Enfim, voltamos para a nossa segunda parte da análise do capítulo III da obra “As Origens do Totalitarismo”, escrito brilhantemente pela saudosa Hannah Arendt e que, como falado na primeira parte, seu texto, mesmo sendo bastante antigo, tem inúmeras semelhanças com os tempos atuais em uma escala global.

Os movimentos totalitários dependem muito menos da falta de estrutura de uma sociedade de massa do que das condições especificas de uma massa atomizada e individualizada, podemos demonstrar isso com uma comparação do nazismo com o bolchevismo que surgiram em circunstâncias muito diversas. Ao se falar da Rússia, podemos ver que a formação de classes como as dos operários, foi um dos fatores que barrou o caminho de Stalin quando ele começou a preparar o pais para um governo totalitário, sendo então preciso antes de tudo liquidar o resto do poder que as massas ainda tinham para que seu plano tivesse sucesso total.

Um fator que perturba o pensamento lógico, mais do que a lealdade dos membros dos movimentos totalitários e o apoio popular dos mesmos, é a aração que esse tipo de movimento exerce sobre a elite. Nota-se que existe um expressivo número de pessoas ilustres que são membros registrados dos partidos totalitaristas, ou simpatizantes declarados dos mesmos.

Essa simpatia da elite é um indício importante para entender os movimentos totalitários, pois demonstra a atmosfera especifica e o clima geral que propicia o surgimento do totalitarismo, sendo importante lembrar que a idade dos líderes desses movimentos, sempre supera a dos membros das massas, fazendo com que não seja necessário aguardar que seus líderes surjam de uma sociedade de classes em declínio. Líderes esses que tem traços característicos da ralé, ao qual sua psicologia e também filosofia política são bastante conhecidos.

Uma das principais diferenças entre a elite e a ralé, na atmosfera totalitária, como citou Goebbels “a maior felicidade que um homem pode experimentar hoje, é ser um gênio ou servir a um gênio”, sendo esse um pensamento típico da ralé, que diferia muito do que pensava a massa ou a elite simpatizante. Essa elite, levava muito a sério a questão do anonimato, a ponto de negar seriamente a existência do gênio, sendo que todas as teorias de arte da época se alicerçavam na questão do esforço, e não do talento, divergindo da ralé, que era fascinada pelo poder da fama e a idolatria na pessoa de um gênio.

Frente a essa diferença, a elite se deleitava sempre que o submundo forçava a sociedade respeitável, por meio do terror, a aceita-lo em pé de igualdade, concordando em pagar o preço, que era a destruição da civilização, apenas pelo prazer de ver como aqueles que antes foram excluídos, agora voltavam em uma posição de poder com força e determinação inigualável. Essa questão sempre foi muito importante, pois os que foram rejeitados em sua época eram geralmente esquecidos da história, e com isso, a elite sentiu o sabor de sua perpetuação na sociedade, tendo um meio de introduzir a força na lembrança futura, os que foram excluídos.

Assim, a aliança temporária entre a elite a ralé, se baseava basicamente nesse prazer genuíno com que a primeira assistia a destruição da respeitabilidade da segunda, o que ocorreu por exemplo na Alemanha, com Adolf Hitler, quando o mesmo obrigou os barões do aço a receberem a ele e sua comitiva, sendo o mesmo um pintor de paredes e fracassado confesso. Nesse sentido pode-se ver que os movimentos totalitários cometeram fraudes grosseiras em todos os campos da vida intelectual, reunindo elementos da história europeia num conjunto que parecia fazer sentido, apenas para legitimar as suas ideias extremistas.

Essa aversão da elite pela história oficial, se deve a convicção de que nada impedia que a história, após ser fraudada, fosse usada como artimanha para alguns lunáticos que acreditavam na possibilidade de que as gigantescas mentiras contadas viessem a se transformar em fatos incontestáveis, dando a possibilidade do homem mudar de forma livre o seu passado, conforme a sua vontade. O que realmente fascinava certos lideres, era que do ponto de vista factual e intelectual, com a fraude nos pontos de vista da história, poderiam legitimar as suas ações com a benção do próprio passado, sustentando mentiras que dariam embasamento para suas ações.

