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O Sistema Internacional no descobrimento do Brasil

por em 29/01/2021 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

O Sistema Internacional no descobrimento do Brasil

Olá, moradores desse pálido ponto azul. quando escrevi este texto estávamos na época de férias escolares e o que mais me deixa feliz nesses tempos é o fato de poder me dedicar a leitura com mais afinco do que durante o ano letivo. Sempre falamos na educação sobre multidisciplinaridade ou modos em que possamos trabalhar mais de uma disciplina em um único assunto. Além da Matemágica e a ciência em geral, uma matéria que me fascina é a História. Conhecer os caminhos percorridos pelos nossos ancestrais ou de pessoas que contribuíram fortemente e influenciaram a nossa cultura é simplesmente sensacional.

Nessas férias peguei o meu Kindle (sim, sou time livro digital) e comecei a colocar algumas leituras em dia. Um desses livros era sobre história do Brasil, na verdade era a coleção Brasilis do jornalista, editor, tradutor e escritor Eduardo Bueno (Peninha) que também tem um canal no Youtube (Buenas Ideias). Ele tem uma série de livros que contam um pouco de como tudo começou nessas terras “tupiniquins”. Além de várias curiosidades históricas e da nossa língua, eu me deparei com a matemática antiga. Na verdade, com o sistema internacional, que tanto é falado nos primeiros anos de aprendizagem da matemática. Esse é um ponto interessante, pois podemos trabalhar em sala esses tipos de curiosidades que acabam passando batido.

Sabemos que as unidades de medidas, principalmente o comprimento, são utilizadas há milhares de anos antes mesmo da era cristã, e que foi se estendendo até meados do século XX. O que existia em comum naquela época era o fato de serem baseadas em dimensões do corpo humano (pé, polegar, palmo e etc).

Uma das medidas mais antigas da época era o “côvado”, utilizado no antigo Egito. Feita em um padrão, o côvado equivalia a pouco mais de 0,5 m e tinha vários submúltiplos. Sabemos que hoje o Sistema Internacional está entre nós para facilitar a vida de todos, principalmente em tempos de mundo globalizado. Precisamos de um sistema que possamos ter não só produtos como tecnologia sendo fabricadas em várias partes do mundo para se juntarem no final em uma cadeia de produção.

Depois de ler os livros do Eduardo Bueno, me senti um pouco triste, pois ele acabou sedimentando mais a minha ignorância em termos da história do Brasil. Nosso país tem particularidades que nos coloca como únicos neste mundão louco. Sei de todos os problemas que assolam nossa sociedade, mas a cada dia que passa, tenho a certeza que se conhecêssemos a nossa história, não seriamos subdesenvolvidos e seriamos um país forte com uma educação maravilhosa, o que traz uma estabilidade nos ostros aspectos (saúde, economia, segurança e etc).

Uma coisa que me fascinou logo no início (além de saber que Pedro Álvares Cabral não foi o primeiro “estrangeiro” a chegar em nossas terras, mas isso é outro papo), foi o fato de ver que aparentemente o Brasil foi até tranquilo nos seus primeiros anos. Nas primeiras três décadas os portugueses, espanhóis e franceses tiveram uma certa cautela em nossa terra (o novo pode ser assustador, não é mesmo?).

Quando Cabral se lançou com sua armada em busca de uma rota para chegar a Índia, ele navegou com 10 naus e três caravelas, o que era a maior frota que Portugal, até então, já havia enviado para o mar. O fato é que sempre ouvimos falar das caravelas e muito raramente ouvimos falar das naus que eram embarcações maiores e que foram mais utilizadas durante o período áureo das expedições marítimas. As naus (latim nave) eram as caravelas 2.0 cuja capacidade era medida pelo número de tonéis que eles levavam a bordo. O tonel nada mais era que um barril (como não lembrar do Pica Pau nas cataratas do Niágara) de 1,2m de comprimento e 80 cm de diâmetro. E, apesar de não se utilizar toneis nos dias de hoje, a palavra “tonelagem” ainda é usada para definir a capacidade de carga das embarcações.

