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Nuvens negras – um conto do Reino de Dreen

por em 16/09/2020 em Entretenimento | Nenhum comentário

Nuvens negras – um conto do Reino de Dreen

(conto anterior)

Após vinte anos, Hamza quase foi preso pelo ciclo interno dos anciãos da Ordem. Ele vem tentando fazer os membros dos esclarecidos ajudarem outros reinos. Chegou a apresentar essa ideia com seu antigo mestre ainda quando era bem jovem e foi severamente criticado ao aceitar um convite com seu mestre para socorrer a cidade portuária independente no sul, chamada de Ponta de Battaglia. Acabaram detidos por duas semanas como exemplo aos outros membros.

Agora, vinha tentando conseguir uma autorização do ciclo para os Esclarecidos por quase três anos, mas toda tentativa era negada. Cansado de esperar, enviou abertamente paladinos para socorrer dois reinos vizinhos. Caso outros reinos precisem de ajuda da ordem, é necessária uma autorização do reino de Dreen, além de fazer alguma contribuição.

Apesar de tudo, Hamza vem aconselhando jovens paladinos e sacerdotes a saírem pelo mundo a fim de completar seus conhecimentos e ajudar os outros. Hamza acha que essa prática poderia deixar a ordem mais próxima das pessoas, tornando os membros ainda melhores. Isso irritou o ciclo profundamente, já que nunca foram consultados a esse respeito.

Um fato que vem impressionando muita gente é o apoio interno de Diego pelo exílio do próprio pai. O segundo filho de Hamza rompeu relações com o pai há quase cinco anos sob influência do ciclo. Ele defende o isolamento do velho pai com as desculpas de que as atitudes dele podem levar a ordem a um colapso.

Uma guerra interna quase aconteceu quando o ciclo ordenou a prisão de Hamza no mês passado, antes de seu julgamento. Os aliados do antigo paladino ficaram frente a frente ao pelotão enviado pela ordem, porém a guarda da cidade, sob as ordens de Augustus, dispensou o pelotão. Augustus ainda avisou ao ciclo que o resultado do julgamento deve ser esperado.

Na segunda semana da primavera, Hamza caminhou tranquilamente até o local do julgamento com o filho Luan e vários membros dos esclarecidos. Os cidadãos foram acompanhar aquilo. Muitos deles estavam claramente insatisfeitos com o julgamento de um velho herói. Olhavam torto para os anciãos, mas evitavam falar algo com medo de punições do rei.

Se Hamza estava sendo julgado, com certeza o ciclo interno deve ter sido autorizado pelo rei. Considerando os últimos atos dele, havia uma possibilidade dos reinos vizinhos e cidades independentes começarem a ter apoio do ciclo sem pagar tributos. Pior, a ordem poderia adotar uma postura de neutralidade no futuro, assim o reino perderia uma grande vantagem militar, e a ordem perderia prestígio e força política em Dreen.

Hamza chegou ao local mais tranquilo, pois com a ajuda de Luan conseguiu acalmar os mais irritados dos Esclarecidos, que queriam acabar com o julgamento a força. Alguns comentaram sobre a possibilidade de fugir e instalar os esclarecidos em um reino vizinho. E isto poderia resultar em um grande problema diplomático.

Durante o julgamento, Diego ficou com a responsabilidade de ler todas as acusações contra o próprio pai. Era o mais alto dos irmãos, lembrava a família da mãe e tinha uma mecha branca no cabelo que o acompanhou desde o nascimento. Estava com uma cara fechada e bem irritado. As atitudes de seu pai fizeram ele passar por maus bocados dentro da Ordem. Hamza nunca o aceitou dentro dos Esclarecidos. Quando o ciclo percebeu a oportunidade de afetar Hamza através do filho, foi um casamento perfeito.

– Como todos sabem, meu pai foi orientado por anos por um antigo clérigo que acabou sucumbindo às forças malignas. Este realizou uma verdadeira carnificina, matando vários membros da ordem – a fala de Diego desagradou alguns membros da Ordem, não gostavam de lembrar dessa mancha, mas ele continuava.

