Pages Menu
TwitterRssFacebook
Categories Menu

Summons (FF VII) vs Mitologia: Alexander

por em 15/02/2016 em Games | 8 comentários

Summons (FF VII) vs Mitologia: Alexander

Não há nada como ver todos os traços mitológicos que influenciaram monstros, histórias, personagens e cenários dos games.

Um bom local para iniciar essa análise é numa das franquias mais amadas: Os Summons de Final Fantasy VII.

Para quem nunca jogou, summon é um tipo de entidade, dentro do mundo do game, que pode ser invocado para auxiliar os heróis em batalhas, como quando Jasão recebe ajuda de Athena para cruzar os Portões de Hélios.

Tais entidades são todas baseadas em algum tipo de deus/mitologia do nosso mundo, seja por homenagem ou por boa parte desses conceitos permearem naturalmente a mente humana como definido por Carl Jung.

No Final Fantasy VII, de 1997, existiam 14 summons diferentes (sem contar as outras duas formas do Bahamut, que serão mencionadas no post devido). Essa série de posts irá passar por todos eles, comparando o que é apresentado no jogo com o que é conhecido das mitologias humanas.

Seguindo a ordem alfabética dos nomes, vou começar falando do Alexander.

Como pôde ver no vídeo, Alexander surge na forma de um enorme misto de fortaleza e autômato, algo que seria facilmente confundido com um transformer, caso eles virassem construções em vez de carros. Seus olhos brilham intensamente e ele emite um par de lasers, com os quais ataca os inimigos.

Seus poderes são de origem “santa” (HOLY, no original), que funciona muito bem contra inimigos zumbis, esqueletos, fantasmas, demônios ou qualquer outra criatura das trevas. Alexander ter esse tipo de poder é muito interessante, no contexto de combate, pois não se encontra magias desse tipo em outros lugares, o que é diferente de outros Final Fantasys, onde magos brancos (White Wizards) podiam ser escolhidos.

O summon, com o passar do tempo, foi mudando sua aparência e ficando mais e mais santificado. Ganhou asas divinas no Final Fantasy IX e se transformou num verdadeiro arcanjo (Ark) no próprio game.

final-fantasy-ix-alexander

Alexander enfrentando Bahamut no FF IX (FONTE)

Agora, de onde veio a inspiração para criar uma entidade que tem a forma de uma poderosa cidade “robótica” que se levanta da terra para defender os guerreiros com poderes sagrados?

Alexander, além da ordem alfabética, seria o primeiro que eu escolheria para essa série de posts, pois ele é baseado em algo que é parte mito e parte realidade histórica.

A grande cidade fortaleza é nada menos que, resposta óbvia, Alexandria. Com seus templos, muralhas e a biblioteca.

Alexandre, o Grande, era conhecido por ser um conquistador e também por sua ascendência divina. Essa divindade e, caso levarmos em conta que conhecimento é iluminação, a biblioteca mítica poderiam justificar facilmente a decisão de qual seria o poder do Summon Alexander.

Eu poderia escrever um texto enorme sobre o conquistador e todas as cidades que fundou com seu nome, mas prefiro deixar aqui o link do 79° SciCast, onde tudo é explicado com maestria.

Outra abordagem que é interessante de colocar aqui, sobre essa entidade, é a etimologia do nome Alexander.

Do grego, Alexander vem de Alexandros, que significa “Protetor dos Homens”, que vem de Alexein, cujo conceito é algo como “afastar”, “manter afastado”, “defender” ou “proteger”.

Dessa forma, podemos entender a forma de fortaleza ou castelo que ele tem no jogo. Nada melhor que uma poderosa fortificação sagrada para defender os guerreiros com seus lasers brancos e puros.

Alexander, ou Alexandre, foi recebido por diversas personalidades históricas, inclusive papas, que buscavam, na sua maioria, receber as bençãos do grande rei da Macedônia.

Pensando no lado “megazord” do Alexander, rapidamente me vem a mente os poderosos Autômatos das lendas gregas.

Autômatos eram enormes criaturas forjadas de metal, em geral ferro ou bronze, que eram animados por poderes divinos.

Efesto, o ferreiro manco do olimpo, era comumente atribuído como o criador desses monstros em suas forjas vulcânicas, mas a capacidade deles falarem vem de Dédalo, construtor do Labirinto de Creta, que criou cordas vocais usando mercúrio.

Algumas versões mencionam que a própria águia do Cáucaso, enviada por Zeus para comer o fígado de Prometheus, era um autômato.

Outros conhecidos são os Kalkotauroi, touros mecânicos cuspidores de fogo que protegiam o velocino de ouro na Cólquida; e as Keledones, mulheres belíssimas forjadas de ouro e colocadas no templo de Apollo, em Delfos, para recitar os cânticos sagrados ao deus, já que o som de harpas e sinos não eram suficientemente belos.

No entanto, a mais clássica dessas criaturas era o poderoso Talos, o gigante de bronze com sangue de ambrosia, forjado por Efesto e enviado à Creta por Zeus para proteger a princesa Europa de qualquer um que tentasse raptá-la.

Talos no filme Jason and the Argonauts de 1963 (FONTE)

Talos no filme Jason and the Argonauts de 1963 (FONTE)

Enfim, essa é a primeira das 14 postagens dessa série. Espero que se divirtam e que venham conversar comigo nos comentários, deixando suas próprias ideias, interpretações e pensamentos sobre esse assunto que é tão rico e belo.

Games e Mitologia se casam como queijo e vinho e só ficam melhores se acompanhadas de uma boa discussão.

Modo Noturno