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Coração Negro – um conto do Reino de Dreen

por em 04/12/2019 em Entretenimento | Nenhum comentário

Coração Negro – um conto do Reino de Dreen

(conto anterior)

Dois anos mais velho, mas ainda bem jovem, Hamza virou um respeitado membro da ordem. Agora, Olivia estava entre as sacerdotisas, além de muito habilidosa com as magias de proteção, nunca deixou enferrujar sua habilidade com o sabre. A opção por usá-lo incomodava boa parte dos sacerdotes, mas ela insistiu em continuar usando-o e praticando.

Finalmente, os dois estavam juntos. Olivia sempre teve um brilho nos olhos por Hamza, que precisou de mais tempo para compreender seus sentimentos. August não estava mais tão próximo aos dois, pertencia a outra unidade de clérigos e mantinha grande estima ao seu velho mestre, mas a radicalização e o isolamento de Donovan resultaram no distanciamento dos dois. Devotado aos estudos da purificação pela arte do fogo, o velho clérigo formou uma nova estrutura na ordem, os Flamejantes. Acabou adicionando laranja as tradicionais cores da ordem, o que irritou profundamente o conselho dos sábios. Agora, tem apenas um jovem aprendiz chamado Douglas.

Desta vez, o antigo esquadrão de Donovan foi enviado para o Norte, a fim de verificar problemas com orcs. O lugar era isolado. A rica cidade de Coração Negro ficava no meio de uma cadeia de montanhas, construída dentro de um vale por pessoas que queriam fazer negócios com as cidades bárbaras do deserto a leste. Uma grande cidade independente protegida por muros de pedras negras extraídas das montanhas, raramente pediam por ajuda, mas pagavam muito bem por ela. A companhia de Donovan chegou com quase dois meses de uma viagem que exigiu a participação de seus antigos alunos, que provavelmente ficarão presos na cidade por causa da tempestade que está prestes a cair.

August e alguns clérigos ficaram responsáveis por patrulhar e garantir a segurança da cidade. Olivia procurou ajudar as pessoas machucadas pelos ataques anteriores. Donovan e Hamza estavam investigando os ataques cada um à sua maneira. As pessoas ficaram felizes com a chegada dos estrangeiros. As vilas menores em volta de Coração Negro vinham sendo atacadas há cinco meses e os orcs sombrios já tinham assaltado a cidade principal duas vezes. Esse tipo de orc é bem raro, mas seus ataques são sempre brutais.

Depois de algumas horas, já teriam uma amostra da força deles, pois a guarda marchou muito rápido para o Norte, após serem avisados sobre um grande número de orcs que estavam tentando atacar novamente as fazendas daquela região. Ninguém tinha visto Hamza desde a chegada, o jovem iniciou uma busca no centro da cidade, e não havia sinal dele. Então dois guardas bem cansados apareceram buscando por ajuda. Eles viram um outro grupo de orcs que estava pronto para atacar ao sul. Um pequeno grupo de guardas já tinha marchado para o local para evitar uma carnificina.

Horas antes, uma energia sombria foi percebida perto do centro da cidade por Donovan, Olivia e outros membros da companhia, assim, um grupo com Hamza foi enviado para investigar isso precisando de poucas horas para localizar uma entrada escondida. Pensavam que poderia ser algo perigoso, orcs poderiam usar o local para facilmente entrar na cidade. Usaram algumas tochas para iluminar o lugar, as paredes eram cinzentas e não pareciam ser escavadas, talvez uma formação natural. Desceram com cautela até uma grande área, onde algumas frestas no teto e nas paredes permitiam uma iluminação natural. O local ainda dava acesso a outras passagens, a fonte daquela energia parecia estar em todo o lugar, e uma neblina estranha e densa cobria os joelhos deles.

A energia começou a se reunir ali, a névoa começou a dissipar revelando formas no chão que estavam próximas das beiradas. O local era limitado por alguma espécie de fosso para onde a névoa parecia ter ido, talvez um homem conseguisse cair ali. Havia pés de estátuas, talvez o restante da escultura tivesse caído dentro daquele fosso. Vários esqueletos estavam ali, cada ossada tinha algum tipo de arma. De repente, começaram a mexer, ficaram em pé emitindo uma estranha energia amarela de suas órbitas.

O grupo ficou em formação defensiva no centro acabando encurralado. Antes que os esqueléticos guardiões atacassem, Jonas soltou um urro, uma energia quente saiu dele fazendo o resto da névoa desaparecer revelando que Hamza estava em cima da uma estrutura retangular feita em pedra ornamentada com alguns metais. As criaturas deram um passo para trás, e uma delas se desmanchou, mas isso não impediu o ataque logo em seguida. Três criaturas enfrentaram Hamza, mas foram facilmente destruídas com a ajuda de Claudius. Os reanimados eram destruídos ou incapacitados um a um. Davam trabalho, mas não pareciam ser páreos para o grupo. Claudius derrubou o último deles fazendo ossos e fragmentos voarem em várias direções.

Em seguida, uma flecha zuniu acertando o peito de Claudius, o clérigo ficou ajoelhado, mas logo foi protegido pelos escudos dos companheiros. Da maior abertura central, um grupo de orcs cinzentos descia, eram nove bem armados, porém um ficou em prontidão com uma pequena besta feita de ossos.