– Meu pai sacrificou a própria visão para acabar com essa ameaça e salvar minha mãe. Porém todos sabem que ele mudou muito por ter ficado cego e por ter acabado com a vida do próprio mestre – algumas pessoas pareciam concordar com o ponto de vista de Diego, outras protestavam.

– Talvez, essas ideias tenham nascido com a influência do antigo mestre corrompido trazendo todos nós a este dia – sugeriu Diego.

– Criou uma doutrina dentro da Ordem que foi tolerada, acolhendo os membros restantes da doutrina de seu mestre. Começou a defender que a Ordem deveria atender pedidos de reinos estrangeiros quando a Ordem só conseguiu chegar nesse prestígio no nosso reino por causa do apoio dos antepassados do rei Clóvis – a fala de Diego causou irritação entre os membros dos Esclarecidos, mas o público parecia concordar com ele, e alguns já começaram a protestar contra Hamza.

– Não satisfeito, começou a aceitar membros claramente sem dons mágicos. Começou a incentivar práticas diferentes das que são ensinadas dentro da Ordem por séculos. Depois começou a enviar paladinos para atender os chamados de reinos estrangeiros sem permissão – a fala de Diego deixou mais pessoas irritadas. As vozes contra Hamza começam a aumentar.

Diego falou e acusou o pai por quase uma hora levantando fatos e pensamentos que eram contrários aquilo que era determinado pela Ordem, além de questionar algumas vezes a sanidade de Hamza. O número de pessoas irritadas aumentou nesse tempo. Assim que terminou, passou a fala e sentou satisfeito com suas alegações. Grande parte do ciclo interno aprovou com olhares aquilo que Diego tinha dito. Chegara a vez de Hamza se defender.

– São palavras duras de ser ouvidas por um pai do próprio filho. Algumas são verdades, várias, distorções claramente intencionais, mas gostaria de declarar que o ciclo interno para tentar me afetar, acabou acolhendo um grande inimigo – acusou Hamza com voz grave.

Vários murmúrios sobre ele estar senil foram ouvidos. A maioria mandava os outros se calarem. Estavam espantados e queriam ouvir a acusação. Membros da Ordem levantaram protestando, mas todos silenciaram quando Aníbal levantou a mão querendo o fim da desordem. Aníbal era o mais velho do ciclo e o mais respeitado membro, não gostava de Hamza, mas gostaria de um julgamento justo. Sabia das maquinações internas contra o antigo paladino e nunca teve força para acabar com elas. Hamza continuou:

– Os anos de experiência do ciclo ou sua arrogância permitiram que meu filho, controlado pelo lich Dierr, circulasse livremente dentro da ordem nos últimos anos… 

– Enlouqueceu completamente, pai! – Diego estava completamente constrangido – Vejam…. Meu pai está completamente fora de si. Precisa ser exilado para não causar mais danos à Ordem e ao reino – e rapidamente recuperou o controle.

As pessoas gritavam, metade dizia que Hamza estava senil. Aníbal levantou para falar, mas acabou interrompido.

– Eu o desafio para um duelo de honra! – disse Hamza com um rosto totalmente sereno para o espanto de Augustus, Diego e Luan.

Os olhos de Diego ficaram em êxtase, não conseguiu esconder seus sentimentos, mas manteve o controle e respondeu.

– Aceito o duelo, vou acabar com essa loucura e dar um fim a isso. Serei o algoz do meu pai e darei uma morte honrada a ele – respondeu quase rindo.

Augustus se levantou retirando as cores do reino de sua armadura de malha, retirou a capa com o brasão real e largou o elmo de capitão onde estava sentando.

– Lutarei no lugar do meu pai! Neste momento não represento o reino. Eu o protejo desse meu irmão ingrato – falou isso olhando com toda reprovação para Diego.

Diego ficou espantado e rapidamente tentava pensar numa forma de protestar contra tal interferência. Acreditava que seria massacrado.

– Não! Eu mesmo farei isso, não verei meus filhos lutando – disse Hamza.

(Próximo conto)

Agradecimentos ao fiel revisor, Adriano Schramm.

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