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Games no Lab: Corridas de carros, sabotagem, La Résistance e agentes especiais

por em 14/09/2020 em Ciência, Games, Notícias | Nenhum comentário

Games no Lab: Corridas de carros, sabotagem, La Résistance e agentes especiais

Games baseados na Segunda Guerra Mundial existem aos montes e de diversos gêneros, desde os mais “mainstreams” como os FPS’s das séries Call of Duty, Medal of Honor e Battlefield até os nem tão conhecidos como os RTS’s da série Company of Heroes. Porém games de ação com um mundo aberto para exploração (tipo GTA) são poucos, esse é o caso de The Saboteur. Último game da desenvolvedora Pandemic Studios (mais um dos vários estúdios que a EA fechou as portas), The Saboteur traz um enredo focado no personagem Sean Devlin, um irlandês piloto de corridas de carro que depois de alguns eventos se vê no meio da invasão alemã à França, durante a Segunda Guerra Mundial. Suas ações nesse cenário acabam tornando-o um espião a serviço dos Aliados e agindo na capital Paris.

Mas você sabia que Sean é baseado em uma figura histórica real que ajudou na resistência e libertação da França do controle nazista?

Então, se você quiser saber mais, se prepare, pois entre corridas de carro e visitas a cabarés, iremos acelerar juntos e conhecer a história do piloto espião que enfrentou nazistas na França durante a Segunda Guerra Mundial.

The Saboteur foi lançado em 2009 para PC, PS3 e Xbox 360, sendo relativamente bem recebido pela mídia especializada e pelos jogadores. A história do game gira em torno de Sean Devlin, um mecânico/piloto de carros de corrida que, depois de iniciar uma rivalidade entre um piloto e campeão dos nazistas, acaba sendo capturado e torturado pela SS. Sean consegue escapar e foge para Paris, apenas para testemunhar a invasão alemã à França.

Meses depois Sean conhece um líder da resistência local e se junta ao grupo, já que havia jurado vingança pela morte de seu amigo quando eles foram capturados pela SS. O que se segue é uma série de missões nas quais o protagonista precisa ajudar a resistência e os moradores locais a liberar a cidade do domínio nazista.

Claro que a torre Eiffel estaria presente no game e ela é o ponto mais alto que o jogador pode escalar

Apesar de na parte do gameplay o game não trazer muitas novidades, sendo um action/adventure em um mundo aberto com pitadas de stealth, a parte artística do game chama bastante atenção. Sempre que chegamos em algum bairro da cidade que está sob domínio nazista, a área está toda em preto e branco, com exceção das luzes da cidade, suásticas nazistas e símbolos da resistência francesa. A medida que vamos fazendo missões e diminuindo o controle nazista da área, as cores voltam, representando a volta da esperança aos corações dos cidadãos. Nessas áreas “libertas” os civis inclusive podem ajudar o jogador interferindo no combate contra os nazistas.

Na direção de arte é onde o game realmente brilha

Esse sentimento de “rebelião” dos civis contra os ocupantes reflete muito o que foi visto na vida real. Durante a ocupação alemã, os franceses formaram pequenos grupos de homens e mulheres armados que, além de suas atividades de guerra de guerrilha, também eram editores de jornais clandestinos e forneciam informações de inteligência aos Aliados, que muitas vezes estavam presos atrás das linhas inimigas. A resistência francesa tinha um grupo mais organizado que atuava mais fortemente nas áreas rurais do país, os Maquis (do francês matagal/arbusto). No game inclusive, em algumas missões, Sean luta lado a lado com os Maquis.

Apesar de estarem presentes em menor numero, as mulheres eram parte integral dos Maquis

A Resistência Francesa ao longo do tempo foi recebendo apoio dos Aliados e, durante a invasão da Normandia em 6 de junho de 1944, ela teve um papel significativo facilitando o acesso rápido das tropas através da França. O apoio por parte dos Aliados vinha na forma de fornecimento de agentes especiais que ajudavam e organizavam os grupos de resistência. É nesse ponto que entra a figura que serviu de inspiração para o protagonista do game.

William Charles Frederick Grover-Williams, conhecido como W Williams, foi um piloto de Gran Prix e agente especial que trabalhou para o serviço secreto britânico durante a Segunda Guerra Mundial.

William Grover-Williams

Diferentemente do nosso irlandês em The Saboteur, W Williams nasceu na França, em janeiro de 1903 e, aos 12 anos, já mostrou o seu fascínio por automóveis e corridas quando aprendeu a dirigir usando um Roll-Royce do namorado de sua irmã. No início de 1920 começou a competir, escondido da família, em corridas de motos e já em 1926 entrou para o automobilismo dirigindo um Bugatti e competido em corridas por toda a França.

Foram diversas vitórias e prêmios ao longo da sua carreira como piloto, inclusive ganhando o primeiro Grande Prêmio de Mônaco, batendo os favoritos Mercedes. No final da temporada de 1933, W Williams se aposentou do automobilismo. O plano era aproveitar seus ganhos e viver uma vida tranquila ao lado da esposa. E assim foi até 1939…

Com o início da Segunda Guerra Mundial, ele voltou para a Inglaterra e se alistou no Exército. Logo foi recrutado para as Operações Especiais Executivas (SOE) e enviado como agente especial à Paris, provavelmente o lugar mais perigoso para um agente durante a guerra. Seu objetivo era organizar a rede Chestnut.

As redes da SOE, também conhecidas como circuitos, eram pequenas organizações normalmente formadas por 3 pessoas que tinham como fim ajudar e encorajar a resistência francesa à ocupação alemã do país. Esses grupos têm presença no game também.

W Williams recrutou agentes na população local e, ao lado de um antigo inimigo dos dias de corrida, Robert Benoist, organizou a entrega de armas e agentes, sabotando os planos alemães de recrutar mais pessoas para o lado nazista.

Sem entregar muitos spoilers de The Saboteur, infelizmente a vida real é mais trágica que o game. W Williams atuou como agente em Paris até 2 de agosto de 1943, quando foi detido pelos nazistas. Depois de interrogatórios, ele foi enviado ao campo de concentração Sachsenhausen, onde foi executado em 23 de março de 1945, semanas antes do fim da guerra na Europa.

William Charles Frederick Grover-Williams é mais um dos grandes heróis da Segunda Guerra Mundial que quase foi esquecido pelo tempo, e nesse quesito The Saboteur faz uma bela homenagem a ele, claro que com ressalvas já que se trata de um produto para o entretenimento.

Estatua de bronze em Mônaco que homenageia W Williams e seu Bugatti

E chegamos ao fim de mais um texto pessoal, espero que tenham gostado. The Saboteur é um ótimo game que acabou sendo esquecido (em uma trágica relação com W Williams), e ficou preso à geração PS3 e Xbox 360. Nesse caso, se você não tem nenhum desses dois consoles recomendo a versão para PC que é facilmente encontrada por um ótimo preço na Steam. Deixe aí nos comentários suas críticas, sugestões e se já conhecia o game. Até a próxima.

Fontes: Wikipedia, The Saboteur Wiki, The Bugatti Revue e Brasil Escola

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