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As ameaças à biodiversidade do Cerrado (SPIN 1099)

por em 18/11/2020 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

As ameaças à biodiversidade do Cerrado (SPIN 1099)

O cerrado é o segundo maior bioma da América Latina e ocupa cerca de 22% do território nacional, mas é cercado de várias ameaças à preservação de sua biodiversidade.

Sua área inclui os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal. Também existem encraves no Amapá, Roraima e Amazonas. Uffa! É um pedação de chão, né?

O cerrado é considerado uma área muito relevante mundialmente quando falamos de biodiversidade, já que existem muitas espécies endêmicas. O endemismo é quando uma espécie de ser vivo só ocorre naquele lugar, e em nenhum outro do mundo. O cerado é um bioma incluído em um dos 34 hotspots mundiais para conservação da biodiversidade, que baseia-se em dois critérios: grau de endemismo e grau de ameaça.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, já foram catalogadas 11.627 espécies de plantas nativas no cerrado, o que faz dele a savana mais rica do mundo. Quanto aos animais, 199 espécies de mamíferos, 1200 espécies de peixes, 180 de répteis e 150 de anfíbios são conhecidas no cerrado. Mas não podemos esquecer da avifauna, que é notável. 837 espécies de aves são encontradas por lá.

Bom, isso tudo é só para contextualizar vocês sobre a importância de falar sobre as ameaças ambientais que cercam o cerrado.

Segundo um levantamento do IBGE, divulgado no início de novembro, o Cerrado tem 1061 espécies de animais e plantas ameaçadas de extinção. 19,7% das espécies em extinção no Brasil ocorrem nesse bioma.  A pesquisa é baseada em dados do Ministério do Ambiente que foram organizados pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio) e pelo Centro Nacional de Conservação da Flora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (CNCFLORA/ JBRJ). Os dados são de 2014, o que significa que podem não representar com exatidão o cenário atual. Entretanto, servem de um grande alerta.

E então, o que ameaça tanto esse bioma que é super importante para nós?

Vamos pensar desde a construção da capital federal, em que a ideia era centralizar a ocupação do país. Pois muito que bem, qual o bioma que está mais ou menos centralizado no nosso território? Nosso lindo cerrado.

Logo, esse processo de ocupação da região central do país potencializado pela construção de Brasília levou a perda de 50% da cobertura vegetal do cerrado (como apontado por Leonardo Bergamini). O IBGE mostra que entre 2000 e 2018 o cerrado perdeu 152,7 mil km² de cobertura natural, a segunda maior perda do país – ficando atrás da Amazônia.

Outra ameaça ao cerrado é a fronteira agrícola. A expansão de áreas para cultivo de monoculturas e pecuária de extensão tem grande contribuição para a perda da biodiversidade local. Quando se prepara um pasto, plantam-se gramíneas exóticas como a braquiária que invadem as áreas de cerrado competindo e excluindo espécies nativas e aumentando a incidência do fogo.

E por falar em fogo, vivemos recentemente o país em chamas. O fogo é um elemento natural da ecologia do Cerrado. Porém, contudo, todavia, entretanto o fogo vem sendo usado de modo descontrolado para caça e manejo do solo. Essas chamas podem sair do controle e, como vimos recentemente são uma ameaça fortíssima à biodiversidade. Segundo dados do Inpe, em 2019 foram detectados quase 1,5 milhão de focos de incêndios no bioma, em sua maioria nos estados de Tocantins (23,1%), Maranhão (19,1%) e Matogrosso (18,4%).

Conseguimos perceber o nível da ameaça que atinge o cerrado. Esse bioma que é lindo, riquíssimo, de paisagens exuberantes. É importante a gente entender quais são as ameaças para que possamos agir de modo eficaz para a preservação, conservação e recuperação dessa área que é tão cara para nossa população.

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