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Games no Lab: Motoserras, brutamontes, satélites e armas no espaço

por em 24/09/2018 em Ciência, Entretenimento, Games | Nenhum comentário

Games no Lab: Motoserras, brutamontes, satélites e armas no espaço

Alguns games, quando lançados, acabam influenciando a indústria e ditando tendências, seja por seu sistema de jogo ou mecânicas. Foi assim com Super Mario Bros, que estabeleceu as bases do gênero plataforma em 2D, com Street Fighter II, que popularizou os comandos “hadouken” e “shoryuken” nos games de luta e mais recentemente PUGB (Playerunknown’s Battlegrounds), espalhando a febre do Battle Royale. Existem vários outros exemplos e um deles é Gears of War, game de tiro em terceira pessoa lançado pela Epic Games em 2006 para Xbox 360 e PC. Sua mecânica de “cover”, em que qualquer parede, muro, escombros e objetos no cenário poderiam ser usados como proteção, praticamente se tornou uma mecânica padrão para games de tiro em primeira pessoa.  Os combates corpo-a-corpo viscerais também chamaram a atenção, já que o rifle de assalto Lancer, possuía uma motosserra como baioneta.

No entanto, hoje falaremos sobre outra arma do game tão interessante quanto a Lancer, mas que causa danos maiores, o Martelo da Alvorada (Hammer of Dawn no original em inglês). Um canhão preso a um satélite que orbita o planeta Sera e é capaz de gerar uma rajada destrutiva de energia em qualquer ponto do planeta. Mas será que uma arma desse tipo e com tanto poder já poderia existir hoje no nosso mundo? Ou será que Dr. Evil influenciou alguém e já temos um laser na Lua? É o que saberemos ao longo do texto. Então junte-se aos Gears e vamos desmembrar alguns Locusts enquanto dizemos “laser” fazendo aspas com os dedos.

A história do game se passa em um futuro quando a humanidade colonizou um planeta chamado Sera. Depois de explorar e quase extinguir os recursos do planeta, um acidente revelou que o planeta era fonte de um líquido viscoso batizado mais tarde de Imulsion. A princípio sem utilidade, o líquido se apresentou como uma excelente fonte de energia extremamente barata e eficiente, tudo isso graças a um processo de fusão a frio chamado LightMass, criado por um cientista. Com essa nova fonte de energia muitos enriqueceram, o que causou uma crise econômica e levou a uma guerra civil entre dois lados, o COG (países ricos em fontes de Imulsion) e o UIR (países pobres desse recurso). Depois de muitos anos em guerra, o COG saiu vencedor graças a uma arma chamada Martelo da Alvorada, um canhão orbital capaz de destruir cidades inteiras.  A paz reinou nos anos que se seguiram, até que em um dia, milhares de criaturas conhecidas como Locusts saíram do subsolo em um ataque surpresa, dizimando boa parte da população do planeta. Em uma medida desesperada, as autoridades utilizaram o Martelo da Alvora para destruir 90% do planeta, porém isso não foi o suficiente para conter o avanço dos Locusts. Cabe então ao nosso herói Marcus Fenix e seu esquadrão mudarem os rumos da guerra com uma missão suicida.

Marcus Fenix, figura central na franquia

Durante o gameplay o jogador utiliza um marcador para identificar o alvo, sinalizando o local onde o disparo deve ser realizado, devido a isso a arma só pode ser utilizada em locais abertos e mesmo assim às vezes é preciso esperar que o satélite se alinhe com o alvo, já que ele fica orbitando em torno do planeta.

Segundo explicações encontradas no game, o Martelo da Alvorada é um canhão laser acoplado a um satélite, sua fonte de energia é o Imulsion que fica armazenado em um tanque na lateral do satélite e pode gerar uma rajada laser com duração entre 5 a 10 segundos. Para construirmos uma arma dessas, o maior empecilho seria a fonte de energia. Hoje não temos nenhum material que possa gerar tanta energia para um laser (ou plasma) desse tipo, na verdade até temos, mas precisaríamos armazena-lo em tanques do tamanho, no mínimo, de um campo de futebol, isso só para um disparo. Mas não é porque esse projeto seria inviável no nosso mundo que a humanidade não tentou outros meios de colocar uma arma na órbita da Terra. São vários os projetos e vamos começar pelos nazistas.

Sim, entre desenvolver aviões a jato e tentar invocar demônios do inferno para lutar do lado do Eixo, os nazistas cogitaram a ideia de colocar uma arma em órbita. No caso, essa “arma” seria um espelho com 1,6 quilômetros de diâmetro que refletiria os raios solares em um único ponto, causando incêndios e destruição. A estimativa é que a construção demoraria entre 50 e 100 anos, mas com o fim da Segunda Guerra Mundial o projeto foi deixado de lado. Serviu de inspiração para o vilão do filme 007 Um Novo dia para Morrer, construir uma arma parecida e utilizar contra James Bond em uma das “melhores” cenas de ação da franquia, confira:

O Projeto “Guerra nas Estrelas” (oficialmente Iniciativa de Defesa Estratégica) foi um programa militar lançado pelo ex-presidente americano Ronald Regan durante o período da Guerra Fria, o objetivo era criar um sistema de satélites equipados com lasers que poderiam destruir mísseis lançados contra os EUA. Esse foi mais um projeto que ficou no papel, entre o tempo de construção de 20 anos e o orçamento de 200 bilhões de dólares necessários, outra dificuldade era a criação de um laser denso o suficiente para ter esse poder de destruição, simplesmente não havia tecnologia para isso.

