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Grandes nevascas refutam aquecimento global?

por em 16/03/2018 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

Grandes nevascas refutam aquecimento global?

Pelo contrário, eventos de frio extremo e invernos severos recentes não entram em conflito com o quadro de aquecimento global, mas sim o complementam. Para entender essa afirmação, primeiramente devem ser consideradas duas diferenças conceituais: “tempo versus clima” e “aquecimento global versus mudanças climáticas”.

O tempo indica as condições atmosféricas em um instante, enquanto o clima é condições meteorológicas médias da atmosfera, observadas por anos. Ou seja, não é por que um dia ou uma semana fica mais frio que o clima da região mudou – só mudou o tempo. Existem épocas do ano (inverno, por exemplo) e lugares (como altas montanhas) em que o clima indica uma redução natural e esperada de temperaturas. Para mais informações, veja o post sobre a Diferença entre tempo e clima.

O aquecimento global é o nome dado ao efeito da temperatura média no planeta Terra inteiro estar subindo ano após ano. Por ser um efeito MÉDIO, algumas regiões podem ter diminuições de temperatura e outra um aumento; inclusive, dentro de um mesmo ano podem existir extremos de frio e calor, mas que na média geram um aumento de temperatura. Por isso muitos preferem o termo “mudanças climáticas“. Não deixe de ver o post Efeito estufa, aquecimento global e mudanças climáticas para entender o que são esses termos e suas diferenças.

Temperaturas médias de 2017, com vermelho e laranja representando mais quente do que a média, e azul representando mais frio do que a média (NASA)

O Ártico, observado no mapa da NASA acima, aqueceu em 2017 e estudos mostram que isso está acontecendo a uma velocidade entre duas e três vezes a média global nos últimos anos. O aumento da temperatura no Ártico tem ajudado a reduzir a camada de gelo flutuante da região em mais de 20% por derretimento.

Quando o gelo derrete, uma camada reflexiva de gelo e neve é removida, deixando um mar azul escuro. A maior parte (90%) dos raios do sol que eram refletidos para o espaço agora passa a ser absorvida pelo mar, ajudando o processo de aquecimento.

Como a superfície quente do oceano está em contraste com a massa de ar polar acima dele, o calor do oceano aquecido flui para cima, forçando o ar polar a subir, criando um sistema de alta pressão. Esta alta pressão força o ar polar ao redor a se mover e, logo, temos um redemoinho no sentido horário (devido ao efeito de Coriolis) que empurra o ar gelado para baixo na Europa.

Isso ajuda a explicar as recentes ocorrências da formação de gelo no Saara (invernos de 2016, 2017 e 2018), até então muito raras. Frentes frias muito fortes vindas da Europa levaram umidade para a região norte da Argélia. A região onde ocorreu a formação de neve é chamada de “entrada do Saara” e está localizada a mais de mil metros de altitude. A neve formada derreteu em poucas horas após o nascer do Sol.

Gelo em janeiro de 2018 sobre Aïn Séfra – Argélia (reprodução/redes sociais)

Este recém formado “Corredor Ártico” empurra o ar gelado da Europa para o leste da China e as Américas, deixando as temperaturas e tornando as condições de inverno mais extremas do que o habitual. Nos Estados Unidos, fortes nevascas e ocorrência de neve em regiões em que há anos não aconteciam foram reflexo desse fenômeno originado no Ártico.

Interessante notar também que, com o lento e gradual aumento de temperatura, várias regiões dos EUA ficaram sem eventos de queda de neve por vários anos. Uma geração inteira somente começou a ver neve novamente nessas regiões com o fortalecimento desse fenômeno de transporte de ar frio do Ártico. E esse olhar desatento sobre a natureza pode causar uma percepção errônea da real influência sobre o efeito do aquecimento global em uma região remota, mas causando mudanças no clima e tempo locais.

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