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HIV #DeuPositivo

por em 12/07/2021 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

HIV #DeuPositivo

Aproximadamente há 40 anos, foram registrados os primeiros casos de AIDS no mundo. Desde então muitas coisas aconteceram e tornaram o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) conhecido por muitos, sendo rodeado de estigmas e preconceitos ao longo dos anos.

O HIV é um vírus que tem a capacidade de enfraquecer o sistema imunológico e que pode levar, em casos avançados ou sem os devidos tratamentos, à AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). Nesse caso as pessoas apresentam sintomas e ‘’brechas’’ para infecções oportunistas, já que o vírus é capaz de enfraquecer o sistema imunológico atacando as células responsáveis por defender o organismo de doenças.

A transmissão se dá principalmente por meio de relações sexuais desprotegidas, mas também pode se dar pelo compartilhamento de seringas ou materiais perfurocortantes contaminados e através da gestação, de forma vertical da gestante para o bebê durante o parto e amamentação.

Quando a gente fala de HIV, não podemos nos deter apenas ao vírus, não é mesmo? Essa infecção atinge pessoas e elas não são atingidas apenas por uma sorologia positiva. Existe muito mais em volta, incluindo estigmas e preconceito, e elas não se resumem a isso.

Atualmente no nosso país, em torno de 920 mil pessoas vivem com HIV (podem ser denominadas PVHIV ou pode ser utilizada a sigla PVHA para Pessoas Vivendo com HIV/Aids). A cada ano, milhares de casos continuam surgindo e a maioria da população nunca fez ou não faz frequentemente a testagem para conhecer seu status sorológico, o que implica a mais pessoas poderem ser infectadas. Conhecer os métodos de transmissão, prevenção e fazer testagem recorrente para HIV são muito importantes para evitar mais casos.

Ao falarmos do assunto, questão de gênero, sexualidade e preconceito devem ser abordados. Há não muitas décadas, a visão do HIV era totalmente diferente da nossa atual realidade. A maioria das pessoas, ao descobrir a sorologia, achava que era o fim, mas felizmente muita coisa mudou! Os tratamentos são bem mais eficazes e seguros, há mais facilidade na testagem, há mais informação e formas de evitar a exposição ao HIV.

Descobrir a sorologia é relativamente simples e se refere, de forma genérica, à presença ou não de anticorpos no sangue. Isso é possível através da testagem, que é uma grande aliada e deveria ser comum entre pessoas que já iniciaram a vida sexual. Disponibilizado em postos de saúde ou Centros de Testagem e Acolhimento (CTA), ambos fazem parte do SUS, o teste detecta anticorpos contra o HIV e, em menos de 30 minutos, se tem o resultado.

Em alguns casos, pode acontecer de não haver testes disponíveis no local, mas deve-se ser feito em encaminhamento para onde se consiga fazê-lo. Quando não há disponibilidade nenhuma ou quando houver algum tipo de discriminação, pode-se ligar para o número 136 (Disque Saúde) ou o disque 100 (Disque Direitos Humanos).

Descobrir a sorologia é apenas o primeiro passo, mas além da testagem e uso de medicamentos, é essencial acolhimento e apoio para essas pessoas em diversos serviços de saúde, como apoio nutricional, acompanhamento psicológico, incluindo a garantia dos seus direitos reprodutivos e sexuais.

O aconselhamento pós-teste é feito para explicar o resultado e fornecer informações e orientações de medidas de redução de risco, independentemente do resultado. Nos casos de sorologia positiva, essas pessoas são apresentadas aos serviços disponíveis de tratamento e atenção à saúde; além de também incentivar a adotar medidas para evitar a transmissão para outras pessoas.

Todos os tratamentos e acompanhamentos são direito, de forma gratuita com sigilo, orientação garantida e sem discriminação. Pela nossa própria Constituição brasileira, qualquer cidadão do nosso país tem direito a dignidade humana e à saúde pública. Também, em 2014, foi publicada a Lei nº 12.984, de 2 de junho de 2014, que define o crime de discriminação aos portadores do vírus da imunodeficiência humana (HIV) e doentes de Aids.

É importante que as PVHIV tenham apoio de família e amigos, além de grupos de apoio com pessoas que também convivem com o HIV. A informação é a melhor forma de reduzir mitos e preconceitos ao redor desse tema. É importante saber que nem todo casal possui a mesma sorologia, e neste caso são chamados de sorodiferentes, o que é possível quando a PVHIV está em tratamento, o seguindo de forma adequada e fica com sua carga viral indetectável. Neste caso também é possível evitar a transmissão vertical, ou seja, impedir a transmissão do HIV da mãe para o filho.

Para entender melhor a vida de uma pessoa que vive com HIV, você pode assistir o doc-reality Deu Positivo, que estreou em dezembro de 2020, no dia 1 – que não coincidentemente é considerado o Dia Mundial do HIV e Aids. O programa apresenta três episódios protagonizados por pessoas reais que vivem com o HIV, mostrando suas realidades, seus anseios, seus grupos de apoio e como conseguem superar todas as dificuldades, especialmente o preconceito. Nos relatos é nítida a importância do apoio e acolhimento.

