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Dever – um conto do Reino de Dreen

por em 22/07/2020 em Entretenimento | Nenhum comentário

Dever – um conto do Reino de Dreen

(conto anterior)

Filho de dois grandes nomes na ordem, Augustus não foi presenteado com o dom mágico como aconteceu com seus irmãos. Ainda jovem se alistou na guarda da cidade, e provavelmente foi aceito pelo nome dos pais. Algo que o comandante nunca se arrependeu.

O jovem era obstinado, focado e muito talentoso. Desde cadete suas habilidades com armas superaram os outros iniciantes e não precisou nem um par de anos para superar alguns veteranos e soldados experientes. Era pessoalmente dedicado a mostrar à ordem que era um erro não o aceitar como acólito.

Após quatro anos de grande dedicação, o filho de Hamza fora promovido a segundo tenente. Foi movido para a guarda norte que é responsável pelas fazendas próximas. Essa região está precisando há algum tempo de reforços, os últimos roubos tem irritado o prefeito e o capitão que eram constantemente cobrados há quase um mês.

Na segunda semana, estava patrulhando com dois antigos acólitos durante uma noite de lua cheia.

– Tenente, você tem alguma história do seu pai? Alguma operação secreta pela ordem? As histórias dele são incríveis! – perguntou Juan.

– Não, meus pais nunca falam das façanhas deles. Sempre perguntei,mas  diziam que iria me assustar ou aos meus irmãos – justificou Augustus.

– Não acredito! Pensei que conheceríamos todas as histórias dele quando soubemos que você viria para cá – falou com decepção Tiago que tinha quase a mesma idade de Augustus.

– Que tal contar alguma história enquanto fazemos a patrulha? – sugeriu curioso o jovem tenente. 

Juan pensou um pouco, lembrou de uma boa história que seu mestre tinha dito .

– Certa vez seu pai saiu para investigar desaparecimentos estranhos em uma pequena aldeia no nordeste do reino. Meu mestre foi com ele, Eduardo mão de fogo, além de Jonas e Claudius. Levaram quase dois dias para chegar nesse lugar remoto. Meu mestre sempre dizia que as moças da aldeia eram muito atenciosas. Ele voltou para lá algumas vezes pelo que sei. O ancião do lugar falou que várias pessoas vinham sumindo nos últimos meses e estavam muito felizes pela ordem ter atendido o pedido deles – Juan molhou a garganta e continuou.

– Eles ouviram os relatos das pessoas, parecia obra de vampiros. Discutiram bastante sobre o assunto, pois vampiros apareciam raramente. Preparam uma armadilha, duas senhoras que perderam seus filhos resolveram ajudar caminhando sozinhas pelo meio da floresta, enquanto que os quatro paladinos prepararam o ataque. Andaram em dupla, mas um vampiro apareceu, zombou e rapidamente nocauteou Jonas, Claudius lutou e evitou diversos ataques. Meu mestre correu para ajudar, mas seu pai não foi enganado, jogou um adaga energizada na direção oposta e acertou em cheio o peito de um vampiro que caiu no chão em agonia – outro gole – agora vem a melhor parte.

– Um vampiro tem quase a força de um homem e meio, uma vampiresa em frenesi que acabara de perder o companheiro, era bem pior. Jogou Claudius para cima de uma árvore, quebrou o braço do meu mestre. E queria acabar com seu pai. Ele fez a aura da leveza, e conseguiu com sabedoria desviar de todos ataques da criatura. Meu mestre dizia que cada golpe fazia um grande barulho, mal acreditava que seu pai pudesse escapar. No fim, a vampiresa ficou esgotada, e seu pai acabou com o sofrimento dela – concluiu Juan sorrindo.

– Dizem que os moradores fizeram estátuas dos heróis que salvaram eles dos vampiros – completou Tiago.

– Incrível, nunca me contou sobre isso. Normalmente, tinha papo sobre honra, dignidade, foco, determinação, a luz contra a escuridão. Ser sempre vigilante – relatou melancolicamente.

– Certo. Ham… Tem uma outra, essa também é memorável. Certa vez, seu pai foi convocado a comparecer em uma vila remota no sul. Estavam com ele, a paladina escarlate Anna e um acólito. Próximo da vila, perceberam a desgraça que tinha acontecido, o local fora tomado por alguns esqueletos, alguns moradores mortos, outros presos dentro das próprias casas. Enviaram o acólito de volta para conseguir apoio e foram salvar o máximo de moradores. Tiveram uma recepção única, os esqueletos não atacaram e foram liberados para chegar a entrada do local, onde estavam…

– Os caçadores e os xamãs seguem os mesmos guias ou divindades, são os únicos que podem ser atraídos ativamente por uma entidade obscura, sabiam? – explicou Juan interrompendo a história de Tiago.

– Continuando. Caminharam pelo local, notaram que a vila tinha sofrido bastante, alguns corpos estavam pelo caminho. No centro da vila, duas figuras emanando energia sombria tinham o ancião sob sua custódia. Eles se apresentaram como seguidores do velho lich. Eram conhecidos como o caçador sombrio e o possuído. Esse caçador era um antigo protetor que fora corrompido virando as costas para a irmandade…

– Já o possuído era um antigo xamã. Foi enganado pelo lich, terminou controlado pelo espírito do pupilo do lich – explicou Juan interrompendo mais uma vez a história.

