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Crítica | Passageiros

por em 22/12/2016 em Entretenimento | 2 comentários

Crítica | Passageiros

Pode um conto de solidão no espaço cativar o público? Claro que sim, Perdido em Marte de Ridley Scott nos provou isso em 2015. No entanto, em Passageiros temos um mau aproveitamento dessa premissa para contar uma história de amor no espaço sideral, que também tem seus (muitos) problemas.

O diretor Morten Tyldum (O Jogo da Imitação) desenvolveu o roteiro de Jon Spaihts (A Hora da Escuridão, Prometheus, Doutor Estranho) de modo a desfiar uma trama sentimental com a ficção científica como pano de fundo, mas não consegue amarrar nem uma coisa nem outra.

P.S.: pode ler sem medo, temos zero spoilers.

Uma sucessão de erros (de mais de uma espécie)

O filme aborda a evolução da espécie humana, que se expandiu pelo cosmo e colonizou diversos planetas. Como ainda não inventaram uma maneira de mandar as pessoas despertas para seus novos lares, as naves são automatizadas. Todos os humanos a bordo hibernam por décadas, até mesmo séculos até chegarem em seu novo lar.

A Avalon, que aparece no filme é fantástica. Uma cidade automática que funciona como um reloginho, realizando uma viagem de 120 anos para um novo planeta enquanto os passageiros e tripulação dormem. Isto é, até uma série de infortúnios acordarem o engenheiro mecânico Jim Preston (Chris Pratt, de Os Guardiões da Galáxia) e a jornalista Aurora Lane (Jennifer Lawrence, da franquia Jogos Vorazes, X-Men: Apocalipse e Oscar de Melhor Atriz em O Lado Bom da Vida) 90 anos antes da chegada. E não há como eles voltarem a hibernar; estão basicamente condenados a morrer durante a viagem.

O primeiro ato, que explora a solidão que Jim passa a bordo da Avalon (ele vive totalmente sozinho por um ano inteiro, acompanhado apenas dos robôs multifuncionais e de Arthur (Michael Sheen, em uma excelente atuação), um androide que trabalha como bartender e tão somente, visto que ele não possui pernas.

Preston se vê com o dilema de que o homem precisa interagir com outros para existir (a teoria aristotélica do animal social) e passa por uma série de dilemas morais até Aurora entrar em cena. Aí o fantástico dá lugar a um romance conturbado entre duas pessoas de mundos (no sentido figurado) completamente diferentes, uma garota rica e um operário de classe baixa que evolui para acontecimentos mais drásticos e perturbadores.

No entanto toda a discussão moral do segundo ato é posta de lado em prol da cascata de acontecimentos do terceiro ato, que acontecem num ritmo alucinante e acabam por mascarar todo o conflito entre os personagens. O ator Laurence Fishburne, que faz uma ponta como oficial Gus Mancuso acaba servindo como uma liga entre os dois, jogando Aurora e Jim em um redemoinho que culmina em um final absurdo, se pararmos para pensar em tudo que os personagens passaram e/ou fizeram um ao outro.

Conclusão

Passageiros possui falhas severas. A discussão moral, que é a espinha dorsal da película é colocada de lado em prol de um terceiro ato previsível e corrido, e o sentimento de Síndrome de Estocolmo paira no ar. O visual é incrível, o conceito de uma nave-arca como a Avalon é fantástico mas a história é mal desenvolvida, os conflitos são esquecidos em prol de um final bonitinho e fazem deste filme um chick flick falho e maçante, que não emociona e pode até irritar alguns.

Cotação:

2,5/5 Arthurs, de longe o único sensato dentro da Avalon e ele é um androide sem pernas (ou como ele mesmo diz, que não usa calças).

O Portal Deviante assistiu à cabine de Passageiros a convite da Sony.

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