Para quem está afim de assistir, os episódios estão disponíveis no site: www.participathivosgsk.com.br

Outro fator muito importante, além dos primeiros cuidados, é se manter firme no tratamento. Infelizmente ainda não há cura porque o HIV possui capacidade de latência, que resumidamente significa que ele pode ficar no organismo de forma dormente (não ativa), quando ele não causará sintomas e não produzirá novos vírus. Esse vírus, por conta desse mecanismo, consegue permanecer mesmo com o uso dos antirretrovirais dos tratamentos das pessoas com PVHIV.

Uma pessoa vivendo com HIV consegue através dos tratamentos ter uma carga viral indetectável, ou seja, a quantidade do vírus no corpo da pessoa é tão pequena que não pode ser detectada por métodos clínico. Vale lembrar que isso só é possível devido ao tratamento e que se este for interrompido pode aumentar novamente a quantidade do vírus no corpo. Utiliza-se i=i (indetectável = intransmissível), esse termo é válido para quem está com a carga viral indetectável há pelo menos 6 meses (devendo ser refeito também a cada 6 meses). Dessa forma a pessoa não é capaz de transmitir o vírus por via sexual. Apesar disso, não deve existir incentivo a parar de usar camisinha ou parar os tratamentos. A soroprevalência (presença de anticorpos do vírus) pode voltar a ser detectável e existem outras Infecções Sexualmente Transmissíveis que podem ser adquiridas.

Os homens ao longo desses anos sempre foram maioria nos casos de PVHIV. Um do possíveis motivos disto é que a procura por serviços de saúde não é culturalmente forte entre os homens, por isso precisam de atenção e estímulos para encorajar a procura por diagnósticos e tratamentos.

Porém, através das evidências, podemos dizer que não existem grupos de risco, ou que pertencer a grupos deixe as pessoas mais sujeitas ao risco de exposição ao HIV. O que existe são comportamentos de risco. Julgar grupos como de risco pode, além de promover a discriminação, criar uma falsa segurança para quem não faz parte desses grupos.

Devemos incentivar o sexo mais seguro para todos, sem exceção. Devemos falar do sexo em suas diversas formas, para minimizar o risco de ser exposto ao HIV ou transmiti-lo. Isso inclui falar de diversidade sexual, sexo sem penetração, uso incorreto de preservativos masculinos ou femininos, utilizar dupla proteção em casos em que há risco de gravidez não planejada, entre outros tantos assuntos.

A testagem recorrente, o diagnóstico precoce, acompanhamento por profissionais da saúde e acolhimento são essenciais para uma maior qualidade de vida para as PVHIV. O estímulo a esses procedimentos deve ser constante e feitos de forma a atingir todos.

HIV não tem cara! Tem prevenção e tratamento. A educação sexual, junto com política públicas, diminuição da desigualdade e humanização nos serviços de saúde são capazes de transformar vidas, salvá-las e diminuir os estigmas desse vírus.

 

Referências

Francisco, Márcio Tadeu Ribeiro et al. Testagem para o HIV e profilaxia pós-exposição entre homens que fazem/ não fazem sexo com homens. O estudo é proveniente das atividades do projeto de extensão “Só a alegria vai contagiar: o samba da prevenção vai pegar nesse carnaval”, realizado pelas Universidades do Estado do Rio de Janeiro em parceria com a Universidade Veiga de Almeida, sob a Coordenação de Márcio Tadeu Ribeiro Francisco. . Escola Anna Nery [online]. 2021, v. 25, n. 3 [Acessado 22 Junho 2021] , e20200236. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/2177-9465-EAN-2020-0236>. Epub 25 Jan 2021. ISSN 2177-9465. https://doi.org/10.1590/2177-9465-EAN-2020-0236.

Pinto, Lauro Ferreira da Silva et al. Protocolo Brasileiro para Infecções Sexualmente Transmissíveis 2020: infecção pelo HIV em adolescentes e adultos. Epidemiologia e Serviços de Saúde [online]. 2021, v. 30, n. spe1 [Acessado 22 Junho 2021] , e2020588. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1679-4974202100013.esp1>. Epub 15 Mar 2021. ISSN 2237-9622. https://doi.org/10.1590/S1679-4974202100013.esp1.

Gonçalves, Tonantzin Ribeiro et al. Prevenção combinada do HIV? Revisão sistemática de intervenções com mulheres de países de média e baixa renda. Ciência & Saúde Coletiva [online]. v. 25, n. 5 [Acessado 22 Junho 2021] , pp. 1897-1912. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1413-81232020255.15832018>. ISSN 1678-4561. https://doi.org/10.1590/1413-81232020255.15832018.

 

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