Pages Menu
TwitterRssFacebook
Categories Menu

Precisamos falar sobre a prova: o papel das avaliações

por em 09/11/2021 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

Precisamos falar sobre a prova: o papel das avaliações

Nesse texto gostaria de convidar vocês a refletirem sobre qual é o papel das avaliações na educação. Talvez a primeira coisa que venha à mente é que as avaliações permitem saber se estudantes estão aptos a passar para o próximo nível ou não. Essa é, de fato, uma função, talvez a que mais vemos. Mas será que é só isso?

Já percebi outras funções ao ouvir alguns professores falando de suas avaliações: filtrar estudantes, forçar estas pessoas a estudar etc. Mas será que a avaliação não pode ser mais que isso? É daqui que quero partir.

Cada tipo de avaliação tem suas finalidades

Antes de mais nada é importante entender que avaliação não é a mesma coisa que prova. A prova é, sim, uma forma de avaliação, talvez a mais tradicional, porém a aprendizagem de estudantes pode ser avaliada o tempo todo, não só com trabalhos ou deveres de casa, mas em atividades simples ou mesmo no dia a dia da sala de aula.

Para começar a discussão precisamos entender que existem diferentes tipos de avaliação. Eu não estou falando de prova, trabalho ou dever de casa, mas da própria função de cada uma. Vamos trabalhar com três categorias: avaliação diagnóstica, avaliação formativa e avaliação somativa.

Avaliação diagnóstica

Como o próprio nome diz, a avaliação diagnóstica busca coletar dados sobre a situação de discentes. Isso não é feito para rotular, para dizer quais são os “bons” e os “ruins” (se é que isso existe), mas para ter dados que direcionem a atuação do professor.

Avaliações diagnósticas costumam ser feitas já no início de um processo de ensino-aprendizagem para ver o que os estudantes trazem de bagagem, tanto o que já sabem (conhecimentos prévios) quanto com o que têm dificuldade. Porém, elas podem ser feitas em outros momentos ao longo do processo, para monitorar como estão indo.

Bom, se isso não serve pra saber quem são os alunos “bons” e os alunos “ruins”, serve pra que então?

Rotular por rotular não serve pra nada. Todo discente tem seus pontos fortes e seus pontos fracos. Saber disso permite que o professor e a escola tracem estratégias, tanto para aproveitar o que é positivo, quanto para trabalhar os pontos negativos.

A partir desses dados, docentes e a escola podem pensar várias estratégias, tanto para ser implementadas em salas de aula, quanto fora, com revisões de conteúdos específicos, acompanhamentos personalizados, materiais extra ou mesmo um direcionamento para otimizar o estudo do aluno, apontando o que ele, estudante, deve estudar mais.

Avaliação formativa

A avaliação formativa também busca entender os estudantes, mas é feita de forma contínua, no dia a dia da sala de aula. Com ela docentes podem entender e acompanhar o processo de ensino-aprendizagem.

É uma avaliação sem nota ou algum outro parâmetro mais objetivo para comparar estudantes. Isso se dá porque é um processo mais informal, por meio de debates, questionamentos aos alunos ou mesmo no monitoramento de suas atividades.

Essa avaliação não deve ser feita apenas individualmente, para traçar o que cada estudante aprendeu ou com o que está tendo dificuldades, mas da turma como um todo. A turma é um coletivo que ultrapassa a soma de discentes, pois conta com suas interações, tanto discente-discente quanto docente-discente (professor-aluno).

Conhecer essas interações também é importante para traçar estratégias pedagógicas. Será que a participação de alguém é reduzida por causa da turma? Em atividades em grupo, como cada estudante se beneficia ou se prejudica ao interagir com fulana ou ciclana? Há competitividade entre os estudantes? Quando é bom e quando é ruim fomentar essa competitividade?

Essas interações são únicas para cada turma e podem mudar muito com a entrada ou saída de um único aluno.