– Vocês… – começou a dizer o orc mais velho que usava proteções de couro de algum tipo de felino com uma estranha jóia presa ao peito. – Vocês atrasaram nosso banquete, mas nós vamos arrasar com esse cidade – dizia isso caminhando em direção ao grupo.

Os orcs gritavam e zombavam deles, dessa vez não iriam permitir que fossem cercados, enquanto que outra flecha acertava os escudos. Uma pequena adaga energizada disparou de trás deles, e acertou o peito do besteiro jogando-o contra parede. O inimigo não se movia, e isso surpreendeu tanto aliados quanto inimigos. Hamza tentou ficar apoiado por um dos joelhos, parecia exausto.

– Relaxa, garoto, deixa o resto conosco – disse Claudius cortando a flecha e segurando sua maça de aço.

Os orcs atacaram, mas foram parados pelos escudos e perfurados. Claudius ainda conseguira matar um deles com um forte golpe na cabeça. Os orcs rapidamente abriram espaço para o líder. Quem tinha sensibilidade a magia sombria veria uma pequena aura vermelha piscando em torno do orc que acertou um poderoso golpe com seu martelo contra um dos escudos quebrando o braço de um dos paladinos, o escudo ficou todo retorcido, tão forte foi o golpe que fez William cair por cima de Claudius, derrubando os dois. Só escaparam da morte porque Jonas não permitiu que o líder continuasse o ataque. Hamza ergueu Claudius enquanto que os seis orcs restantes tentavam atacar Jonas e Marcus.

O líder encarava os dois. Enquanto Jonas e Marcus lutavam, Hamza iniciou o ataque, mas foi atrapalhado por Claudius, que assumiu a dianteira. O clérigo não conseguiu desferir um golpe, pois o orc líder aumentou o espaço entre eles tentando permitir que Hamza o atacasse, um orc caiu morto por Jonas. Hamza tentou um ataque, mas não foi um golpe rápido, assim o líder segurou seu pulso e o jogou contra Jonas e Marcus. Claudius tentou desferir um golpe circular que raspou a proteção do inimigo, que riu. Hamza não conseguiu voltar, pois fora bloqueado por outro orc, mas Marcus conseguiu derrubar mais um. A luta era incrível, a maça e o martelo não conseguiam encontrar o corpo dos alvos, tamanha era a agilidade dos dois. Então o líder percebeu algo, deu um pulo para trás e ordenou uma retirada enquanto mais um orc caía pelo golpe de Jonas.

O ardiloso orc jogou algum tipo de poção no chão e uma grande nuvem tomou o lugar permitindo a fuga dos orcs.

– Nós vamos persegui-los, Claudius? – perguntou Hamza apostando que tinham retornado por onde tinham vindo.

– Não, garoto. Olhe o nosso estado, farei um círculo de cura e vamos voltar, precisamos informar aos outros – determinou o experiente clérigo.

Mas a ideia de Claudius não aconteceria, quando começou o círculo, um dos orcs mortos segurou seu tornozelo…

Na superfície, o cenário era caótico, o ataque no norte fora massacrado por Donovan e os Flamejantes, porém o ataque ao sul contava com o triplo de inimigos. A guarda destacada para o local não conseguiu fazer frente e acabou dizimada junto com alguns pobres cidadãos. O grupo de apoio que August participava encarou a ofensiva orc por quase uma hora. Conseguiram segurar o inimigo até a chegada de Donovan, mas uma notícia fez a ofensiva recuar. Donovan ordenou que fossem perseguidos e caçados, mas o restante dos líderes temiam por mais membros mortos e cancelou a ordem irritando Donovan profundamente.

Depois de quase uma hora, o grupo de Hamza reapareceu encontrando as sacerdotisas socorrendo dezenas de machucados. William tinha seu braço imobilizado e Claudius era carregado por Marcus e Jonas. Por último, vinha Hamza completamente esgotado. Quando encontrou Olivia, ficou no chão junto a ela. Outra sacerdotisa tratou os ferimentos de Claudius a pedidos de William.

– Um grande número de orcs atacou o sul da cidade, são dezenas de mortos – falava enquanto observava onde começaria a tratar o jovem. – Os guardas da cidade se sacrificaram para dar tempo da nossa ajuda chegar – ela falou com a voz ainda mais triste. – August e alguns clérigos chegaram primeiro para ajudar os guardas… – ela continuou, fazendo uma pequena pausa.

– E então? O aconteceu? – indagou Hamza.

– Isso aconteceu, meu jovem! – Donovan com os olhos em chamas apareceu carregando o corpo de seu antigo aprendiz com a ajuda de Douglas.

– Se vocês me ouvissem, eu não estaria tendo esse desprazer novamente. O mal não é tratável, nem contornável. Ele tem que ser exterminado de forma implacável – falou isso sem tirar os olhos de Hamza.

– Espero que você aprenda com isso, rapaz. Você vai comigo comunicar a família dele – ordenou o velho mestre continuando o seu caminho.

– Eu… – Hamza tentou se levantar.

– Não! Agora não! Eu vou cuidar de você! – Olivia empurrou o paladino para o chão usando alguma força mágica.

Então Hamza notou algo. Junto com o corpo de August, o velho mestre carregava algo enrolado em seu punho esquerdo. Era a estranha jóia que o líder orc usava.

(Próximo conto)

Meus sinceros agradecimentos aos meu revisores. Obrigado por todo o apoio!

Adriano Schramm e Marcelo Guaxinim

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