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Resenha — Jumanji: Bem-vindo à Selva — este game vai tentar te matar, e você vai adorar

por em 26/12/2017 em Entretenimento | Nenhum comentário

Resenha — Jumanji: Bem-vindo à Selva — este game vai tentar te matar, e você vai adorar

Jumanji (1995) foi uma aventura acima de tudo descompromissada. O filme original, baseado num livro e dirigido por Joe Johnston (Rocketeer, Capitão América: O Primeiro Vingador), foi um sucesso de público, graças principalmente à atuação genial de Robin Williams como o protagonista. Ele era um homem que ficou 26 anos preso dentro de um jogo de tabuleiro e ao sair precisava, a todo custo, finalizar a partida, não importando que perigos da selva surgissem a cada rolar de dados. Era leve, divertido e isso bastava.

Por isso muita gente ficou preocupada com o anúncio de que fariam uma sequência, mas no fim das contas Jumanji: Bem-vindo à Selva tanto respeita o legado como caminha com as próprias pernas, contando uma história original e bem divertida.

“Choose Your Character”

A história começa em 1996, exatamente onde o primeiro filme parou: outra pessoa encontra o famigerado jogo numa praia. Entretanto, o desinteresse completo de seu novo “dono”, que prefere seu PlayStation a jogos de tabuleiro, faz com que Jumanji se transforme por conta própria em um videogame, de modo a atrair mais vítimas nesse mundo moderno.

O filme, então, dá um salto de 20 anos e apresenta os protagonistas: Spencer (Alex Wolff, do, inédito no Brasil, Meu Amigo Dahmer) é o nerd que ama videogames, Fridge (Ser’Darius Blain, de Além da Escuridão: Star Trek) é o típico jogador de futebol americano que faz sucesso com as garotas, Bethany (Madison Iseman, de Esquadrão Fantasma) é a patricinha fútil clássica que só pensa em garotos e em postar fotos maneiras no Instagram e Martha (Morgan Turner, de Sem Fôlego) é a garota estranha que não se enturma com ninguém. Esses quatro acabam, por uma sucessão de eventos, reunidos na detenção da escola em que estudam. Sim, o plot é uma revisão de O Clube dos Cinco, um dos maiores clássicos do diretor John Hugues.

As coisas degringolam quando eles encontram o videogame amaldiçoado no depósito e, ao inicia-lo, acabam sugados para dentro do jogo e assumem as formas dos avatares que escolheram: respectivamente, o intenso dr. Smolder Bravestone (Dwayne Johnson, de O Escorpião Rei e Velozes e Furiosos 8), o auxiliar e carregador de bugigangas Moose Finbar (Kevin Hart, de Pets – A Vida Secreta dos Bichos), o cartógrafo dr. Shelly Oberon (Jack Black, de Escola do Rock e King Kong) e a “matadora de homens” Ruby Roundhouse (Karen Gillian, de Dr. Who e Guardiões da Galáxia).

A partir daí o grupo, que posteriormente se une ao dono original do jogo que está nele há mais tempo como o 5º personagem (o cantor Nick Jonas, de O Trote), precisa se entender e resolver os problemas entre si para trabalharem em conjunto e vencer o jogo, ou nunca sairão de dentro dele. É desnecessário dizer que Jumanji fará de tudo para mata-los de verdade, seja com as ameaças da floresta ou na forma do vilão do jogo Van Pelt, que também foi atualizado de caçador implacável para um aventureiro amaldiçoado, interpretado desta vez por Bobby Cannavale, de Eu, Tonya. No original o papel era de Jonathan Hyde, que viva também o pai de Alan Parrish e era uma óbvia referência ao conflito que eles tinham naquele filme.

Clichê? Sim. Divertido? Sem dúvida

A mudança de locação fez bem para o filme, enquanto tirar os perigos de Jumanji e trazê-los para o mundo real outra vez seria uma repetição previsível da fórmula, a película dirigida por Jake Kasdan (Professora Sem Classe, Sex Tape: Perdido na Nuvem) faz os jogadores passarem pela mesma situação com a qual Alan Parrish teve que lidar muito tempo atrás. A floresta de Jumanji é cruel, com perigos para todos os lados mas, por se tratar de um jogo de videogame nesta encarnação, uma série de clichês do gênero foram implementados.