É bastante curioso a atração que movimentos totalitários exercem sobre a elite, mesmo enquanto ainda não houvessem tomado o poder, porque as doutrinas divulgadas são visivelmente vulgares, arbitrarias e dogmáticas, porém mais visíveis para o espectador que observa de fora. Esse tipo de doutrina se afasta tanto dos padrões intelectuais e morais, que são geralmente aceitos, que se podia apenas concluir que existia um defeito básico, inerente do caráter do intelectual, ou um doentio ódio do espírito humano contra si mesmo.

Então, em um cenário onde todos os valores e proposições tradicionais tenham evaporado ficou mais fácil aceitar proposições absurdas do que as antigas verdades que haviam virado banalidades, exatamente porque não se esperava que qualquer pessoa levasse a sério essas teorias irreais. Nesse crescente triunfo das atitudes e convicções da ralé, que nada mais eram do que as atitudes burguesas disfarçadas, ocorre o repudio dos padrões respeitados, e das teorias aceitas, com um amplo reconhecimento do que existia de pior e ao fazer isso, se passando como um modelo de bravura e novo estilo de vida.

Desde que a burguesia começou a afirmar que era a detentora das tradições ocidentais, confundiu todas as questões morais exibindo em público virtudes que não só se incorporavam na vida privada e nos negócios, mas sim as desprezando, fazendo parecer revolucionário admitir a crueldade e o descaso pelos valores humanos, pois isso pelo menos destruía a duplicidade sobre a qual a sociedade existente ainda parecia repousar.  Era muito tentador assumir atitudes extremas, colocando publicamente no rosto a máscara da maldade enquanto todos ainda fingiam ser bondosos, e ostentar essa maldade em um mundo que ainda ia contra isso.

Ninguém poderia imaginar, entretanto, que a vítima dessa ironia seria a própria elite e não a burguesia, que ao começar a ter sucesso desmentiria a face de uma minoria revolucionaria e demonstraria que ela buscava exprimir um novo espírito de massa, que era o espírito de seu tempo. Os movimentos artísticos de sua época tiveram grande importância para a legitimação desses movimentos ao colocar os temas em voga dentro do ambiente artístico, gerando discussões, mesmo que as vezes o extremo oposto do que seria a ideia original.

Existia então um forte apelo da falsa pretensão dos movimentos totalitários em terem abolido a separação entre a vida pública e a vida privada, e de haverem restaurado no homem, uma totalidade misteriosa e irracional, que tinha muito a ver com a atração que a elite sentia pela ausência de hipocrisia da ralé e pela ausência de interesse das massas por si mesmas. Essa separação entre a vida púbica e a vida privada nada tem a ver com a justa separação entre essas esferas mas sim reflete a luta entre os burgueses que usavam e julgavam toda a instituição pública conforme os seus interesses privados e os cidadãos responsáveis que se preocupavam com as coisas públicas de interesse de todos.

Ocorreu então a estranha união entre a ralé e a elite com a coincidência de suas aspirações que se originaram do fato de que essas duas camadas haviam sido ambas as primeiras a serem eliminadas da estrutura do estado nação e da estrutura da sociedade de classes. Uma encontrou a outra com tanta facilidade, embora de forma temporária, porque ambas representavam o destino de sua época, que seriam seguidas por massas sem fim e que mais cedo ou mais tarde, a maioria do povo Europeu estaria junto a eles.

Ambas, nesse caso, estavam enganadas como se viu depois, uma vez no poder o totalitarismo, logo aprendeu que não eram só as camadas da ralé que tinham espírito de iniciativa, e que, de certa forma, esse espírito podia ameaçar o domínio total do homem. A falta de escrúpulos também na era privilegio da rale, que podia ser ensinada rápido, porém, a máquina impiedosa do estado de domínio e extermínio as massas coordenadas pela burguesia tinham sido capazes de crimes ainda mais hediondos do que os cometidos pelos chamados criminosos profissionais.

