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Tetrodotoxina, golfinhos e a realidade

por em 06/04/2022 | Nenhum comentário

Tetrodotoxina, golfinhos e a realidade

A realidade é triste, ou melhor, frustrante. Sim, meu caro leitor, eu sei que você pode ser um pessimista ou um otimista, mas a realidade é implacável. Temos sempre aquele viés de acreditar que depois de uma sequência de ocasiões ou acontecimentos ruins, inevitavelmente teremos uma coisa boa, uma espécie de “depois da tempestade, sempre vem a bonança”, como se alguém em algum momento da nossa existência vivente tivesse prometido isso. A verdade mesmo é que as coisas podem continuar dando errado e não há nada que possamos fazer que influencie nesse processo. Mas acreditar que há uma luz no fim deste túnel, talvez seja o que chamamos de “esperança”, que é um sentimento fundamental para nós humanos suportarmos esse processo longo e doloroso chamado de vida.

Muitas vezes a vida é desagradável conosco, faz parte do jogo. Entretanto, lidar com esse desagrado pode ser opcional se temos ferramentas que nos tirem da vivência por algum tempo, enquanto tentamos buscar dentro de nós mesmos as respostas que precisamos. Uma dessas ferramentas são as drogas. Como é apresentado por Sigmund Freud em seu livro “O mal-estar na cultura”:

a vida, tal qual nos é imposta, é muito árdua para nós, nos traz muitas dores, desilusões e tarefas insolúveis. Para suportá-la não podemos prescindir de lenitivos [que podem ser] distrações poderosas que nos façam desdenhar de nossa miséria, satisfações substitutivas que a amenizem e entorpecentes que nos tornem insensíveis a ela.

Mas julgar as drogas como apenas uma passagem para outro local em que os problemas não chegam é uma falácia. As drogas também podem trazer prazer e conexão interior, afinal, se levarmos a definição clássica de que drogas são substâncias que alteram um estado basal de um organismo, quantos não conhecem pessoas que “funcionam” apenas sob efeito de café ou outros estimulantes?  O estigma cultura carregado pela palavra “droga” precisa ser debatido, pois existem recortes sociais profundos que surgem deste tipo de debate que há muito tempo necessitam de exposição frente à sociedade.

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Talassemia e um registro histórico daqueles que deixaram de importar

por em 03/09/2021 | Nenhum comentário

Talassemia e um registro histórico daqueles que deixaram de importar

Recentemente fui realizar uma ação social dentro de uma casa de idosos. Para localizar melhor você, meu amigo leitor, sou afiliado de uma Organização Não-Governamental (as famosas ONG’s) que se chama Médicos do Mundo, mais especificamente dentro de um núcleo de ação que se chama “Laboratório de Rua”, onde eu e outros amigos biomédicos realizamos testes rápidos para rastreio de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

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Como o remédio mais caro do mundo coloca Adam Smith, Peter Singer e Theodore Friedmann pra cair na porrada

por em 10/06/2021 | Nenhum comentário

Como o remédio mais caro do mundo coloca Adam Smith, Peter Singer e Theodore Friedmann pra cair na porrada

Eu tenho um problema muito grande em ser da Geração Z. Para quem não sabe, a Geração Z são pessoas que atualmente tem entre 11 e 25 anos (nascidos de 1995 a 2010) e que tem como característica serem umbilicalmente conectados1 com a maravilha tecnológica idealizada por Tim Berners-Lee na década de 1990 que é a Rede Mundial de Computadores, ou World Wide Web, ou nossa querida Internet. Também somos conhecidos como nativos digitais, pois, diferentemente da geração anterior a nossa (Geração Y ou Millennials, nascidos de 1980 a 1994), não tivemos que passar por um processo de adaptação e aprendizado quanto a ambientes digitais. Você pode perceber isso quando observa que, por você saber baixar uns torrents no PirateBay e passar o dia inteiro no celular, sua mãe acha que você pode hackear a senha do WiFi do vizinho. A experiência pessoal que adquiri durante a vida fazendo parte dessa geração que agora entra de vez na famigerada “vida adulta” é extremamente ambígua. Entretanto, certas coisas trazem um sentimento de tiozão do pavê em meu coração. Desde o advento das redes sociais em larga escala aqui no Brasil, sempre fui muito participante dos movimentos de conectividade digital, participando de muitas redes.

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Quando foi seu último banho de chuva?

por em 26/03/2021 | Nenhum comentário

Quando foi seu último banho de chuva?

Recentemente recebi uma prima de Brasília aqui em casa. Era a primeira vez dela em São Paulo e como um bom anfitrião paulista, combinei com minha namorada de levarmos ela para conhecer alguns pontos turísticos da capital, pelo menos aqueles possíveis de ir em meio a pandemia atual. Fomos ao Viaduto do Chá, à Avenida Paulista e Largo de São Bento. Depois desse passeio, quando voltamos pra casa, a terra da garoa resolveu fazer uma surpresa. Caiu um toró descomunal e ficamos encharcados. Após chegarmos em casa e nos secarmos, conversei com minha prometida e perguntei para ela: quando foi a última vez que você tomou um banho de chuva?

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Glândulas de Bartholin e o preço da dignidade na indústria pornográfica

por em 21/12/2020 | Nenhum comentário

Glândulas de Bartholin e o preço da dignidade na indústria pornográfica

Sexo vende. E como vende. Vende muito. Muito mesmo. Nunca vou esquecer-me de quando escutei essa frase em algum episódio de “Todo Mundo Odeia o Chris”, provavelmente naquele episódio com a revista PlayBoy. A IstoÉ Dinheiro publicou um artigo em 2013 em que consta que a indústria de filmes pornográficos lucra cerca de 10 bilhões de dólares por ano. Em tempos de pandemia e distanciamento social, com certeza a solidão noturna de muitos, somada a um alcance praticamente ilimitado da Internet, deve ter aumentado muito a receita desses grandes conglomerados. Mais interessante que isso, só a indústria de games que movimenta mais de 100 bilhões de dólares (tirem suas próprias conclusões dessa diferença de receita).

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