Pages Menu
TwitterRssFacebook
Categories Menu

Games no Lab: Paraquedismo, Battle Royale, aerodinâmica e quem ficar por último vence, aproveita e apaga a luz

por em 27/09/2021 em Ciência, Entretenimento, Games, Notícias | Nenhum comentário

Games no Lab: Paraquedismo, Battle Royale, aerodinâmica e quem ficar por último vence, aproveita e apaga a luz

Foi no ano de 2017 que vimos o surgimento de um novo gênero no mundo dos games, o Battle Royale. Dezenas de jogadores saltando de um avião (ou equivalente) em um mapa e caindo de paraquedas em pontos aleatórios. Começando com os mesmos recursos e com a constante busca por novos equipamentos, a tensão vai aumentando conforme um círculo mortal vai se fechando, diminuindo o campo de batalha e promovendo mais disputas entre os jogadores. Tudo isso para definir apenas um único campeão, afinal, assim como em Highlander de 1986, no fim “Só pode haver um”. 

Uma coisa em comum entre a maioria dos Battle Royale’s são os jogadores pulando de algum veículo aéreo e descendo de paraquedas até o mapa onde o combate será travado. O curioso é que vários games se utilizam de princípios reais do paraquedismo dentro de suas mecânicas. Quer saber quais princípios são esses e de quebra conhecer um pouco da história do paraquedismo e a física envolvida nesse esporte? Então coloque sua mochila paraquedista, grite Gerônimo! e vamos juntos saltar para esse texto sobre paraquedismo e Battle Royale’s.

O gênero de Battle Royale, antes dos games, já era conhecido na cultura pop através do romance de mesmo nome lançado em 1999 e escrito pelo japonês Koushun Takami. A história é sobre estudantes japoneses que são colocados em uma ilha, sendo obrigados a lutar entre si até a morte, restando apenas um no final. Depois de ganhar adaptações em mangá e live action, o romance influenciou outra obra, a trilogia Jogos Vorazes, o que aumentou ainda mais a popularidade dos Battle Royale’s. Vale ressaltar que a obra de Takami pode ter sido influenciada por filmes como O Sobrevivente e o livro O Senhor das Moscas, apesar de que, já no século XVIII, haviam torneios de pugilistas que se utilizavam de um conceito parecido de eliminação.

Capa do livro que trouxe o termo para a cultura pop

 

Já no mundo dos games, mini games da série Mario Party  e mods de outros games de tiro já se encaixavam nesse gênero, mas o “boom” só veio mesmo com o lançamento de PUBG (Playerunknown’s Battlegrounds), criado por Brendan Greene a partir de mod para DayZ. PUGB estabeleceu as “regras” para o gênero como o salto de um veículo aéreo, o círculo mortal que vai se fechando em torno do mapa conforme o andamento da partida e a constante procura por equipamentos melhores. Regras essas que seriam seguidas pelos hoje gigantes do gênero, Fortnite, Call of Duty: Warzone e Free Fire.

 

Já PUBG popularizou o gênero nos games

 

O gênero, hoje, é um dos que mais fazem sucesso, principalmente nas lives da Twitch, com milhares assistindo ao gameplay de algum influenciador digital. Com isso, o ato de saltar de paraquedas tornou-se algo bem comum, pelo menos no mundo dos games. Vamos aproveitar então e conhecer mais sobre as origens desse esporte e a ciência envolvida. 

Os primeiros registros vêm do ano de 1306, quando acrobatas chineses saltavam de muralhas e torres com uma espécie de guarda-chuva enorme que era utilizado para amortecer a queda até o solo. Eu diria que esse foi um costume mantido pelos chineses através dos séculos, como nos mostra Jackie Chan:

Do excelente filme Espião por Acidente

Se a Epic Games ainda não fez uma skin disso para Fortinite, está perdendo dinheiro… 

Porém foi só no século XV que trabalhos mais elaborados começaram a aparecer, frutos de experimentos do grande gênio Leonardo Da VinciDa Vinci construiu um equipamento em forma de pirâmide feito de tecido que era preso nos ombros e em partes das costas do “paraquedista”. Apesar de estar mais para um protótipo, serviu para mostrar que, com a tecnologia certa, era possível realizar saltos de grandes altitudes e chegar no solo em segurança.

Mas foi somente em 1783 que o paraquedas foi patenteado. A patente foi para Sebastien Lenormand, que realizou diversos saltos. Entretanto, foi em 1797 que surgiu o primeiro paraquedista profissional, Andre-Jacques GarnerinGarneim inclusive bateu o recorde de maior salto da época, 8000 pés, cerca de 2438 metros. Até então, os saltos ainda eram realizados de locais altos ou de balões. Mas com a invenção do avião, no início do século XX, isso mudou. 

Ainda há divergência quanto a quem foi a primeira pessoa a saltar de paraquedas de um avião. A disputa é entre Grant Norton, com seu paraquedas de seda dobrado em seus braços, e o Capitão Albert Berry, com seu paraquedas embalado em uma caixa de metal. Independentemente de quem foi, as coisas já começam a se assemelhar com nossos Battle Royale’s. 

Durante a Primeira Guerra Mundial, seu uso foi como salva-vidas. Caso um avião fosse abatido, o piloto ainda poderia chegar ao solo com relativa segurança fazendo o uso do paraquedas. Já na Segunda Guerra Mundial a coisa foi diferente. O paraquedas foi amplamente utilizado em várias missões, inclusive no fatídico dia D, quando milhares de soldados saltaram atrás das linhas alemãs um dia antes da grande operação para garantir seu sucesso.