– Se precisar de sua ajuda, eu pergunto, tudo bem? Continuando… Seu pai e Anna lutaram com tudo, os dois eram muito fortes. O caçador os mantinham encurralados enquanto que bestas selvagens e espíritos malignos os perseguiam pela vila. Em um determinado momento seu pai lançou a Castigo Divino! E…

– Você está falando da adaga? – perguntou Augustus.

– Sim, foco, por favor, seu pai acertou o possuído em cheio. O xamã finalmente foi libertado enquanto que o pupilo pode encontrar o mestre no inferno. Os esqueletos começaram a desmontar, e os espíritos malignos sumiram dali. Anna tomou a iniciativa de encarar o caçador enquanto que seu pai encarou as bestas sinistras. Quando se livrou das criaturas encontrou Anna semi-morta perfurada por diversas flechas. O desgraçado não teve chance, seu pai acelerou, foi alvejado duas vezes, mas transpassou o maldito com a sua espada….

– E arrancou a cabeça dele! – concluiu Juan irritando Tiago.

– Meu pai falou algumas vezes dessa paladina, sempre dizia que ela era muito talentosa – lembrou Augustus.

Então avistaram um grupo estranho em cima de uma pequena colina, correram em direção, pois viram pessoas no chão. Inicialmente, Juan e Tiago achavam que eram três, mas a intuição de Augustus estava no máximo algo estava errado ali. Quatro esqueletos armados estavam sobre os corpos.

As criaturas “encararam” eles, mas não atacaram. Usavam trapos que lembravam antigos guardas da cidade. Eram perigosas, mas a figura sinistra em cima de uma árvore próxima deixava Augustus preocupado.

– Esses ladrões não são mais motivo para preocupação, já resolvi isso. Eu sou sua maior preocupação agora – disse a figura estranha.

– Eu, Martim Fernandes, serei seu algoz – disse a figura toda sorridente.

– Você é o filho do maldito Hamza, correto? – disse apontando para Augustus.

– Você o conhece Augustus? – perguntou Juan.

– Foi expulso da ordem pelo meu pai há muitos anos por traição, acho que foi isso – tentou lembrar Augustus.

– Agora, faço parte de algo bem maior. Porém quero acertar as contas, não vou esquecer a humilhação que passei… – dizia isso com um sorriso no rosto.

– E é mais fácil acabar com um simples guarda do que encarar alguém realmente poderoso, não é? – Augustus zombou do inimigo fazendo desaparecer o sorriso dele.

– Muito bem, lacaios acabem com eles. O filho do desgraçado é todo meu – ordenou o corrompido.

Um par de cada criatura atacou Juan e Tiago separando os dois de Augustus que ficou encarando o sombrio adversário. Surpreendentemente, Augustus retirou de uma pequena bolsa algo que jogou na direção de Juan. As criaturas imediatamente se despedaçaram, os ossos já não conseguiam mais se conectar, Juan se aproximou dizendo que conseguiriam acabar com o estranho, mas Augustus pediu que fosse ajudar Tiago, ele achou que Juan poderia acabar morto e Tiago realmente iria precisar de um apoio contra dois esqueletos.

– É melhor ajudar Tiago, deixe ele comigo – orientou Augustus.

Juan concordou balançando a cabeça e foi na direção do amigo sem tirar os olhos do inimigo que fazia uma cara nada amigável.

– Voltando aos negócios. Vejo que essa espada tem uma aura especial. Presente do papai ou da mamãe? – disse o corrompido apontando para a arma de Augustus.

– Preocupado? Você só fala, que tal mostrar um pouco das sua habilidades? – desafiou Augustus.

O corrompido deixou o braço esticado na direção de Tiago e Juan com palma da aberta e fez um disparo de energia verde acertando os dois juntos com os esqueletos. Os dois foram ao chão e uma fumaça verde envolveu a todos. Eles saíram com uma tosse incontrolável e lutando contra os esqueletos.

– Que tal garoto…. – o sorriso do inimigo nem apareceu, pois Augustus estava fazendo uma investida.

Martim conseguiu sacar a espada e defender uma parte do golpe, mas suas costelas foram acertadas. Augustus recuou para evitar um contra golpe da espada e um toque maligno, a mão do inimigo piscou em vermelho. Martim aproveitou o movimento e fez um disparo púrpura contra todos os quatro. Os esqueletos se desmantelaram, Tiago e Juan caíram no chão em agonia. Augustus percebeu dois fios púrpuras ligando o inimigo aos dois soldados, Martim preparou um disparo de energia negra, Augustus partiu em frente sem se importar.

– Seu tolo! É o seu fim! – riu o inimigo com os olhos brancos.

O disparo foi em cheio, mas a energia desviou de Augustus acertando o chão perto do jovem tenente. O anel no seu dedo brilhou como fogo, e Augustus aplicou um ataque lateral que foi defendido pelo maligno com muita dificuldade. Em seguida, uma cabeçada fez aparecer um rio de sangue no rosto de Martim. Um soco no estômago e uma joelhada acabaram fazendo Martim cair de joelhos. Augustus rapidamente sacou sua adaga e acabou com o corrompido, junto com a agonia de Tiago e Luan.

Os dois estavam melhor e espantados, viram algo surreal, o corrompido era extremamente forte. Provavelmente, os dois terminariam mortos contra ele, mas o jovem tenente lutou no mesmo nível. Uma ótima história para noite de patrulhas, isso sim.

(Próximo conto)

Agradecimentos ao fiel revisor, Adriano Schramm.

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