 

Um dos instrumentos utilizados na navegação era a “Balestrilha”. Esse instrumento era utilizado para avaliar a latitude, mas à noite, permitindo a medição da “altura” das estrelas. Era constituída de duas réguas, uma horizontal com uma escala em graus e outra vertical. Quando você tinha um alinhamento entre a régua horizontal com o horizonte e a extremidade da vertical com a mesma você poderia marcar a altura da estrela em graus.

 

 

Quando as caravelas ancoraram no Brasil (Porto Seguro), as naus ficaram um pouco mais longe, onde a profundidade era maior o que dava mais segurança. Essa profundidade era de 11 braças (uns 24 metros). A Braça é também é um sistema antigo de medida linear e equivale 2,2 m. Sendo que o conjunto de 3000 braças equivale a uma légua.

O pau-brasil, que foi tanto explorado não só por portugueses, mas por espanhóis e franceses para o tingimento de roupas, foi arrancado de nossas terras sem qualquer parcimônia e fez com que essa bela árvore de centenas de anos de vida quase acabasse no primeiro século de exploração. Colombo foi o primeiro a recolher o pau-brasil em meio as florestas do Caribe, sendo assim, quando os portugueses viram nossas estrondosas árvores, eles já tinham um certo conhecimento de sua existência. As toras de pau-brasil eram levadas para Lisboa, depois para Amsterdã para serem reduzidas a pó para ser utilizado como tingimento de tecidos. Cabral levou apenas algumas toras e amostras de ferramentas dos nativos e um dado curioso foi que Cabral não permitiu que levasse nenhum nativo para Portugal, ordem expressas do rei D. Manoel. Nas derradeiras expedições subsequentes, o pau-brasil encheria embarcações cuja medida utilizada na época era o quintal, o que seria, aproximadamente, 4 arrobas ou 60 quilos – (também é o equivalente ao que ganhamos nessa quarentena).

 

 

Sabemos que todas as medidas deveriam ser bem aproximadas o famoso olhometro, mas muita coisa foi documentada e isso da para dimensionar o tanto de coisa que foi tirada de nossas terras, isso porque era só os primeiros anos. Sabemos que no decorrer dos séculos, a exploração aumentou, principalmente depois que os degradados ficaram para terem um “intercambio” com os indígenas onde foi descobertas outros tipos de riquezas.

Mas antes de finalizar o texto eu queria falar um pouco da moeda portuguesa e o paralelo com a nossa moeda. Apesar de usarem o Euro como moeda nos dia de hoje, Portugal antigamente utilizavam moedas que conhecemos muito bem por aqui.

A moeda corrente em Portugal no século XVI era o cruzado – embora a moeda conta ainda fosse o real – 400 reais perfaziam um cruzado. Um cruzado, por sua vez, equivalia a 3,5 gramas de ouro. O plural da palavra era tanto réis como reais. No século VXI, no entanto, o plural usado era “reais”… Para efeitos comparativos: o salário de um marinheiro e de um trabalhador braçal era de 10 cruzados mensais; uma nau custava 20 mil cruzados. Um escravo africano podia ser comprado por 3 mil cruzados e um escrivão de cartório ganhava 40 cruzados. A moeda franca na Europa Ocidental, naquela época, era o ducado – o equivalente ao dólar nos dias de hoje. Um ducado era igual a um cruzado… Um quintal de pimenta valia cerca de 35 ducados e um quintal de pau-brasil 2,5 ducados.  (Eduardo Bueno)

 

Espero que tenham gostado do texto, fiquem em paz e até a próxima.

 

Bibliografia:

Livro: Náufragos, Traficantes e degradados (as primeiras expedições ao Brasil) – Eduardo Bueno.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Braça

https://brasilescola.uol.com.br/historiab/pau-brasil.htm

https://suportegeografico77.blogspot.com/2018/03/pau-brasil-um-pe-de-que.html

http://igeo.ufrgs.br/museudetopografia/index.php/equipamentos/181-balestilha

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-era-a-vida-na-armada-de-pedro-alvares-cabral/

Saiba mais:

https://www.youtube.com/watch?v=xkVBdfjRYnI

https://www.youtube.com/watch?v=15pjc7l7vD0

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