Representação de como o Projeto Guerras nas Estrelas funcionaria

Nos parágrafos anteriores já comentamos sobre essa dificuldade que inviabilizaria o Martelo Da Alvorada, isso se deve a atmosfera do planeta. Um laser, quando passa pela atmosfera, vai perdendo sua “força”, pois ocorre uma difração dos raios e até mesmo uma absorção de energia, isso é a Lei do Quadrado do Inverso, que afirma que a intensidade da luz diminui de acordo com o quadrado da distância da fonte que a emite. Ou seja, uma superfície recebe quatro vezes menos quantidade de luz se a fonte for afastada o dobra da distância. Mas então um laser dentro da atmosfera precisaria de menos energia? Sim, e já existem testes com um armamento desse tipo.

Um canhão laser acoplado ao nariz de um avião já esta sendo testado pelo exército americano e com bons resultados. Esse laser é obtido através de uma reação química entre o oxigênio e o iodo, gerando centenas de megawatts de potência e podendo ter um alcance de até 12 km. Sistemas óticos também podem ser usados para diminuir os efeitos da atmosfera sobre o laser. Nessa mesma linha, cabos de fibra ótica também têm ganhado espaço devido a sua longa vida útil e baixa exigência de manutenção, além de precisarem de pouco espaço para instalação devido a sua espessura e flexibilidade. Mas agora vamos sair um pouco dos “lasers” e conhecer outro projeto de arma orbital, uma que pode atirar projéteis.

Bombeamento cinético ou ataque cinético orbital é o ato de atacar a superfície do planeta com algum projetil inerte, em que a força destrutiva da arma provém da força cinética que o projetil ganha durante sua reentrada na atmosfera terrestre. Dois satélites são usados: um menor que passa as coordenadas do alvo em terra (o mesmo que fazemos quando miramos com o Martelo da Alvorada) e outro maior, carregado com os cilindros que serão disparados. Esses cilindros são simples hastes de metal, nesse caso tungstênio que devido a sua alta densidade suportaria as altas temperaturas da reentrada sem derreter. Esse sistema comumente chamado de “Hastes de Deus” possui uma grande dificuldade técnica que é garantir sua precisão, já que qualquer sensor colocado na ponta da “haste” seria destruído na reentrada, além do mesmo problema de reabastecimento de munição que já vimos nos outros sistemas. No “excelente” filme G.I. Joe: Retaliação de 2013, as “Hastes de Deus” são usadas. Fique com a cena onde elas são vistas:

Mas, se você estiver na dúvida do porquê nenhum desses projetos ter sido continuado ou melhorado, superando as dificuldades encontradas, a resposta talvez se deva ao Tratado do Espaço Exterior. Elaborado em 1967, ele é a base da lei espacial internacional e define “regras” para a exploração do espaço, além de possuir um artigo exclusivo para armas no espaço, o Artigo IV que diz:

“Os Estados Partes neste Tratado comprometem-se a não colocar em órbita à volta da Terra quaisquer objetos transportando armas nucleares ou quaisquer outras espécies de armas de destruição maciça, a não instalar tais armas nos corpos celestes e a não manter, sob quaisquer formas, as armas no espaço exterior”

“não instalar tais armas nos corpos celestes”. Espera ai, não podemos colocar um laser na lua?

98 países já assinaram e retificaram esse tratado, e mais 27 apenas assinaram. Porém, como a história já nos ensinou, tratados e acordos muitas vezes não são respeitados. Então talvez a resposta definitiva para a pergunta “Porque ainda não temos armas de destruição em massa ao redor da Terra? ” É que hoje, é simplesmente mais fácil, mais barato, mais preciso e principalmente mais destrutivo lançar uma míssil intercontinental com uma ogiva nuclear. Quem sabe em um futuro próximo com novas tecnologias, a balança “custo-benefício” penda mais para o lado das armas orbitais…

Um dia criaremos armas como essa? Existe um número máximo de referencias a Austin Powers que posso fazer em um texto?

E ficamos por aqui pessoal. Espero que tenham gostado. Se você ainda não jogou algum game da franquia, fica fácil recomendar Gears of War para quem gosta de um bom tiroteio, mas recomendo também para quem gosta de uma boa história. Críticas, sugestões e elogias são sempre bem-vindos. Até a próxima.

Fontes: Wikipédia, Super Interessante, Gearspedia e SpacePak

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