Porém, somente a ralé e a elite podem ser atraídas pelo ímpeto do totalitarismo, a massa em geral tem que ser conquistada pelo advento da propaganda, que é um meio muito importante de influência de regimes totalitários. Sob um governo constitucional, onde ainda existe liberdade de opinião, os movimentos totalitários somente podem usar o terror até certo ponto, e tem que como qualquer outro partido, parecer plausível aos olhos do público que ainda não foi isolado de outras fontes de informação.

Nas nações totalitárias a propaganda e o terror parecem fazer parte das duas faces de uma mesma moeda, porque o totalitarismo quando o totalitarismo já detém o poder absoluto, ele substitui a propaganda por doutrinação, e emprega o terror e a violência não mais para assustador a população, mas sim para das realidade as suas doutrinas ideológicas e as suas mentiras utilitaristas. Esse propaganda é muito importante para legitimar os interesses dos líderes e destruir qualquer possibilidade de oposição frente a seus interesse, e é usada para demonstrar que suas teorias estão corretas, acima de qualquer sinal de verdade.

Porém, por esses regimes totalitários existirem em um mundo que não é totalmente totalitário, eles recorrem a propaganda, que é dirigida a um público de fora, podendo ser as camadas não totalitárias da própria nação ou mesmo países não totalitários do exterior. Porém ela ainda pode ser dirigida a população que está sobre o regime, com a intenção de reafirmar a doutrinação e não deixar que dissidentes possam atrapalhar em seus planos de dominação total da sociedade.

Essa relação entre propaganda e doutrinação depende do tamanho do movimento e também da pressão externa, porque quanto menor o movimento mais energia será necessária para a propaganda, e também quanto maior for a pressão exercida pelo mundo exterior mais ativa será a propaganda totalitária. O fato é que as necessidades da propaganda são sempre ditadas pelo mundo exterior, porque por si mesmos, os movimentos não propagam, eles apenas doutrinam.

A propaganda é uma parte importante da guerra psicologia, porém o terror é mais, mesmo depois de ter atingido o seu objetivo psicológico, o regime totalitário continua a empregar o terror, o verdadeiro problema maior é quando esse terror é exercido sob uma população que já está totalmente subjugada. Nesse sentido, pode-se falar de um reino de terror que atingiu a perfeição, como nos campos de concentração nazista, onde a propaganda já não era mais necessária, mas até mesmo proibida, dito isso, pode-se entender que a propaganda é apenas um instrumento do totalitarismo para enfrentar o mundo exterior, porém o terror, é a própria essência da sua forma de governo.

O que caracteriza essa propaganda totalitária melhor do que as ameaças diretas e os crimes contra indivíduos é o uso de insinuações indiretas, veladas e ameaçadoras contra todos os que não derem ouvidos aos seus ensinamentos seguidos de assassinatos igualmente contra os culpados e inocentes. A propaganda totalitária também apresenta um forte ênfase a natureza cientifica das suas afirmações, que tem sido comparadas a certas técnicas publicitárias igualmente atraentes para as massas em geral.

Esse cientificismo, totalmente ideológico, foi aperfeiçoado pelo totalitarismo tornando a técnica de fazer afirmações proféticas muito evoluído, chegando a um grau de eficiência nunca antes visto, tornando o argumento independente de verificação no presente, e afirmando que só o futuro revelará os verdadeiros méritos. Porém, os regimes totalitários apenas aperfeiçoaram essa técnica, não a criaram, pois isso tem sido empregado de modo universal na política moderna, tanto que chegou a ser identificado como sintoma mais real da obsessão com a ciência que caracterizou o ocidente desde o florescimento da matemática e da física no século dezesseis.

A propaganda totalitária aperfeiçoou as técnicas da propaganda de massa porém não inventou os seus temas, esses foram preparados pelo imperialismo e pela desintegração do estado nacional, quando a ralé adentrou o cenário político europeu. Os líderes dos movimentos totalitários tinham um modo infalível de distinguir tudo aquilo que a propaganda partidária comum, ou a opinião pública evitava ou não ousava abordar, tudo aquilo que era oculto ou mantido em segredo adquiria um grande valor.

