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Migrações internas e as mudanças climáticas

por em 30/05/2019 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

Migrações internas e as mudanças climáticas

As mudanças climáticas são uma realidade e temos de nos planejar para lidar com os efeitos destas alterações. Quando falo em efeitos, me refiro não somente a parte estrutural, mas da parte humana também. Afinal muita gente sofre e sofrerá com as consequências das mudanças climáticas.

O Banco Mundial fez algumas projeções e o pior cenário indica que nos próximos 30 anos as mudanças climáticas farão com que mais de 143 milhões de pessoas migrem para as regiões mais densamente populosas, gerando uma crise humanitária.

A projeção se utiliza de modelos baseados na demografia, socioeconomia e dados de impacto climático. Esta projeção pode se concretizar, caso não tomemos ações efetivas contra os efeitos das mudanças climáticas, de acordo com o relatório Groundswell sobre a migração interna por razões climáticas.

O problema atinge especialmente as regiões da África subsaariana, América Latina e sul da Ásia, onde 10 milhões de pessoas podem ser forçadas a saírem de regiões que se tornarão inabitáveis por escassez de água, dificuldade para produzir alimentos, elevação do nível do mar e grandes tempestades.

Para a África subsaariana as projeções sugerem que, até 2050, 86 milhões de pessoas serão forçadas a se mudarem por dificuldade de produção de alimentos, a menos que os governos tomem ações com foco em resiliência climática e diversificação econômica.

Já o sul da Ásia poderá ver mais de 40 milhões de refugiados climáticos, enquanto a América Latina poderá ver 17 milhões. Estes migrantes climáticos se juntarão aos milhões de pessoas que migram através das fronteiras por razões sociais, políticas, econômicas e etc.

Realidade global das migrações por razões climáticas, ou seja, secas, enchentes, problemas para produção de alimento, etc.

Mapa das migrações por causas climáticas em 2017. Fonte: IBERDROLA

“Hoje temos uma pequena janela, antes de os efeitos das mudanças climáticas, para preparar o terreno para novas realidades.”afirma Kristalina Georgieva, chefe executiva do Banco Mundial, em declaração.

Ela também afirma que as cidades devem se preparar para receber estas pessoas que virão do campo e aumentar as oportunidades de educação, capacitação e empregos que pagarão os dividendos a longo prazo. É importante ajudar as pessoas a tomarem boas decisões sobre permanecer ou ir viver em outro lugar onde serão menos vulneráveis.

Nem tudo é sobre tristeza, as migrações climáticas são uma realidade, mas não precisam se tornar uma crise; ações práticas como redução da emissão de gases de efeito estufa e planos de desenvolvimento nacionais e locais podem reduzir o número de refugiados climáticos em 80 %, ou seja pouco mais de 28 milhões.

Sem planejamento e suporte adequado, as pessoas do campo que migram para as cidades podem estar sob maior risco. Podemos ver um aumento da tensão e conflitos como resultado da pressão sobre os recursos.

Há recomendações para incluir os refugiados climáticos nos planos de desenvolvimento. Algumas ações incluem análises de dados para aumentar o entendimento sobre os padrões e trajetórias das migrações internas, e redução da pressão climática sobre as pessoas e meios de subsistência em geral.

Fonte: IFLS, Banco Mundial, Repositório Banco Mundial

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