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Games no Lab: Cidades flutuantes, foguetes, balões e levitação quântica

por em 29/04/2019 em Ciência, Games, Notícias | Nenhum comentário

Games no Lab: Cidades flutuantes, foguetes, balões e levitação quântica

Já falamos aqui sobre a desenvolvedora Irrational Games e seu enorme sucesso, Bioshock. Porém ainda nos resta outro grande sucesso criado por ela, Bioshock Infinite. Lançando em 2013, o game segue os moldes do seu antecessor sendo um FPS com elementos de RPG, novamente trazendo os tônicos que garantem “poderes” ao protagonista e a exploração de uma cidade perdida. E, se antes explorávamos a cidade submersa Rapture, agora o cenário é completamente o oposto com Columbia, uma cidade que flutua pelos céus.

Mas como essa cidade flutua? Esses balões e foguetes que vimos durante o gameplay ajudam em alguma coisa? Afinal qual é o segredo de Columbia e isso poderia ser aplicado no nosso mundo? Pegue seu tônico favorito e vamos descobrir essas respostas juntos, claro, sempre acompanhados da bela Elizabeth, pois hoje o tema é: Bioshock Infinite e sua cidade flutuante Columbia.

Um aviso rápido, esse texto pode ter alguns pequenos spoilers sobre o enredo. Aviso dado, voltemos a programação normal. A história tem início antes dos acontecimentos do game, em 1893 quando o líder religioso Zachary Comstock apresenta ao mundo sua cidade flutuante Columbia, fruto da tecnologia inventada pela física Rosalind Lutece. Nessa época Columbia ainda era uma cidade americana, mas durante a Guerra dos Boxers (uma rebelião anticristã e antiocidental que aconteceu na China), a cidade flutuante atacou Pequim sem a autorização do governo americano, o que resultou em uma ordem para sua desativação. Com isso, Comstock cortou os laços com os EUA e sumiu com sua cidade em 1903.

Um dos bairros de Columbia

Comstock implantou um governo autoritário e racista, em que as minorias eram obrigadas a trabalhos forçados e a viverem em bairros segregados da população branca. Com a ajuda da tecnologia de Lutece, Comstock obteve êxito em “ver” o futuro através de realidades paralelas, o que o tornou uma espécie de messias para a cidade. Houve várias revoltas, mas nenhuma forte suficiente para derrubar o governo. Lutece descontente com o uso de sua tecnologia, descobriu uma contraparte masculina sua de outra realidade, Robert Lutece, assim os dois juntos planejaram acabar com os planos de Comstock. Os Lutece contratam Booker DeWitt para ir até Columbia sequestrar Elizabeth, uma menina que foi gerada sozinha pela mulher de Comstock, criança essa que seria a salvação da cidade, já afogada em revoltas e destruição. É a partir desse ponto que começamos o game.

Booker DeWitt e Elizabeth

A primeira visão que temos de Columbia é deslumbrante, uma cidade flutuando em um céu azul, suspensa por balões e foguetes. Mas como já foi dito, o principal “elemento” que faz a cidade flutuar é a invenção de Rosalind Lutece, chamada de “Partícula Lutece” que nada mais é que levitação quântica. Mas antes vamos esquecer que tecnologia “existe” e vamos nos divertir pensando se só foguetes e balões poderiam fazer uma cidade flutuar.

Primeiro os foguetes. Vamos usar como base o Saturno V, o maior foguete já construído. O Saturno V foi utilizado pelos EUA na década de 1970 durante as missões Apollo e Skylab e produz um empuxo de 771107,03 kg. Já que seria muito difícil estimar o peso de uma cidade, vamos usar o peso do Empire State Building, 330 milhões de kg. Fazendo uma simples divisão chegamos a um número próximo de 430 foguetes Saturno V para fazer o Empire State ganhar os ares. Tudo isso só para levantar um prédio, imaginem uma cidade…. Deixemos os foguetes de lado então.

