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Radiocomunicações e o Padre que tinha pacto com o capiroto

por em 28/01/2016 em Ciência, Destaque, Notícias, Tecnologia | 3 comentários

Radiocomunicações e o Padre que tinha pacto com o capiroto

Em 21 de janeiro de 1861 nasceu em Porto Alegre o futuro Padre Roberto Landell de Moura. Na semana passada completou-se 155 anos do seu nascimento.

No Brasil, ele é tido como o inventor da comunicação por fonia pelas ondas de rádio. Mas peraê, não foi o italiano Marconi quem descobriu isso? Aparentemente não… Marconi conseguiu transmitir sinais (Di e Dah – sinais telegráficos) pelo “éter”, mas Landell de Moura quem conseguiu transmitir pela primeira vez a voz humana.

Fazendo uma analogia, como Santos Dumont é chamado de pai da aviação, o Brasil defende que o gaúcho seja reconhecido como inventor do rádio. Em 3 de junho de 1900, o Padre conseguiu Isso aconteceu em 3 de junho de 1900, quando ele transmitiu sinais de fonia via ondas de rádio do Colégio do Santana até a Avenida Paulista (Marconi transmitiu sinais Di e Dah entre a Terra Nova e Inglaterra somente em 1901).

"No domingo próximo passado, no alto de Santana, na cidade de São Paulo, o padre Landell de Moura fez uma experiência particular com vários aparelhos de sua invenção. No intuito de demonstrar algumas leis por ele descobertas no estudo da propagação do som, da luz e da eletricidade através do espaço, as quais foram coroadas de brilhante êxito. Assistiram a esta prova, entre outras pessoas, Percy Charles Parmenter Lupton, representante do governo britânico, e sua família”.

“No domingo próximo passado, no alto de Santana, na cidade de São Paulo, o padre Landell de Moura fez uma experiência particular com vários aparelhos de sua invenção. No intuito de demonstrar algumas leis por ele descobertas no estudo da propagação do som, da luz e da eletricidade através do espaço, as quais foram coroadas de brilhante êxito. Assistiram a esta prova, entre outras pessoas, Percy Charles Parmenter Lupton, representante do governo britânico, e sua família”.

A patente brasileira do “aparelho destinado à transmissão fonética à distância, com fio e sem fio através do espaço, da terra e do elemento aquoso” foi conseguida em março de 1901 e 24 anos depois desse experimento, entrou no ar a Rádio Bandeirantes, como parte do processo de modernização da Cidade de São Paulo.

Apesar desse feito inédito, o cientista nunca teve o merecido reconhecimento da imprensa nem do governo. Ele tentou por várias vezes e com muito custo financeiro e pessoal registrar as patentes dos seus inventos nos Estados Unidos, apesar disso em 1904 conseguiu três patentes americanas dos seus experimentos.

Porque então Marconi quem ficou famoso e levou o crédito das radiocomunicações? Bom, ele conseguiu colocar seus equipamentos em navios da marinha mercante e da esquadra Italiana e assim conseguiu disseminar a utilização da comunicação sem fio (mesmo através de sinais de telegrafia). Marconi só consegui a fonia via rádio em 1914. Do contrário, ao voltar dos EUA com as patentes o padre solicitou ao Presidente da República, dois navios para demonstrar seus inventos (transmissão de voz em qualquer distância). Um oficial da presidência achando que o padre era louco aconselhou negar o pedido. É ou não é para ter orgulho desses políticos?

E onde entra o pacto com o Capiroto nessa história toda? Bom, o pessoal não via com bons olhos um padre que dizia que poderia falar com outros planetas. Além disso, ele fez uma demonstração de um telefone sem fio para o bispo de São Paulo em meados de 1890. O bispo ficou tão perturbado com as “vozes que vinham de nenhum lugar” que teria qualificado o aparelho como obra do demônio e proibido o padre de continuar seus experimentos.

Mas a cereja do bolo foi no dia do experimento de transmissão entre o Colégio Santana e a Avenida Paulista (em 1900). Um grupo de fiéis ensandecidos que acreditavam ser ele um padre que se comunicava com o demônio invadiu seu laboratório e destruiu todos os seus equipamentos…

Fontes:

QRZ.com

Landelldemoura

Memoriallandelldemoura

Observatorio da Imprensa

Hamilton Almeida. 2006. Padre Landell de Moura. Um herói sem glória. Editora Record, 319p.

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