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Reino de Dreen – Vila da Vigília – Capítulo 1

por em 03/01/2018 em Entretenimento | Nenhum comentário

Reino de Dreen – Vila da Vigília – Capítulo 1

Há dois dias de viagem de Belo Jardim, depois da floresta cinzenta, a vila da Vigília se mantém firme. Apesar de ser ignorada pela capital do reino, seus quase seiscentos habitantes ainda lembram das histórias dos seus antepassados: sabem que ali existiu um antigo forte feito de madeira, onde bravos soldados protegiam a fronteira do reino da floresta negra e de seus habitantes malignos. Da vila, podem ser vistas as três montanhas sinistras. Se alguém fosse tolo para ir em direção aos três gigantes de pedra, os habitantes mais velhos contam que, atravessando a floresta negra, alcançaria-se o vale maldito. Lá existia uma grande fortaleza negra erguida por escravos, onde moram os senhores da morte, que tramam o dia do levante para tomar o mundo e trazer para todos os seres viventes uma era da escuridão.

Há muito tempo, uma guerra contra os maléficos aconteceu, mas seus acontecimentos deixaram de ser cantados até pelos bardos. Reinos vizinhos se tornaram hostis, novas guerras aconteceram, os novos reis foram dando menos importância ao forte da Vigília, os soldados se foram, a guarda da cidade descende diretamente de alguns que resolveram ficar naquela terra. A perda da importância fez a vila empobrecer, muitos se mudaram para Belo Jardim, e os jovens continuam indo embora todo ano. A vila era um lugar onde as pessoas vivam tranquila e humildemente, mas há quase dois anos essa paz foi quebrada. A cada dois meses um ou dois jovens somem da vila. Uns dizem que eles estão indo embora entediados com vida de lá, outros falam que homens ou mulheres fogem com seus amantes para começar vida nova em outro lugar, mas o conselho ancião e a guarda da cidade estão preocupados. Três corpos foram encontrados, irreconhecíveis, perto do rio: estavam brancos, a vida parecia ter sido sugada daquelas pessoas. Alguns acreditavam que as criaturas sinistras haviam retornado e estavam atacando os moradores.

Enrico Rizzi era um dos quatro guardas mais experientes da Vila. Há um ano, seu pai desaparecera na floresta negra junto com outros três para procurar a jovem Bianca. O desaparecimento do Sr. Rizzi aterrorizou toda a vila, vários moradores pegaram suas famílias e fugiram para Belo Jardim. Alguns guardas decidiram abandonar a vila, então, restou a Enrico, seu amigo Edgardo, Sr. Bianco e Sr. Ferri manter a proteção na vila e treinar os jovens para fortalecer a proteção do povo. Durante um ano, Enrico apelou para Belo Jardim e para capital, a fim de conseguir um trio de protetores da Ordem Branca, mas nunca foi respondido. Além do seu jovem irmão Luca, outros seis foram treinados para proteger a cidade. Todo mês, uma família abandonava Vigília apesar das orientações do conselho dos anciões. Alguns não tinham para onde ir, poderiam ser obrigados a mendigar ou a se tornarem ladrões e contrabandistas nas grandes cidades. As estradas eram perigosas para aquelas famílias que nunca tinham saído.

A bela Evelina era a única irmã dos Rizzi. Nunca mais havia sorrido depois do sumiço de sua amiga e de seu pai. Não aceitava que estavam mortos e, mesmo contra vontade de Enrico, treinava esgrima em segredo com seu irmão Luca, pois queria estar preparada para lutar um dia ao lado dos irmãos.

– Você não cansa de olhar para essa floresta medonha? – perguntava o jovem Edgardo.

– Essa floresta infernal está avançando contra nossa vila – falava Enrico apontando para a densa floresta a sua frente.

– Você com esse papo, ainda insiste com essa história? Esqueça a floresta. Nosso problema é com as criaturas que estão dentro dela. As plantas nada podem fazer contra nós, só servem de proteção para os monstros – Edgardo desdenhava da preocupação do amigo.

– Sei do que estou falando. Na nossa juventude, eram uns noventa passos daqui para chegar nas árvores. A distância é de setenta agora. Medi quando acompanhei meu pai até a entrada da floresta, fiquei com isso na cabeça – Enrico coçava o queixo, imaginando o que fazia aquela floresta avançar tão rapidamente.

– Consultei os anciãos. Se estiver certo, a vila será engolida pela floresta negra em menos de 50 anos – explicava Enrico – As árvores mais próximas chegam rapidamente a idade adulta, isso não é normal. Há magia naquele local. Meu pai nunca teve uma chance entrando ali.