Na Segunda Guerra Mundial, os soldados acionavam o paraquedas assim que saltavam dos aviões

O avanço de novos materiais e tecnologias trouxe mais segurança para o esporte, e com isso o paraquedismo foi se difundindo cada vez mais, tanto no cenário civil quanto no militar. Assim, saltos maiores foram sendo realizados, chegando ao ano de 2012, quando tivemos o salto de Felix Baumgartner a mais de 39 km de altura.

O paraquedista precisou usar oxigênio puro para eliminar o nitrogênio do sangue, evitando uma brusca expansão devido à altitude elevada. Em queda livre, Felix atingiu a velocidade máxima de 1.173 km/h, queda essa que durou cerca de 4 minutos e 20 segundos. 

Se isso já não fosse impressionante, dois anos depois tivemos a quebra desse recorde. Alan Eustace saltou de uma altura de um pouco mais de 41 km, chegando a uma velocidade de 1.323 km/h. Sua queda durou 4 minutos e 27 segundos. Esse recorde se mantém até hoje, mas nada impede que seja batido novamente com o avanço de novas tecnologias e materiais. 

Mas afinal, como funciona um paraquedas? Como ele consegue baixar a velocidade de quedas que normalmente variam entre 200 e 240 km/h para menos de 30 km/h? É o que veremos a seguir. 

Na verdade, todas as perguntas anteriores podem ser respondidas com uma única palavra: aerodinâmica. 

Basicamente, a aerodinâmica estuda a atuação de forças sobre objetos (ou nesse caso, pessoas) no ar. Qualquer objeto puxado pela gravidade abre caminho através das moléculas de ar e o seu formato interfere diretamente na resistência exercida pelo mesmo.  

Paraquedistas, depois que saltam, conseguem controlar um pouco sua velocidade de queda livre. Para aumentar a velocidade, fecham os braços e pernas junto ao corpo, diminuindo assim a resistência do ar. Já se estenderem os braços e as pernas, a resistência do ar aumenta e a velocidade de queda diminui. Inclusive, isso é uma estratégia bastante utilizada nos games Battle Royale’s, onde você pode acelerar sua queda e chegar mais rápido ao mapa, tendo mais chances de encontrar equipamentos primeiro, ou atrasar a queda e verificar os locais onde os outros jogadores estão aterrissando.  

Voltando ao paraquedas, quando ele é aberto, seu velame (que basicamente é o paraquedas em si) prende as moléculas de ar, criando uma força de resistência contrária à queda, compensando parcialmente a força da gravidade. Por isso o paraquedista tem uma queda suave, praticamente flutuando até o chão.

Para os Battle Royale’s, citamos uma estratégia de gameplay, que é adiantar ou atrasar a queda. Mas para atrasar a queda também existe outra maneira nos games, que é abrir o paraquedas antes do tempo “normal”. Isso nos leva a uma questão: na vida real, como os paraquedistas sabem a hora de abrir os paraquedas? 

Em Free Fire, temos os comandos Sprint, Fall e Open. Todos para determinar o quão rápido vai ser a queda ou não

Para isso eles utilizam um equipamento chamado altímetro. Preso ao braço dos paraquedistas ou até mesmo no visor do capacete (quando utilizado). O aparelho mostra qual é o momento ideal e mais seguro para se abrir o paraquedas. Alguns, inclusive, se utilizam de avisos sonoros para indicar o momento. O altímetro funciona medindo a pressão atmosférica e transformando esse valor em altitude. 

Um pouco antes eu disse que nos games é possível abrir o paraquedas antes do tempo “normal”. Com isso, quero dizer que quando o jogador chega em determinada altitude, o paraquedas abre sozinho. Isso também tem seu paralelo com o mundo real, estamos nos referindo ao DAA. 

O dispositivo de abertura automática (DAA) é um altímetro digital e um velocímetro que automaticamente acionam a abertura do paraquedas quando se chega em uma altitude mínima, previamente estabelecida. Ele atua como medida de segurança, caso ocorram problemas durante o salto, como desmaios ou demora no acionamento do equipamento. Esse dispositivo se tornou tão fundamental que a não utilização do mesmo é restrita apenas para paraquedistas experientes.

Alguns modelos de DAA

E chegamos ao fim de mais um texto, espero que tenham gostado. 

Quanto aos Battle Royale’s, talvez seja uma moda passageira, porém é inegável que o gênero faz muito sucesso e tem mudado o mercado de games. De qualquer maneira ele já deixou sua marca na indústria. Com todos querendo surfar essa onda. Já temos desenvolvedores que estão se arriscando em mudar a formula. Se no começo tínhamos apenas shooters, hoje temos exemplos como Fall Guys: Ultimate Knockout (um Battle Royale no estilo plataforma) e até mesmo franquias antigas se rendendo ao gênero como é o caso de Tetris 99 e Super Mario Bros. 35.

E você? Joga algum Battle Royale? O que acha do gênero? O campo de comentários está logo abaixo para isso. Fico também no aguardo de críticas e sugestões. Até a próxima. 

Fontes: Wikipédia, Tecmundo, The Enemy, Paraquedismo Sky Company, Mundo Educação, Super Interessante e Brasil Escola

Modo Noturno