Justamente a eficácia desse tipo de propaganda evidencia uma das principais características da massa moderna, eles não acreditam em nada visível, nem na realidade da sua própria existência, confiam apenas em sua imaginação que pode ser seduzida por qualquer coisa que seja ao mesmo tempo universal e congruente em si.  O que realmente convence a massa não são os fatos, mesmo que sejam fatos inventados e mentirosos, o que realmente convence a massa é a coerência do sistema do qual esses fatos partem.

Essa massa de certa forma é obcecada pelo desejo de fugirem da própria realidade porque, ao serem privadas de um lugar no mundo, já não podem suportar os aspectos acidentais e incompreensivos dessa situação, sua ânsia pela ficção também tem relação com aquelas faculdades do espírito humano cuja coerência estrutural transcende a mera ocorrência. Fugindo de sua realidade as massas pronunciam um veredicto contra um mundo ao qual são forçados a viver e de onde não podem existir, uma vez que o acaso é o senhor supremo desse mundo, e os seres humanos tendem a transformar essas situações de caos e violação em situações mais humano, de relativa coerência.

Já falando sobre as formas de organização totalitária, em contraposição com o seu real conteúdo ideológico, os motes da propaganda são completamente novos, pois visam dar as mentiras propagandistas do movimento, asseguradas por uma ficção central, a realidade operante onde membros pautem a sua vida baseado em um mundo fictício. Justamente essa ficção, que é o que legitima os discursos totalitaristas do líder, que pauta toda sal confiança em demandas que não são verdadeiras, mas são usadas para influenciar a massa e tornar as violações legitimas, podendo ser usado como exemplo a suposta conspiração judia para dominar o mundo, a qual Hitler foi chamado para coibir, dando uma justificativa para o seu genocídio.

Quando um movimento, internacional em sua organização, universal em seu alcance ideológico e global em suas aspirações políticas, tomam o poder em um único pais, coloca-se automaticamente em uma situação contraditória. O movimento socialista, como exemplo, escapou dessa crise, porque a questão nacional, foi completamente negligenciado por Marx e Engels, pois quando chegou o momento da tomada do poder sem seus respectivos países, os movimentos socialistas já eram movimentos nacionais.

Ocorre então essa ambivalência entre o governo e o movimento com um paralelo entre a pretensão totalitária e o poder limitado num território limitado, entre a participação ostensiva na comunidade das nações, e a pretensão de domínio mundial. Dessa forma o líder totalitário enfrenta duas tarefas que podem parecer bastante contraditórias, tem de estabelecer o mundo fictício do movimento como realidade operante de cada dia, e tem também que evitar que o mundo adquira nova estabilidade, pois a estabilização de suas leis e instituições certamente liquidaria o próprio movimento.

A história ensina que a subida ao poder e a posição de responsabilidade, normalmente vem a afetar profundamente a natureza dos partidos revolucionários, pois com a chegada ao poder perde-se aos poucos o ímpeto revolucionário e o caráter utópico de suas ideologias, afinal, parece ser da natureza das coisas que as metas extremas sejam refreadas pela objetividade e a realidade como um todo dificilmente é determinada pela tendência a ficção de uma massa de indivíduos atomizados. E muitas vezes por esses motivos, é que se esperou que os regimes totalitaristas partissem depois de um espaço de tempo, a normalização, com a criação de regras e normas que levariam a sociedade a um caminho democrático novamente o que se mostrou uma esperança vazia.

O que mais chama a atenção de quem observa o estado totalitário, não e a sua estrutura monolítica, pois todos concordam que em um governo totalitário sempre se exerceu uma dupla autoridade entre o partido e o estado, que pode ser definida como uma relação entre uma autoridade aparente e uma autoridade real, de modo que muitos descrevem a máquina governamental do regime totalitário como uma fachada para esconder e disfarçar o verdadeiro poder do partido.

Essa divisão pode ser vista em regimes como o da Alemanha nazista, onde todos os níveis da máquina administrativa eram submetidos a uma dupla verificação de órgãos, ocorrendo também na Rússia que exercia esse dúplice autoridade em seu regime.

