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Resenha: O Minotauro

por em 12/11/2019 em Entretenimento, Notícias | Nenhum comentário

Resenha: O Minotauro

Essa resenha é uma parceria do Portal Deviante com a Cia da Letras, que disponibiliza livros do seu catálogo para os nossos redatores escreverem as resenhas. Livro de hoje: “O Minotauro: Maravilhosas aventuras dos netos da Dona Benta na Grécia Antiga”

Que delícia que foi poder reler este clássico! A turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo fez parte da minha infância, tanto na tv como na coleção de livros que minha mãe tinha em casa.

O Minotauro é a continuação da aventura Picapau Amarelo, em que Tia Nastácia desapareceu depois do casamento da Branca de Neve. Em ‘O Minotauro’, D. Benta, Pedrinho, Emília, Narizinho e Visconde vão procurar Tia Nastácia na Grécia Antiga.

Em capítulos curtinhos, de 5 páginas mais ou menos, do livro de 160 páginas, a turma do Sítio vai dando uma aula de divulgação científica! O texto, que é quase todo em formato de diálogo, é uma delícia de ler. Funciona assim, (normalmente) Dona Benta traz uma informação sobre a história da Grécia e as crianças interagem com o que a vó conta, seja acrescentando mais informações, ou comparando com a época em que o livro foi escrito.

Uma das maravilhas da escrita de Monteiro Lobato com Sítio do Picapau Amarelo é que ele trata dos assuntos mais variados da ciência. Em O Minotauro, a caminho da Grécia, os personagens discutem a influência da Grécia na nossa língua, dão exemplos de retórica e falam da influência na arquitetura. No caminho, veem um peixe voador e discutem biologia e física. É uma coisa linda de se ler essa divulgação científica.

Quando chegam na Grécia, discutem as vestimentas e comparam com o que se vestia no final da década de 1930, quando o livro foi escrito. A visão de Monteiro Lobato sobre as mudanças que o Modernismo e a modernidade traziam fica clara quando ele se refere aos homens modernos como “verdadeiras bestas de carga”, critica sua vestimenta e a arte da sua época.

D. Benta, sem ter visto todos os filmes sobre viagem no tempo que temos hoje, comete o maior erro de um viajante do tempo… conta para Péricles e Fídias sobre o futuro. Pedrinho, Emília e Narizinho não ficam atrás, contam a Fídias sobre cinema, cigarro, carros e a fórmula da água. O pobre coitado não entende nada! É maravilhosa a forma como Lobato relaciona as palavras com toda a cultura de uma época, mostrando a impossibilidade de compreensão de Fídias por não ter o acesso a coisas tão comuns no mundo das crianças como papel. Obviamente não há consequências saber sobre o futuro nessa história porque este não é o propósito dela, mas imagino que seja algo que alguém escrevendo nos dias de hoje levaria em consideração.

Continuando, D. Benta e Narizinho decidem ficar na Grécia de Péricles, enquanto Emília, Pedrinho e Visconde vão em busca de Tia Nastácia. No capítulo 10, chegam na Idade Heroica da Grécia, cheia de mitologia! Nos capítulos que seguem, nossas crianças aventureiras… bem, uma criança, uma boneca e um sabugo de milho Inteligente… vão ao Olimpo e saem em busca de Hercules, enquanto Narizinho e D. Benta vão jantar no palácio de Pericles e e conhecem várias celebridades históricas, entre as quais, Sócrates!

Depois de ver alguns feitos de Hercules e se depararem com várias figuras mitológicas, os aventureiros encontram Tia Nastácia no labirinto do Minotauro. Mas vou parar de contar a história por aqui. Quem quiser saber como eles saem do labirinto, como voltam pra casa e quem mais Narizinho e D. Benta conhecem vai ter que ler o livro.

Não sei se vocês vão lembrar da treta de alguns anos atrás (2010) sobre quererem censurar as obras de Monteiro Lobato por conteúdo racista. O livro traz, logo no começo, uma ressalva de que a viagem que faremos no tempo não se refere apenas à viagem à Grécia, mas também à época em que o livro foi escrito. O trecho chama a tenção para o fato de que o autor usa termos inaceitáveis hoje para se referir à Tia Nastácia. A literatura é o retrato de uma época e todo mundo se beneficia de uma leitura crítica, adultos e crianças. O mais legal dessa versão do livro é que ela traz Emília e Pedrinho ao final das páginas “traduzindo” algumas expressões de época, atualizando dados (como o número de habitantes na Grécia), mas também refletindo sobre as mudanças da nossa sociedade e abertamente criticando alguns pontos. Ao final ainda temos um pouco sobre a vida de Monteiro Lobato e mais curiosidades sobre o Minotauro.

Dei uma palhinha aqui do livro, mas recomendo muito que leiam para suas crianças. É uma forma deliciosamente inteligente de fazer com que se interessem por ciências. Afinal, a ciência tem que ser divertida! Se não for divertida, tem alguma coisa errada. A coisa mais divertida que tem é a ciência. :)

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