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Vulvodínia

por em 13/09/2019 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

Vulvodínia

Você já tinha ouvido falar da vulvodínia? Com certeza esse não um dos assuntos falados por aí, não é mesmo? Além de todos os tabus que cercam essa doença, ela possui pouquíssimas informações devido a seu difícil diagnóstico. Mas, informação é poder! Quanto mais pessoas conhecerem, mais podem procurar ajuda, então vamos lá:

O que é a vulvodínia?

Ela é uma enfermidade definida como uma dor/queimação vulvar com duração mínima de 3 meses. Ela não possui uma causa clara, pode decorrer devido a diversos fatores. É uma condição clínica complexa e multifatorial, não possui achados infecciosos, neoplasia (proliferação descontrolada de células), inflamações ou danos neurológicos visíveis. Os pontos de dor variam em cada paciente, a maioria das mulheres sentem como se fosse uma queimadura, ardendo o tempo todo ou até sentem pulsações como agulhadas.

As mulheres também não costumam ser levadas a sério, pode-se ouvir coisas como: Você já experimentou beber um pouco? Relaxar? Isso é coisa da sua cabeça! É normal doer!

E não, não é normal doer e isso não é ‘’coisa da cabeça’’!

O diagnóstico pode levar anos para ser feito, porque muitas mulheres têm receio de procurar ajuda e também falta informação dos próprios ginecologistas em relação à doença.Para se chegar à vulvodínia, são feitos exames de exclusão, inclusive para afastar as causas orgânicas, que incluem anamnese detalhada, que se trata de buscar o histórico de todos os sintomas narrados pelo paciente sobre determinado caso clínico.

Algumas das possíveis causas para o desenvolvimento da vulvodínia:

  • Co-morbidades e outras síndromes dolorosas, como fibromialgia e síndrome do intestino irritável.
  • Predisposição genética;
  • Uso de contraceptivos hormonais combinados;
  • Afecções musculoesqueléticas, como hiperatividade muscular;
  • Mecanismos neurológicos, o aumento da inervação local pode implicar no aumento da sensibilidade local. Inclusive, as mulheres com vulvodínia costumam ser mais sensíveis a outras formas de estimulação em áreas não-genitais.
  • Inflamações, as regiões doloridas, geralmente, apresentam um aumento de células inflamatórias.
  • Fatores psicossociais, como ansiedade, depressão, stress pós-traumático e etc.

A vulvodínia pode ser classificada em dois tipos:

VULVODÍNIA PRIMÁRIA:  quando os incômodos surgem na infância e/ou adolescência, antes do começo da vida sexual.

VULVODÍNIA SECUNDÁRIA: quando os sintomas aparecem após algum problema, como uma infecção urinária, candidíase e etc.

Sabendo-se disso, ela ainda possui subdivisões:

ESPONTÂNEA: quando a vulva não precisa ser tocada para que a mulher sinta os incômodos.

PROVOCADA: os sintomas só se manifestam quando existe algum toque ou estímulo na vulva.

MISTA: quando os sintomas podem se manifestar com ou sem contato físico.

Em relação à localização:

GENERALIZADA: apresenta os sintomas em toda a vulva ou, pelo menos, mais de um local. Como, por exemplo: clitóris, entrada da vagina, etc.

LOCALIZADA: os sintomas se encontram em um só local da vulva, que geralmente é na entrada do canal vaginal.

Sobre o seu padrão temporal, algumas das classificações são:

INTERMITENTE: quando há pausas, os sintomas não são contínuos.

PERSISTENTE: quando os sintomas são contínuos, não cessam.

CONSTANTE: quando há uma progressividade ou se repete.

A mulher que sente esses sintomas deve procurar um ginecologista especialista em patologia vulvar/ dor crônica pélvica. Eles poderão auxiliar melhor na identificação do problema e no tratamento. É necessário saber o histórico clínico da paciente, para serem descartadas outros tipos de doenças.

Apesar de ser considerada sem cura (ainda), o tratamento geralmente é eficaz, reduzindo bastante os sintomas ou até cessando, melhorando assim a qualidade de vida da mulher.

O tratamento costuma ser multidisciplinar e varia de pessoa para pessoa. É necessário analisar o caso individualmente e em conjunto, achar os devidos tratamentos. Alguns dos tratamentos podem ser:

  • Dieta: alimentação pobre em oxalatos (é excretado na urina como cristais), citrato de cálcio para auxiliar na redução dos níveis urinários de oxalato;
  • Cuidados: afastar fatores que irritam e orientar o uso de produtos neutros, calcinhas brancas e de algodão, absorvente ecológico ou coletor;
  • Lubrificantes: Utilizar os que são à base de água e os com anestésicos tópicos;
  • Fisioterapia local;
  • Tratamento psicológico e/ou psiquiátrico;

Há muitas formas de tratamento e TODAS devem ser prescritas por um médico de confiança. O alívio pode surgir em semanas ou até meses depois. Além disso, é importante lembrar que essa é uma doença que independe do gênero ou orientação sexual da mulher.

A vulvodínia atinge um considerável número de mulheres, com suas vidas sexuais ativas ou não. Os incômodos vão além da dor física, isso afeta suas relações, sua autoestima, sua saúde mental e consequentemente, diminui a qualidade de vida. O assunto envolve um tabu muito grande e muitos desacreditam que existe realmente a dor.

Não, o diagnóstico não é simples, muito menos o seu tratamento. Informação é imprescindível para que mais mulheres busquem se tratar, se conhecer e lutar para viver a vida que merece. Sem dor e sem ardência. Estima-se que 30 a 39% das mulheres não procuram os cuidados médicos. Especialmente as minorias, geralmente as que moram em zonas rurais ou não têm todo acesso aos cuidados de saúde, seja por falta de estrutura ou informação.

Se você está buscando uma mão amiga, um lugar onde você pode encontrar informações básicas sobre o que é vulvodínia, indicação de profissionais e até mais mulheres que passam por isso, esse lugar é o www.vulvodiniavocenaoestasozinha.com

 

Algumas referências:

MACEDO, Maria João. Dor pélvica em medicina geral e familiar: um caso clínico de vulvodinia.Rev Port Med Geral Fam, Lisboa, v. 32, n. 4, p. 265-269, ago.  2016.

VIEIRA-BAPTISTA, Pedro; SILVA, Joana Lima. Alterações à classificação da dor vulvar persistente: (vulvodinia).Acta Obstet Ginecol Port, Coimbra, v. 10, n. 1, p. 12-14, mar.  2016.


Michele Santos. Bióloga, especialista em Saúde Pública, pesquisa e busca levar conteúdos sobre saúde e educação sexual através do projeto ‘’Conheça seu Corpo’’, nas redes sociais. Adora animais, com bastante ênfase em gatinhos e doguinhos. Não dispensa um chocolate e uma boa risada.

@santosmicheles

@conhecaseucorpo

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