– Se sobrar algum cidadão até lá. Foi por isso que solicitou ajuda da Ordem Branca?

– Só com a ajuda deles podemos parar esses ataques. Enviarei Luca junto com outros dois para o templo da Luz em alguns meses. Não iremos mais esperar pelos senhores das cidades. Vamos. Em breve vai anoitecer. Elio, Felippo, Piero e o restante estarão na guarda durante esta noite.

– Que tal nos alegrarmos um pouco? Vamos ao Raposa? – Edgardo convidava o amigo para ir na taverna – Sílvio e Tullio estarão lá com certeza também.

– Não, obrigado, caro amigo. Prefiro ficar em alerta e preciso ficar de olho nos meus irmãos. Luca anda muito empolgado com o treinamento.

– Até amanhã então! – Edgardo fez um gesto e saiu em direção ao local.

Enrico caminhava para sua casa pensando na floresta negra, ainda pesava a decisão de ter acatado a vontade do pai. Se tivesse ido com Sílvio e Edgardo, talvez todos ainda estivessem vivos. Talvez até Bianca estivesse a salvo, a moça gostava muito dele. Evelina tentou várias vezes fazer o namoro acontecer, mas o jovem Enrico estava focado em se tornar um substituto à altura do pai e proteger a cidade dos ataques constantes. “Pobre, Bianca”, era o que pensava o jovem guarda.

Chegando em casa, viu Luca procurando algo para comer. A casa dos Rizzi era de madeira e bem simples. O sr. Rizzi tentara manter a casa conservada com o mesmo aspecto que sua mulher gostava. A sra. Rizzi perdeu a vida tentando dar a luz ao quarto filho e, mesmo com essa tragédia, o sr. Rizzi nunca viveu amargurado, nem deixou que os filhos vivessem tristes. A tia Elda sempre o ajudou a criar os sobrinhos, e seus filhos, Túlio e Eduarda, se tornaram muito apegados a seus primos.

– Luca, onde está Evelina? Não deveria buscá-la na loja da sra. Fiorella? – perguntava ao irmão mais novo.

– Hoje ainda é o seu dia de buscá-la, lembra? – Luca mencionava o acordo que tinha feito com o irmão. Enrico deveria buscar a irmã nos três primeiros dias da semana…

– Droga, é mesmo! Fui olhar a floresta negra… E perdi tempo conversando com Edgardo…

– Você foi na floresta negra? Enlouqueceu?!? – Luca gritava surpreso.

– Não, não foi isso. Fique aqui. Vou atrás dela. Vai ficar furiosa conosco – Enrico falou já abrindo a porta e correndo em direção à loja.

– Comigo? Foi você quem esqueceu dela… Ah! Finalmente achei algo…

Enrico corria em direção à loja, era no final da terceira rua a direita. E pensava “como fui esquecer de buscá-la?”. Estava chegando lá quando viu a Fiorella fechando a loja.

– Sra. Fiorella, Evelina já saiu? – falava alto enquanto corria, acabou parando bem em frente a jovem.

– Olá, Enrico! Evelina saiu mais cedo, foi no sr. Marino. Ela ia fazer uma surpresa para você – Annabella sorria para o jovem. Enquanto respondia, arrumava a proteção do guarda que parecia ter saído às pressas de casa.

– Seu pai gostaria que você já tivesse alguém para cuidar de ti, lembra? Pronto. Assim fica melhor. Não esqueça: você é o protetor da cidade, não pode andar desse jeito.

– Obrigado, Bella. Ainda não pensei sobre isso, mas preciso achar a Evelina – Enrico se despediu com um beijo na mão da jovem.

– Tudo bem. Espero que esteja tudo bem com ela. – Annabella seguiu Enrico com os olhos enquanto esse corria em busca da irmã.

O armazém do sr. Marino ficava quase no começo da rua, mas Enrico observava a rua e não via Evelina. “Espero que esteja dentro do armazém”, mantinha o pensamento positivo evitando imaginar o pior. “Não pense no pior, não se atreva”, dizia para si. Chegando lá, outra decepção… Evelina não estava lá.

– Sr. Marino, minha irmã, onde está?

– Enrico, o que foi? Evelina saiu faz uns dez minutos daqui, foi em direção a casa de vocês.

– Obrigado, tenho que ir! Adeus! – disparou correndo na direção apontada pelo dono…

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