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Os impactos da Impermeabilização do Solo

por em 30/07/2020 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

Os impactos da Impermeabilização do Solo

A impermeabilização do solo é uma ação inerente ao modo de vida urbano. Seja via asfalto ou calçamento das ruas, no concreto dos pátios das casas, ou na construção da edificação. Tem um nome esquisito e impacto significativo nas nossas vidas na cidade.

Antes de começarmos, uma coisa importante: Esse texto tem relação com esse outro aqui “Você sabe Geografia?” em que me propus a discutir mais com vocês sobre as geografias cotidianas, aqui está o começo.

Definindo

Quando construímos uma edificação estamos “tampando” uma parte do terreno com a casa/prédio e etc, né? Então estamos impermeabilizando aquele solo. A impermeabilização é não deixar que a água passe por determinado lugar… Sabe quando a gente impermeabiliza o sofá? É isso, o que acontece entre o solo e a edificação.

Vou seguir no exemplo do sofá impermeável agora. Quando a gente joga a água nele, a água escorre pra outro lugar né? Uma vez que ali ela não pode mais infiltrar. Guarda isso, porquê vai ser importante pra gente.

Solos impermeáveis na cidade

Um cenário é quando temos só uma casa num terreno enorme. Pode ser que nesse terreno tenha grama, árvore, pastagem, ou qualquer outro uso que deixe a água infiltrar na terra.

Agora, vamos pensar numa chuva que só cai em cima da casa, ok?

Quando chove, a água da chuva que cai sobre a casa escorre pelo telhado e cai no chão permeável. A água da chuva então, infiltra no solo e continua o ciclo hidrológico como conhecemos.

O segundo cenário é na cidade. Pense aí, numa cidade qualquer. Várias casas, prédios, ruas asfaltadas ou calçadas. Pensou?

Centro da cidade de Juiz de Fora. Foto: Diego Gazola

Repara num detalhe, no seu pensamento tinha algum lugar onde a água poderia infiltrar?

Pois é. Vamos voltar lá pra chuva. Se chove em cima das casas, das ruas, dos prédios e não tem um lugarzinho pra água infiltrar, para onde a água vai?

Os impactos na vida urbana

Bom, a água vai arrumar um lugar pra ir. Mas nos já sabemos que é um lugar inadequado porque o natural era que ela infiltrasse.

Normalmente, junto da infraestrutura urbana existem os sistemas de drenagens que são passagens e galerias para a água de origem pluvial (da chuva). A água da chuva que corre nas ruas entra nessas galerias pelas bocas de lobo e correm até um curso d’água, rio ou córrego.

Acontece que com o crescimento da cidade muitos sistemas de drenagem não são mais suficientes para as águas pluviais. Quando foram instalados ainda existiam áreas permeáveis e então recebiam menos água. A sobrecarga desses sistemas  é uma das causas de um dos nossos maiores transtornos urbanos: as enchentes.

Os impactos para meio ambiente

Ambientalmente falando, a consequência mais óbvia é que não haverá mais recarga de aquífero, o que nos levaria a um cenário de falta de água para o abastecimento.

Além disso, a impermeabilização do solo causa o aumento do nível dos rios, uma vez que a água que antes infiltrava no solo agora corre para os cursos d’água. Outro aspecto que tange a hidrografia é que agora haverá mais sedimentos nos rios. Já que a água carrega mais material para o fundo de vale.

E agora? Quem poderá nos defender?

Infelizmente não será o Chapolin Colorado.

Existem legislações urbanas que dizem sobre quanto pode ser construído no terreno, isso é o coeficiente de aproveitamento. Se a área tem 360m² e você tem um coeficiente 1, a edificação poderá ter no máximo 360m² de área construída.

O coeficiente varia muito entre as cidades e entre as zonas da cidade. Ele está intimamente relacionado aos planos do município para uma área, conforme o plano diretor.

Infelizmente, ter ou não áreas permeáveis na cidade é uma questão cultural. Hoje isso não é valorizado nas nossas cidades. O intuito é construir em toda área que é possível.

Como nós vimos, isso tem consequenciais ambientais e também a diminuição da nossa qualidade de vida urbana. É importante que nós mudemos a nossa cultura de ocupação da cidade. A manutenção e preservação de áreas verdes na cidade pode ser uma grande aliada, além da mudança na cultura de ocupação dos próprios lotes também.

Esses são aspectos que podem ser discutidos pela população quando da elaboração ou revisão do plano diretor da sua cidade. Procure saber sobre isso e, quem sabe, você não faz o Chapolin Colorado nesse sentido e ajuda a construir uma cidade melhor para todos?

 

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