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Games no Lab: Alienígenas metamorfos, novas habilidades, ativando neurônios com luz e “I Know Kung Fu”

por em 16/04/2020 em Ciência, Games | Nenhum comentário

Games no Lab: Alienígenas metamorfos, novas habilidades, ativando neurônios com luz e “I Know Kung Fu”

Muitos conhecem a longa história de desenvolvimento de Duke Nukem Forever, sequência de Duke Nukem 3D, que demorou 14 anos para ser finalmente lançada. Porém em paralelo a isso, a 3D Realms desenvolvia Prey, um FPS onde você controlaria Domasi “Tommy” Tawodi, um descendente dos índios Cherokee que acaba envolvido em uma invasão alienígena. Prey saiu em 2006 e teve uma boa recepção, o que garantiu o anuncio de uma sequência. No entanto a sequência só ficou nisso mesmo, no anuncio, já que, depois de passar pelas mãos de diversas desenvolvedoras, ela foi cancelada em 2014. Mas em 2016 a Bethesda, agora com os direitos da franquia, anunciou um reboot que estava sendo feito pela Arkane Studios, um estúdio interno da Bethesda.

Assim, em maio de 2017 foi lançado um novo Prey, que, apesar do nome, pouca relação tinha com o antecessor. Controlando Morgan Yu, acompanhamos seu primeiro dia de trabalho na estação espacial Talos I. Estação esta que estuda uma forma de vida alienígena que pode se disfarçar em qualquer objeto inanimado e possui certos poderes psíquicos.

Entretanto, um acidente acontece e as espécimes fogem. Então cabe a Morgan resolver toda essa bagunça contando com a ajuda dos Neuromods. Os Neuromods são a grande diferença no game, já que são dispositivos que permitem ao usuário aprender novas habilidades sem ter que fazer nenhum treinamento, apenas “reconfigurando” o cérebro. Portanto, pegue seu coach favorito e vamos mudar nosso mindset para enfrentarmos os alienígenas de Prey, porque hoje veremos se os Neuromods poderiam existir.

Antes de tudo pessoal, não, de jeito nenhum falaremos sobre coach aqui, foi só uma piada, aqui tratamos de ciência. Beleza? Seguindo então…

Prey de 2017 se passa em uma realidade alternativa onde o presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy sobrevive ao assassinato em 1963, com isso direciona mais recursos para o programa espacial, acelerando a corrida espacial. No meio dessa corrida, é encontrada uma forma de vida alienígena chamada Typhon no satélite Sputnik 1, resultando em uma parceria entre os EUA e a União Soviética, com o objetivo de capturar o alienígena e estuda-lo na recém construída estação espacial Kefla. Anos depois a estação espacial é comprada pela megacorporação TranStar sendo atualizada em 2030 e recebendo o nome de Talos I, um laboratório de pesquisa voltado para o estudo dos Thyphon e da neurociência. E como já tido anteriormente, é nesse cenário que o ou a protagonista (podemos escolher o sexo do personagem) irá embarcar.

O game nos dá liberdade para escolher o sexo do personagem

Durante a jogatina, assim como em vários outros games, o jogador vai ganhando pontos que pode gastar em uma árvore de habilidades, porém a diferença aqui em Prey é que o aprendizado de tais habilidade é justificado por algo plausível. As habilidades são aprendidas através dos Neuromods.

Neuromods, abreviação para Modificador Neural, são dispositivos que alteram a estrutura do cérebro do usuário com base em um modelo digitalizado de alguém que possuía a habilidade adquirida. Por exemplo, com base no modelo digitalizado do cérebro de alguém que tocava piano, o usuário de tal Neuromod, passa a tocar piado como se sempre soubesse fazer isso.

Um nova habilidade a “apenas” duas grandes agulhas direto no seu nervo óptico!

O dispositivo consiste em uma pistola com duas longas agulhas que devem ser posicionadas no centro do globo ocular, fazendo isso o Neuromod cria um mapa do cérebro do usuário e compara com a versão digitalizada para a habilidade escolhida. Extrapolando as diferenças, um soro é injetado direto no nervo ótico e chega ao cérebro formando novas conexões entre os neurônios. Por mais bizarro que pareça o dispositivo, ele tem inspiração em algo real, um novo ramo da medicina que vem se mostrando muito promissor nos últimos anos, a Optogenética.

A optogenética é uma técnica na qual luz é utilizada para ativar ou desativar neurônios. Basicamente são utilizados vírus que adicionam genes sensíveis a luz aos neurônios alvos, com isso, quando certo neurônio recebe luz, ele pode ser “ligado” ou “desligado”. Isso está intimamente ligado ao funcionamento dos neurônios, que, de maneira bem simples, podem ser comparados a um serviço telefônico servindo ao sistema nervoso. Toda vez que aprendemos alguma nova habilidade, isso fico registrado no nosso cérebro através de uma série de neurônios se comunicando. Quando voltamos a realizar essa habilidade, a mesma série de neurônios irá se comunicar. Então de certo modo, se pudéssemos identificar essa série de neurônios se comunicando e replica-la no cérebro de outra pessoa, tecnicamente a outra pessoa poderia “aprender” essa habilidade sem tê-la realizado antes.

Diferente de outras técnicas, a optogenética consegue ser seletiva na ativação dos neurônios

Aí é que entra a ativação dos neurônios através da optogenética, funcionando como um Neuromod, mas menos invasivo. Claro que a coisa toda não é tão simples assim, o próprio sistema de armazenamento de memórias no cérebro ainda não é compreendido totalmente. No entanto, o real objetivo da optognética não é fazer com que todos aprendam novas habilidades sem treino algum e sim o tratamento de doenças neurológicas como mal de Parkinson, epilepsia, depressão, distúrbios obsessivos-compulsivos entre outros, e nisso a “técnica” está indo muito bem.

Eu disse menos invasivo? Bem, mais ou menos…

Porém os testes ainda estão sendo realizados apenas com macacos, nada de seres humano por enquanto, até porque, quando chegar nesse nível, teremos que enfrentar todos os dilemas éticos da coisa, assim como é mostrado no game também. Até que ponto podemos modificar as memórias de uma pessoa e ela ainda ser ela mesma? O que nos torna únicos não são as experiências que vivemos? Será que experiências/memórias que não vivemos realmente podem ser consideradas como verdadeiras? Ou será que vivemos todos na Matrix? Se está no Facebook então é verdade?

Morgan começa a sentir os efeitos do uso exagerado de Neuromods ou apenas esta lendo fake news demais

E chegamos ao fim de mais um texto pessoal. Prey, tanto o de 2006 quanto o de 2017, é altamente recomendável, cada um com suas qualidades. Essa é uma franquia de vem surpreendendo, sendo o de 2017 considerado um dos melhores games do ano. Se você curte um FPS com pitadas de terror e altas doses de Sci-Fi, jogue já.

Mais uma vez, correções e sugestões são sempre bem-vindas. Também deixe aí nos comentários se você já jogou algum dos dois games ou se ficou interessado. Fora isso, se isolem, lavem as mãos e até a próxima.

Fontes: Prey Wiki, Reddit, Word of The Nerd, Wikipedia e Terra

 

Nota da Editora:

Aproveito para lembrar a todos da #desafioredatoresdeviante, pelo twitter ou pelo e-mail [email protected], para enviar perguntas para os redatores do Portal responderem!

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