Nosso especial no mês de aniversário!!!! Anote seus pontos, sem roubar, e venha torcer para Fabi, Caio ou Felipe Xavier e diga nos comentários quantos pontos você faria?

TEXTOS:

No início, sou só água.
Água que espera.
Então vêm as mãos. Uma pesa demais. Outra mede demais. A terceira hesita,  e essa hesitação muda tudo.
Sou golpeado.
Sovado.
Esticado até quase romper.
As primeiras tentativas são desiguais. Alguns fios nascem grossos, outros frágeis. Há pressa demais em uma palma. Orgulho demais em outra.
O fogo observa.
O ar fica pesado com sal, gordura, memória. Alguém quase perde o ritmo quando o aroma sobe rápido demais. Alguém quase se afoga na própria ansiedade.
Mas então eles lembram do que aprenderam.
Três movimentos. Não separados, simultâneos.
Eu giro. Sou lançado contra calor que não recua. Uma força antiga tenta me dispersar, espalhar meus ingredientes, provar que ainda manda na chama.
Quase me perco.
Quase transbordo.
Mas três tempos se alinham.
Um impacto que atordoa.
Um alongamento que desequilibra.
Uma dobra que concentra.
E eu encontro forma.


O cenário é improvável. O cheiro de menta e produtos químicos tenta, sem sucesso, mascarar o odor de sangue que impregna o tecido azul escuro. O chão vibra com o rugido lá de fora e as paredes de metal rangem. Ao olhar para o lado, a visão de sua mulher segurando um cutelo com naturalidade é a única coisa que lhe dá confiança para tentar decifrar aquelas linhas técnicas em francês. Você precisa estabilizar a aeronave e ignorar, por um instante, o que aguarda por trás da porta: sete figuras que deveriam estar imóveis e ensacadas, mas que podem ser bem mais perigosos do que uma queda livre.


O prédio tem três andares, mas nunca esteve completo. Uma ala inteira permanece vazia há mais de uma década. Prometeram móveis. Prometeram verba. Prometeram futuro. O cheiro ali é curioso: mofo recente, como se algo tivesse sido inaugurado ontem — e abandonado no mesmo dia. Lá dentro, poucas pessoas. Ou assim dizem os registros. Mas há sempre alguém na recepção.
Lá dentro, poucas pessoas. Ou assim dizem os registros. Mas há sempre alguém na recepção. Alguém que sorri demais.

A cidade é redonda. Não por acaso — por orgulho. Torres ovais, bandeiras amarelas, brasões com formas simples demais para serem inocentes. Dentro dos muros, tudo brilha. Fora deles, a lama é espessa. O ser mais protegido do reino vive numa torre alta. Oficialmente, é de companhia. Extraoficialmente, sustenta o tesouro. Na manhã da fuga, a janela estava estilhaçada de fora para dentro. No alto da colina próxima, marcas no solo indicavam algo pesado apoiado ali por horas. Não houve invasão. Houve lançamento. Dias depois, criadores começaram a notar ausências sincronizadas. Portões intactos. Cercas inteiras. E ainda assim, vazios. O soberano fala em sabotagem. Mas os relatórios usam outra palavra: organização.


O tempo dos carros voadores ficou para trás e a Biblioteca não guarda apenas livros raros, mas a sobrevivência humana. Após passarem por um teste de sangue e álcool, eles são levados à cidade subterrânea, onde lâmpadas brilham como estrelas e o silêncio dos moradores esconde um medo profundo.


O corredor estreito engole o som.
Lá dentro, o silêncio ecoa estranho, em contraste com a animação esperada.
Então a luz reaparece na outra extremidade.
Mas não vem calor com ela.
Vem pausa.
Um a um, os passos diminuem. Não por ordem. Por contágio.
Um último som ainda insiste em ser ouvido.
Tum.
Tum.
Tum.
O tambor falha no meio do gesto. Havia algo esperando do lado de fora.
O ar muda antes do primeiro som metálico.
Um estalo seco rasga o céu, não como trovão, que avisa. Como ruptura. A vibração chega antes da compreensão.
Depois, o silêncio fica mais pesado do que antes.
Ninguém corre.
Ninguém canta.
Até que alguém respira fundo demais.
E o mundo decide se encolher, ou responder.


O corredor estreito engole o som. Lá dentro, o silêncio ecoa estranho, em contraste com a animação esperada. Então a luz reaparece na outra extremidade. Mas não vem calor com ela. Vem pausa. Um a um, os passos diminuem. Não por ordem. Por contágio. Um último som ainda insiste em ser ouvido. Tum. Tum. Tum.
O tambor falha no meio do gesto. Havia algo esperando do lado de fora. O ar muda antes do primeiro som metálico. Um estalo seco rasga o céu, não como trovão, que avisa. Como ruptura. A vibração chega antes da compreensão. Depois, o silêncio fica mais pesado do que antes. Ninguém corre. Ninguém canta. Até que alguém respira fundo demais. E o mundo decide se encolher, ou responder.

O carro sobe por uma estrada estreita ladeada por muros de pedra antiga. Não é apenas uma propriedade, é um monumento. O cheiro não é só de terra: é de tradição. À esquerda, fileiras disciplinadas descem o terreno em declive. À direita, uma mansão que parece ter aprendido a envelhecer com elegância. Um anexo mais recente destoa, concreto mais claro, linhas mais retas. Mas eu não estou ali pela arquitetura. Estou ali porque algo apodreceu.


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Edição: Marcelo Guaxinim.

Idealizador e Host: André Trapani.

Jogadores: Caio, Fabi e Felipe Xavier.

“Happy Happy Game Show” Kevin MacLeod (incompetech.com)
Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0 License
http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

“Ancient Winds” Kevin MacLeod (incompetech.com)
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