Há desde os NPCs (non-player characters, ou personagens não-jogáveis), que só possuem um conjunto pré-estabelecido de frases e ações e anúncios de mudança de fase até contagem de vidas, coisas típicas dos games mais antigos. As descrições de habilidades e fraquezas dos protagonistas (nunca um bolo foi tão mortal) também adicionam capacidades que os personagens não possuem fora do game, desde Martha que vira uma Lara Croft chutadora de bundas a Spencer, que, de nerd magricela, encarna um arqueólogo de quase dois metros de puro músculo.

Só que por dentro eles ainda são o que são. É divertido ver Dwayne Johnson quase chorando de desespero e aplicando golpes de Street Fighter nos inimigos ou Karen Gillian incapaz de seduzir capangas, andando toda desconjuntada, embora possa detonar qualquer um. Tudo isso ao som de Baby, I Love your Way do Big Mountain.

Mas quem definitivamente rouba a cena é Jack Black, tendo a missão de encarnar uma menina mimada e absolutamente fútil, presa dentro do corpo de um cartógrafo gordo de meia-idade. Os rompantes de frustração de Bethany, desesperada por estar sem seu celular ou deslumbrada ao descobrir as vantagens fisiológicas de ser um homem (“não esqueça de mirar”, diz Spencer) são hilários e passam longe de irritar o espectador.

Claro, por se tratar de uma aventura juvenil, Jumanji: Bem-vindo à Selva foca no conflito entre o grupo de jogadores, que inicialmente não consegue se entender e nem usar suas habilidades para sobreviver ao jogo, e inevitavelmente cai no clichê batido da aceitação das diferenças, da forja de uma amizade sólida e da superação das dificuldades graças ao trabalho em conjunto, e você já viu isso em uma cacetada de outros filmes. O roteiro de Chris McKenna, Scott Rosenberg e Jeff Pinkner não chega a ser raso, a forma como a trama é desfiada é  proposital pois tudo o que acontece se dá por causa de um jogo de tabuleiro imitando games dos anos 1990. O filme estabelece regras e as segue à risca, bem como paga tributo ao filme original para não ficar distante demais da obra que pretende suceder.

No mais, o filme faz várias críticas a estereótipos batidos no cinema, games e outras mídias, sejam os do mundo real ou os dos avatares como o protagonista invencível, a personagem feminina desnecessariamente sexualizada ou o “típico personagem negro”, tudo sempre com bom humor.

Conclusão

Jumanji: Bem-vindo à Selva não é uma sequência ao pé da letra, está mais para uma nova aventura envolvendo novas víti-ops, novos personagens, em uma situação completamente diferente a do filme original (embora haja sim uma singela homenagem a Robin Williams), ainda reforçando os clichês da amizade, trabalho em equipe e superação de diferenças em prol de um objetivo comum.

A relação entre os personagens é 100% O Clube dos Cinco mas com viés totalmente cômico, ainda que os estereótipos estejam todos lá: o nerd, a patricinha, o quarterback, a garota estranha e o desajustado, que aqui virou o metaleiro. Todos eles terão que se entender e aceitar seus defeitos e qualidades, ou não sairão vivos da armadilha do game.

No fim Jumanji: Bem-vindo à Selva é uma autêntica aventura da Sessão da Tarde, leve e descompromissada que vai arrancar gargalhadas da plateia disposta a desligar o cérebro e curtir duas horas de puro entretenimento.

Cotação Deviante: quatro de cinco ingressos.

Jumanji: Bem-vindo à Selva estreia nos cinemas brasileiros no dia 04 de janeiro de 2018. Reserve desde já o dinheiro para a pipoca.

O Deviante compareceu à cabine de imprensa de Jumanji: Bem-vindo à Selva a convite da Sony.