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Uma análise crítica sobre o ensino de criacionismo nas escolas

por em 19/04/2019 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

Uma análise crítica sobre o ensino de criacionismo nas escolas

Querido leitor,

primeiramente deixe-me explicar o tema deste texto. O desastre que vem acontecendo com o nosso Ministério da Educação já foi alvo de reclamações de muitos, e até de outro texto meu. Acontece que não dá para ficarmos quietos quando vemos a falta de cuidado total com a nossa educação. Não que essa área tenha sido exemplar algum dia, sempre estivemos em maus lençois desde que nos entendemos por república, mas o progresso (ou falta de) dessa área mostra muito sobre as nossas escolhas e sobre o nosso futuro como nação.

O fato principal é: A educação é um investimento no desenvolvimento da população a longo prazo. Não existe nenhuma outra maneira mais simples de dizer que o retorno para a população não é imediato. Não é instantânea a mudança, mas não é por isso que não devemos dar o devido valor a esse investimento. É fato que a educação faz a diferença na quantidade de presos no nosso sistema carcerário, e também na qualidade de vida da população.  Basta ver  a quantidade de pessoas no sistema carcerário e olhar para a classificação da educação nos países com maior índice de desenvolvimento humano (IDH). A correlação é explicita e você, leitor, pode ver um exemplo desses estudos neste link.

Agora o ponto que mais me preocupa nessa enorme falta de preparo dos profissionais selecionados pelo nosso novo governo para chefiar o Ministério da Educação: O ensino de criacionismo nas escolas. No texto que falo sobre as mudanças no PNLD (Programa Nacional do Livro Didático), disponível aqui, um dos problemas apontados no novo edital que o governo lançou nos primeiros dias do ano, era da não exigência de referências para os fatos que seriam publicados nos livros. Ou seja, se eu fosse autora e quisesse dizer que a Terra é plana, eu não precisaria colocar referências (que claramente provam o contrário), e o tema teria alcançado diversas crianças pelo país todo. O fato que eu quero comentar dessa vez é a proposta da que foi nomeada “número 2 do MEC” Iolene Lima, mas que já foi substituída, muito rapidamente, por um militar.

Iolene Lima é evangélica e ja foi dirigente da Associação das Escolas Cristãs de Educação por Princípios, uma ONG que apoia escolas confessionais. Leitor, não me leve a mal. Eu não estou aqui para julgar a crença das pessoas, longe de mim fazer isso. Respeito é bom e todos nós gostamos e pedimos. O problema aqui é que esta senhora propôs que o ensino de geografia, de história e de matemática fossem vistos e ensinados sob a ótica de Deus, “…numa cosmovisão cristã, onde Deus fez a nossa geografia”, para utilizar as palavras dela ditas em um  vídeo. Quando ela propõe uma mudança dessa magnitude, muitos sinais de atenção aparecem como neon piscando em festa dos anos 90.

Eu não sou contra o ensino das diferentes religiões nas escolas, da mesma maneira que não sou contra religiões em geral. Não tem como ser contra algo que alguém acredita e segue como vida. O fato de eu não ter religião não me faz intolerante. Mas o ponto que me preocupa mais é a substituição de conceitos científicos por explicações “presentes nas escrituras”, como diz Iolene. Quando a prática científica confronta algumas explicações das religiões para fenômenos que observamos no universo, não precisamos substituir um fato divino pelo fato científico, mas sim estudá-lo como uma das explicações, como algo que faz parte da cultura daquele povo. Quando vemos por essa ótica, não desmerecemos nenhuma das explicações, ou seja, não ofendemos ninguém. Agora quando substituímos os fatos científicos para a origem do planeta Terra, como foi citado no vídeo, estamos desmerecendo a trajetória árdua que a ciência e os cientistas percorrem para descobrir fatos que nos ajudam a viver melhor, entender nosso mundo.

Eu falei com o pessoal do TeoLabCast sobre o ensino de criacionismo nas escolas, mas infelizmente a gravação foi feita antes dessas declarações polêmicas. Mas e você, leitor? O que pensa sobre esse assunto?

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