A duplicação de órgãos e a divisão de autoridade, a existência de um poder real e de um poder aparente já são suficientes para causar uma grande confusão porém não explicam as peculiaridades de toda essa estrutura. Mesmo na fase anterior ao poder os movimentos totalitários já representavam aquelas massas que não queriam viver em qualquer tipo de estrutura, massas essas que começavam a se mover para transpor as barreiras legais e geológicas impostas pelo governo.

Essa duplicação, que aparentemente resulta do problema suscitado pelo relacionamento entre o partido e o estado em todas as ditaduras unipartidárias, apenas o principal sintoma de um fenômeno mais complicado, melhor definido como multiplicação de órgão e não duplicação. Os próprios nazistas não se contentaram em criar regiões dentro de um país, mas ainda sim introduziram mais uma série de outras divisões geográficas, que nem faziam sentido para a organização do regime.

Tecnicamente falando, o movimento dentro do aparato de domínio totalitário deriva a sua mobilidade do fato de que a liderança está continuamente transferindo o verdadeiro centro do poder, muitas vezes para outras organizações, mas sem dissolver e nem mesmo denunciar publicamente os grupos cuja autoridade foi eliminada.  Essa constante divisão, sempre alterada, entre a verdadeira autoridade secreta e a representação franca e ostensiva, fazia da verdadeira sede do poder um mistério por definição, a tal ponto que sequer os membros do círculo governamental jamais poderiam estar totalmente seguros quanto a sua própria posição na secreta hierarquia do poder.

A multiplicação de órgãos era extremamente útil para a constante transferência do poder, além disso, quanto mais tempo um regime totalitário permanece no comando, maiores se tornam o seu número de órgãos e a possibilidade de locais que dependem exclusivamente do movimento, uma vez que nenhum cargo é abolido quando a sua autoridade é liquidada. O próprio regime nazista tem essa multiplicação inicial como uma coordenação de todas as associações, sociedades e instituições existentes, sem que essa coordenação implicasse em incorpora-las as organizações partidárias.

Agora, se considerarmos o estado totalitário apenas como um instrumento de poder, e deixarmos de lado essas questões de eficiência administrativa, então o seu amorfismo passa a ser um instrumento ideal para a realização do chamado princípio de liderança. A constante rivalidade entre os órgãos, cujo as funções não apenas se sobrepõem, mas que são encarregadas das mesmas tarefas, e apenas existem devido ao poder totalitarista, quase não permitem que a oposição ou a sabotagem venham ser eficazes, devido a rápida mudança de ênfase que relega um órgão ao esquecimento, quanto rapidamente promove outro a seu nível de autoridade, resolvendo todos os problemas sem que ninguém sequer perceba qualquer mudança.

Mesmo o princípio de líder não estabelece nenhuma hierarquia no estado totalitário, assim como também não faz no movimento totalitário, a autoridade não se filtra de cima para baixo através de todas as camadas intermediarias até a base da estrutura política, como no caso dos regimes autoritários. A razão para isso é que não há hierarquia sem autoridade e a despeito dos muitos erros de interpretação cometidos em relação a personalidade autorizaria, o princípio de autoridade é diametralmente oposto em seus efeitos ao princípio do domínio totalitário.

Para melhor explicar isso, podemos dizer que o regime autoritário visa em seu âmago restringir ou limitar a liberdade dos que estão sobre o seu domínio, porém nunca aboli-la completamente. Já o domínio totalitário visa a abolição total da liberdade, e até mesmo a destruição da espontaneidade humana, e não somente a simples restrição, por mais tirânica que seja, da liberdade.

Baseado nessas reflexões, que são importantes para entendermos nosso passado, presente e futuro, deixo mais uma vez o espaço aberto para a terceira parte dessa análise, que vem para encerrar as discussões sobre esse tema, pelo menos no presente momento. Como diz o famoso ditado, temos que entender nossa história para que não estejamos fadados a repetir os fatos ruins que aconteceram na humanidade.