazendo ali. O game conta com múltiplos finais, dependendo do tanto de dinheiro que foi ganho durante a jogatina, o quanto da “sua” memória foi recuperada e das escolhas morais feitas ao longo da história.

Basicamente o começo de S.T.A.L.K.E.R. e mais uns 783 JRPG’s

Falamos bastante sobre o cenário do game, agora vamos partir para a nossa realidade e entender como ocorreu o desastre de Chernobyl e como isso influenciou certas partes do game. Mas antes, uma rápida explicação de como funciona uma usina nuclear.

Uma usina nuclear, basicamente é uma unidade industrial que tem como finalidade a geração de energia através de reações nucleares (Ah vá, é mesmo?). Seu coração é o reator nuclear, local onde ocorre a fissão (“quebra”) dos átomos de urânio, geralmente o elemento mais utilizado para este fim. Dentro do reator, a fissão de um átomo de urânio gera partículas que iniciam a fissão de outros átomos próximos, com isso se dá uma reação em cadeia.  A fissão de um átomo gera uma quantidade enorme de energia, que no caso do reator é liberada em forma de calor, esse calor então é usado para transformar água em vapor, vapor esse que irá girar as turbinas de um gerador de energia. Esse vapor de água perde energia no processo, se condensa e volta ao estado liquido, retornando ao reator nuclear, formando um ciclo fechado.

Agora para entendermos melhor o que aconteceu em Chernobyl precisamos entender como são as coisas dentro reator nuclear. O urânio, na forma de pastilhas, é armazenado dentro de tubos que ficam submersos em água para que os mesmos não derretam devido à alta temperatura. É fundamental que o nível dessa água de resfriamento seja sempre monitorado, já que a falta de água pode gerar uma explosão. Também quando se inicia a reação em cadeia da fissão dos átomos, a mesma só pode ser parada ou desacelerada através de barras de cádmio ou boro que cobrem os tubos cheio de urânio e com isso absorvem os neutros liberados na fissão.

Vale lembra que tudo isso gera uma quantidade absurda de radiação ionizante, ou seja, energia com poder suficiente para arranjar um elétron de um átomo. Esse poder é capaz de destruir as molecas do seu DNA, o que na prática não é uma coisa nada legal. Para evitar que qualquer radiação escape do reator, o mesmo é protegido por grossas paredes de aço e concerto.

Núcleo de um pequeno reator nuclear utilizado para pesquisas

E o que aconteceu em Chernobyl? Vamos lá…

Só lembrando que vamos abordar a parte técnica do acidente, sem procurar ou apontar culpados.

Basicamente o reator, mais precisamente o reator 04, sobreaqueceu devido à falta de resfriamento e explodiu, causando um incêndio que durou dias e espalhou radiação por uma área de pelo menos 200.000 km². Uma usina nuclear conta com diversos dispositivos de segurança para evitar que falte água para o resfriamento dos tubos onde ficam as pastilhas de urânio, no caso de Chernobyl essa foi a maior falha de segurança. No caso de falta de água para o resfriamento, geradores a diesel entrariam em ação e supririam essa falta, porém os geradores demorariam alguns minutos para ligar, com isso um sistema reserva usando a energia gerada apenas pela inércia do gerador parando poderia dar conta dessa demanda até os geradores a diesel “entrarem em linha”. O grande problema? Nos três testes feitos até então, esse sistema nunca funcionou corretamente.

No dia 26 de abril de 1986 foi agendando um novo teste. Teste esse que já não seguiu as etapas previstas para a execução procedimento. Durante o teste, uma série de procedimentos incorretos fez com que o reator apresentasse uma sobrecarga e o botão de emergência foi acionado, depois disso o reator apresentou um pico maior ainda de energia, aumentado a pressão do vapor que incendiou os tubos que protegiam as pastilhas de urânio. O resultado disso tudo já sabemos…

Em S.T.A.L.K.E.R depois dessa explosão houve ainda outra explosão que acabou causando as anomalias físicas e as mutações nos seres da área. Na vida real essa segunda explosão quase aconteceu, não fosse a ação de três funcionários (heróis) que evitaram isso.

Abaixo do reator nuclear, existiam piscinas que armazenavam a água de resfriamento do mesmo. Essa água já estava extremamente radioativa e poderia contaminar águas subterrâneas que serviam de abastecimento às cidades próximas. Se nada fosse feito, mais pessoas poderiam ser contaminadas e se o reator caísse nessas piscinas poderia haver outra explosão.

Com esse cenário decidiu-se esvaziar-se as piscinas de maneira controlada, mas essa tarefa só poderia ser feita manualmente através das válvulas que abririam uma eclusa. Todos sabiam que seria uma viajem só de ia, dadas as circunstâncias da tarefa. Mesmo com esse cenário, três trabalhadores prontamente se apresentaram para a tarefa, Alexei Ananenko, Valeriy Bezpalov e Boris Baranov. Os três não só conseguiram esvaziar as piscinas como saíram de lá com vida. E quando perguntados sobre o porquê de terem feito isso, a resposta foi simples: Era nosso trabalho, só estávamos trabalhando.

Alexei Ananenko, Valeriy Bezpalov e Boris Baranov

Pois bem pessoal, espero que tenham gostado do texto. Quanto ao game, S.T.A.L.K.E.R.: Shadow of Chernobyl, se ainda não jogaram recomendo, é um ótimo FPS e logo sua sequência deve sair, que pelos trailers esta prometendo bastante. Como sempre críticas e sugestões são sempre bem-vindas. Fico por aqui, até mais.

Fontes: Wikipedia, Brasil Escola, Globo Educação, Voxel e Jornal GGN

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