Agora sobre balões, vamos nos ater ao uso de balões de hélio, apesar do hidrogênio ser mais leve que o hélio ele tem um “pequeno” problema, ele é extremamente explosivo e em uma cidade onde tiroteios são frequentes, não seria muito inteligente enche-la de balões de hidrogênio. Vamos voltar ao hélio.

Via de regra um metro cúbico de hélio pode levantar mais ou menos um quilo de massa. Novamente usando o Empire State Building (porque ele está em Nova Iorque e nós sabemos que tudo acontece lá, isso segundo os filmes de super-heróis), para levanta-lo seria preciso 330 milhões de metros cúbicos de hélio. Isso é muito, muito mesmo. Na verdade, nem existe essa quantidade de hélio suficiente no planeta Terra. A produção atual de hélio é de 30 milhões de metros cúbicos, o que está bem longe dos 330 milhões que precisamos. Lembrando ainda que estamos falando só do hélio necessário para levantar um prédio como o Empire State, depois precisaríamos de mais hélio para repor o que escapasse dos balões ainda.

É, para levantar Columbia aos ares não seria possível usar foguetes ou balões. Mas como já dissemos antes, o segredo de Columbia está em Lutece e sua “Partícula Lutece”. A cidade flutua através da levitação quântica “fornecida” pela “Partícula Lutece”. Levitação quântica é um conceito real, então vamos entender melhor isso para imaginarmos onde a “Partícula Lutece” poderia agir.

Basicamente levitação quântica é quando um objeto supercondutor flutua sobre uma fonte magnética. E o que é um objeto supercondutor? A supercondutividade é uma propriedade que certos materiais possuem quando são resfriados a temperaturas bem abaixo de 0ºC. Com essa propriedade, tais materiais podem transmitir correntes elétricas sem perdas, sem resistência. Materiais supercondutores não curtem muito campos magnéticos, isso os faz repelirem o fluxo magnético gerado por esse campo, porém nem todo o fluxo é repelido, alguns “feixes” passam pelo material criando uma “prisão”, independente para qual lado material supercondutor se mova, ele sempre vai ficar “preso” a esse campo magnético, isso é chamado de “prisão magnética”.

Essa “prisão” é tão forte que, por exemplo, um supercondutor de dois milímetros de espessura pode aguentar o peso de uma tonelada! Seguindo nessa linha, um supercondutor com vários metros de espessura poderia aguentar o peso de um prédio? Possivelmente. E uma cidade inteira? Talvez.

Prisão quântica. Um advogado quântico resolveria isso?

O grande problema com a “levitação quântica” é que, hoje, a supercondutividade não é uma característica encontrada em materiais na temperatura ambiente, ela só se apresenta em certos materiais quando resfriados a -196 ºC, com nitrogênio líquido. Agora se encontrássemos alguma coisa que fizesse que esses materiais adquirissem supercondutividade em temperatura ambiente… Ei Lutece!

E é exatamente aqui que a “Partícula Lutece” entra, essa partícula poderia ter o “poder” de transformar qualquer material em supercondutor e ainda usar o campo magnético da Terra como sua fonte magnética. Infelizmente o game não deixa claro o “real” funcionamento da “Partícula Lutece”, porém seguindo a nossa linha de raciocínio, essa seria uma hipótese bem plausível.

E chegamos ao fim pessoal. No ano do seu lançamento, Bioshock Infinite foi considerado o Game of the Year por vários sites e revistas especializados, então fica fácil a sua recomendação para qualquer um que goste de um FPS com uma excelente história, inclusive o game pode aparecer aqui novamente já que aborda outro tema de ficção cientifica, universos paralelos. Como sempre, críticas e sugestões são bem-vindas, fico no aguardo dos comentários. Até a próxima.

Fontes: IGN, Inverse, IO9, MeioBit, Mistérios do Universo, Bioshock Fandom e Wikipédia 

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