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A ciência básica está desaparecendo das revistas médicas

por em 12/02/2016 em Ciência | 3 comentários

A ciência básica está desaparecendo das revistas médicas

Recente estudo descobre importante declínio no número de trabalhos acadêmicos sobre ciência básica em revistas médicas consagradas nos últimos 20 anos.

Nos longos seis anos de formação médica no Brasil, a ciência básica é ensinada no início da faculdade – geralmente nos dois ou três primeiros anos – e forma a base para raciocínio clínico essencial na vida do profissional de saúde.

“Este rápido declínio nas publicações de ciência básica é capaz de afetar a compreensão dos médicos e seu interesse nos mecanismos básicos da doença e os tratamentos”, alertou Dr. Warren Lee, principal autor do estudo publicado na edição de fevereiro da FASEB Journal.

Perguntas como “Se o declínio continuar poderia a ciência básica realmente desaparecer das páginas de revistas médicas?”, preocupam médicos renomados como Dr. Lee, que além de liderar a pesquisa, é médico na UTI do Hospital St. Michael e cientista do Keenan Research Centre for Biomedical Science.

A ciência básica é a área de conhecimento que examina as células e moléculas para entender melhor as causas e os mecanismos da doença. Ela difere da pesquisa clínica, que inclui ensaios clínicos de medicamentos e estudos epidemiológicos.

Dr. Lee e sua equipe fizeram um levantamento no Pubmed, o principal banco de dados de pesquisa médica, para identificar artigos sobre ciência básica publicados no período de 1994-2013 nas revistas de maior impacto em especialidades médicas como a cardiologia, endocrinologia, gastroenterologia, doenças infecciosas, nefrologia, neurologia, oncologia e pneumologia.

inception

Um estudo sobre estudos. Parece “Inception”, mas as conclusões afetam a formação médica.
Fonte: https://www.drupal.org/project/inception

Enquanto não houve declínio em dois dos jornais (Diabetes Care e Journal of the American Society of Nephrology), nas seis revistas restantes, a quantidade de ciência básica caiu de 40 a 60%.

Os pesquisadores especulam que pode ser em parte devido ao fato de que os artigos de investigação clínica – aquelas com medicamentos, placebos e grandes populações – são citados por outros pesquisadores com mais frequência, aumentando ainda mais a importância do próprio artigo. O número de vezes que um artigo é citado contribui para o “fator de impacto” de uma revista que indica a sua importância relativa no meio médico. Acontece de forma semelhante quando um site indica outro site (ou o próprio) em seu post.

O afastamento da ciência básica de revistas médicas coincide com a ascensão de outras formas de pesquisas médicas, como a epidemiologia e educação, e mais recentemente, qualidade do atendimento e ética. Além disso, é perigoso, pois leva o médico a acreditar – e não questionar – em representantes de empresas farmacêuticas, quando estes abordam o profissional de maneira pouco científica.

retrovirus

Às vezes não é tão divertido assim, mas a ciência básica na formação médica é essencial para compreender doenças e tratamentos de forma adequada.
Fonte: http://dna-protein.blogspot.com.br/2011/10/virus-vs-retrovirus.html

O declínio dessas publicações preocupa o Dr. Lee, porque médicos em formação (residentes), com pouco contato com a ciência básica, vão considerar esta área do conhecimento irrelevante. Isso gera um ciclo vicioso, pois se os médicos residentes pensam que a pesquisa nesta área é desinteressante, não vão considerá-la como parte de seu treinamento. Pontua ainda o líder da pesquisa que, avanços científicos nos levam a uma medicina cada vez mais personalizada, onde os médicos serão capazes de compreender exatamente o que está errado com cada paciente e adaptar o tratamento individualmente (tudo a nível bioquímico ou molecular).  Mas tudo isso depende da compreensão da ciência básica de todos os mecanismos.

Somente com a ciência básica os pesquisadores – e consequentemente os pacientes – podem avançar com resultados promissores (e polêmicos): Como gerar um bebê com material genético de 3 pessoas diferentes  e Cientistas recebem autorização para alterar genes de embriões humanos

Fonte: Sciencedaily

 

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