E isso não vale só para medir o quanto se está aprendendo, mas os próprios interesses da turma. Ela gosta mais de anime, de esportes, de games? Reage melhor com atividades individuais, em duplas ou em grupos? Aprende mais com uma abordagem mais teórica ou mais prática? Isso permite que o professor adapte desde coisas mais simples, como exemplos ou atividades de engajamento e contextualização, até a forma de explicar um conteúdo.

Além disso, ao fazer esse tipo de avaliação, o professor pode refletir não apenas sobre os próprios alunos, mas sobre suas próprias práticas pedagógicas. Contudo, para isso, é preciso um processo ativo e consciente de reflexão: como ensinei aquele conteúdo em que eles têm mais dificuldade? Como poderia mudar a forma com que ensinei para se adequar à turma? Como ela reagiu a essa atividade que propus?

Avaliação somativa

A avaliação somativa é a basicona, a que a gente está mais acostumado. São as provas, as tarefas, os trabalhos que ocorrem com o fechamento de um ciclo (uma unidade de conteúdo, um trimestre, um semestre, o conjunto de semestres ou anos). O objetivo aqui é avaliar quais habilidades e competências estudantes desenvolveram ao final do ciclo.

Essa avaliação não serve apenas para saber se estudantes aprenderam, mas se as estratégias pedagógicas adotadas por docentes deram resultados. Porém, para isso, o professor precisa, de novo, refletir ativamente: como ensinou aquele conteúdo em que a turma foi mal? Como foi a reação dos alunos ao conteúdo (reação que percebeu lá na avaliação formativa)? O que poderia ser feito de forma diferente?

É claro que esse tipo de avaliação tem, também, a função de saber se o discente está minimamente preparado para o próximo nível, porém ela não pode parar aí.

Além de permitir o professor adaptar sua pedagogia àquela turma (e cada turma é diferente), ela tem ainda outra função para além da avaliação: toda avaliação deve ser um instrumento de promoção e consolidação da aprendizagem.

Porém, para que a avaliação, seja uma prova, tarefa ou trabalho, tenha essa função de aprendizagem, não basta aplicar e devolver a nota. É preciso algo a mais.

Estudantes precisam saber não só o que erraram, mas porque erraram. Isso significa não apenas saber porque a resposta está errada, mas também o que ele poderia ter feito diferente para acertar.

Talvez não tenham entendido o assunto, mas acharam melhor não perguntar. Talvez tenham achado que sabiam, mas não sabiam. Ou sabiam, mas não prestaram atenção no enunciado. Quem sabe até prestaram atenção no enunciado e acertaram nas suas mentes, mas se expressaram erradamente.

Com isso, estudantes têm condições de rever o conteúdo e os processos de aprendizagem ou mesmo a forma como fazer provas e tarefas.

Claro que essa percepção, assim como muitas outras etapas do processo de ensino-aprendizagem, dependem do aluno, mas cabe ao professor repensar suas estratégias e práticas pedagógicas para ir além do simples depositar conteúdo nos alunos e desenvolver neles a autonomia e as habilidades para aproveitar as aulas o melhor possível.

Questões para reflexão

Pra fechar, queria deixar umas questões para vocês refletirem, sejam vocês professoras e professores que aplicam avaliações, ou alunas e alunos tentando entender melhor as avaliações de seus professores.

  • Como você (ou seus professores) utiliza essas avaliações em suas aulas? Quais das funções acima você consegue aplicar bem e quais não consegue, não acha importante ou nunca tinha pensado em aplicar?
  • Qual é a função de cada avaliação que você já passou para os alunos (ou fez como aluno)?
  • Quais práticas você poderia implementar ou modificar para atender às funções das avaliações do texto? Elas seriam positivas? De que forma? Quais seriam as dificuldades?

Se você se sentir a vontade, comenta aí pra gente trocar uma ideia. Se não, a reflexão já é válida. Espero ter te ajudado a repensar porque você usa, ou mesmo porque você, aluno, faz avaliações.

Modo Noturno