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DNA: a mais antiga nova forma de armazenar dados

por em 08/03/2016 em Ciência | 2 comentários

DNA: a mais antiga nova forma de armazenar dados

Um bioengenheiro e um geneticista, da universidade de Harvard, conseguiram armazenar cerca de 700 Terabytes de dados em apenas um grama de DNA.

700 terabytes de dados, o que equivale a 14.000 discos blu-ray de 50GB, em uma gota de DNA que caberia na ponta do seu dedinho. Para armazenar o mesmo em discos rígidos, seriam necessários 233 HDs de 3TB cada, pesando cerca de 150 quilos!

Como isso é possível? A ideia é bem simples. Em vez de gravar cada 0 e 1 como regiões magnéticas em um disco rígido, podemos utilizar as bases que compõem o código genético (A,T,C,G). Usando cada base como um sinal binário (A e C = 0, T e G = 1), ou até cada base como dois bits (A=00, C=01, T=10, G=11), podemos codificar os dados nesse formato, e em seguida fabricar essa sequência de DNA em laboratório.

Para ler os dados armazenados em fitas de DNA, seria preciso apenas sequenciá-lo, como já é feito para análises genéticas, e em seguida converter novamente para o formato binário. Para agilizar a leitura no início de cada fita é colocado um “endereço” de 19 bases, assim, muitas fitas podem ser sequenciadas paralelamente e depois lidas em ordem.

Processo de codificação de código binário para DNA e vice-versa.

Processo de codificação de código binário para DNA e vice-versa.

Faz tempo que cientistas têm considerado o DNA como possível meio de armazenamento, por vários motivos. Dentre os principais, estão sua densidade de informações – podemos armazenar um bit por base e cada base consiste em apenas alguns átomos -; e sua estabilidade – enquanto alguns dos mais avançados meios de armazenamento precisam ser mantidos em vácuos e temperaturas baixíssimas, um fio de DNA pode sobreviver por centenas de milhares de anos em uma caixa na sua garagem.

Afinal, o código genético não é justamente isso? A forma de armazenar informações que a natureza encontrou, há bilhões de anos. Tudo o que cada um de nós, seres vivos, é, cada detalhe do nosso funcionamento está programado nessas “letras”. E agora que a síntese de DNA se tornou viável, podemos finalmente utilizar dessa capacidade para nossos próprios dados.

Hoje em dia, é apenas uma fantasia cobrir a Terra de câmeras, sensores, microfones, e gravar tudo o que acontece, 24h por dia, para as gerações futuras. Mas sabemos que simplesmente não temos a capacidade de armazenamento para tantos dados. Porém, com esse método, seria possível ter todos os livros ou vídeos de gatinhos já publicados em apenas algumas centenas de quilos de DNA.

Você nunca mais vai precisar nos deletar.

Você nunca mais vai precisar nos deletar.

A leitura e síntese de DNA ainda são processos que podem levar algumas horas, assim, por enquanto, essa tecnologia seria interessante apenas para dados que precisem ser armazenados por muito tempo, e sem necessidade de leitura constante. Mas com o avanço da tecnologia de sequenciamento, isso pode ser bem mais rápido em breve.

Fonte: Extreme Tech

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