Pages Menu
TwitterRssFacebook
Categories Menu

Star Wars – The Last Jedi: minorias, representatividade e porque estamos em 2018

por em qui 11America/Sao_Paulo jan 11America/Sao_Paulo 2018 em Ciência, Entretenimento, Notícias | 9 comentários

Star Wars – The Last Jedi: minorias, representatividade e porque estamos em 2018

[…dois casais discutiam sobre Star Wars – The Last Jedi. As palavras a seguir são um relato dessa conversa…]

Em 2015, Justin Trudeau foi empossado como primeiro ministro do Canadá. No ato de sua posse, cumpre as promessas realizadas durante sua campanha ao cargo e anuncia sua composição ministerial. Entre seus quadros, quinze homens e quinze mulheres, além de políticas e políticos declaradamente homoafetivos, indígenas, portadores de necessidades especiais e pertencentes a religiões de matriz não-cristã. Explica que nessa composição o gabinete finalmente “- parece com o Canadá” [1]. Um repórter questiona por que Trudeau considera importante compor um governo igualitário em termos de representatividade. Sua resposta é curta, irônica e certeira:

“Because it’s 2015”

Em 14 de dezembro de 2017, estreou no Brasil Star Wars – The Last Jedi. Embora as críticas positivas tenham pequena vantagem, ficou claro que o roteiro do filme é considerado, para dizer o mínimo, controverso para parcela significativa dos fãs. Entretanto, nossa motivação para escrever este texto não está relacionada diretamente às críticas envolvendo os rumos da história. Avaliações boas ou ruins sobre a trama, comentários acerca da coerência ou lógica interna do roteiro em relação aos filmes anteriores ou ao universo expandido de Star Wars, fazem parte das expectativas e dos afetos direcionados ao filme, sendo igualmente legítimas e necessárias ao bom debate.

Desse modo, as palavras que se seguem dirigem-se às críticas sobre a composição do elenco principal do oitavo episódio da filmografia. Aqueles que já haviam criticado o episódio VII, Star Wars – The Force Awakens, pela escolha de uma protagonista mulher e de um protagonista negro, se mostraram, nas redes sociais, ainda mais revoltados com Star Wars – The Last Jedi e a presença significativa de minorias enquanto personagens centrais da trama ou exercendo papel de destaque ao longo de todo o enredo. São críticas de uma parcela pequena de fãs, é verdade. E que parece ter aumentado de tamanho desde The Force Awakens, também é verdade.

A diferença entre a magnitude da desaprovação do elenco de The Last Jedi em comparação com o filme anterior é notável, com direito a crescentes comentários extremistas publicados nas mais diversas plataformas digitais de comunicação – desde Twitter e Facebook, passando por abaixo-assinados virtuais pedindo a exclusão de The Last Jedi do universo cânone de Star Wars. A classificação do público no Rotten Tomatoes é próxima dos 51%. O grupo de direita Down With Disney’s Treatment of Franchises and its Fanboys, entre muitos comentários machistas e racistas, afirma ter reduzido artificialmente a nota através do uso de bots.  [2]

A título de ilustração, reproduzimos abaixo a publicação de conhecido colunista brasileiro sobre o filme.

Tolero. É digno de nota como o verbo tolerar adquire aqui conotação muito próxima a consentir, como se para existir houvesse a necessidade de pedir permissão. E como um suposto Chubaca vegetariano é utilizado como pretexto para apontar uma, também suposta, Resistência sob dominação feminista (seja lá o que isso for). Mas talvez estejamos superinterpretando suas palavras e fugindo dos objetivos do texto.

A questão é que, em Star Wars – The Last Jedi, assistimos, por exemplo, uma atriz asiática e um ator negro que, apesar de explorarem um arco paralelo ao núcleo principal do filme, não estão ali desempenhando papéis secundários para a trama ou de sidekicks. Pelo contrário. São elementos fundamentais do seu desenvolvimento, apresentando e problematizando alguns dos conflitos sociais decorrentes das guerras galácticas e que até então foram mostrados de forma muito mais sutil nas duas trilogias anteriores.

De um modo geral, The Last Jedi ostenta mulheres em posições de comando e protagonizando extensos (e intensos) diálogos e que não estão ali apenas para serem salvas ou se casarem no final com o herói da aventura, como uma espécie de prêmio ou recompensa aos feitos varonis. E sejamos precisos: os personagens masculinos e brancos no filme não sofreram um rebaixamento de status, execração, ou deslocamento para papéis inferiores ou inferiorizados. Não se trata de uma ode à misandria. Eles apenas figuram lado a lado com personagens de igual complexidade, profundidade e relevância interpretado por pessoas que constituem minorias.

E por que dar relevância às minorias é importante? Bem, aqui precisamos fazer uma discussão um pouco mais conceitual. Largamente utilizado pelo público em geral, o conceito de minoria política frequentemente aparece desacompanhado do adjetivo “política”. Essa omissão, por mais inocente que possa parecer, permite uma interpretação equivocada do seu sentido original. Minoria é um termo quantitativo, e oposto ao termo maioria. Minoria política, por outro lado, é um conceito qualitativo e refere-se à sub-representação política de determinados grupos no interior das democracias (e suas consequências). E “representação”, como vocês já devem ter percebido, é a nossa palavra-chave.

Vejamos o caso do Brasil. Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015, a composição da população segundo o sexo foi de 51% para mulheres e 48,5% para os homens. No mesmo ano, pretos e pardos representavam 54% da população brasileira [3]. Nesses termos, não faz sentido afirmarmos que mulheres ou negras e negros componham minorias no país. Entretanto, essas mesmas pessoas compõem o que definimos aqui como minorias políticas. A proporção presente na sociedade brasileira não corresponde à proporção encontrada nas instâncias representativas e deliberativas do país, isto é, no senado, na câmara dos deputados, nos ministérios, em câmaras de vereadores, etc., e isso é visível. Em 2016, as mulheres e auto declarantes negros ocupavam, respectivamente, cerca de 10% a 20% do parlamento, uma distância significativa da composição da sociedade como um todo. Em termos práticos, essa baixa representatividade indica, ou mesmo, explica o motivo de termos tão poucas políticas públicas orientadas para a diminuição da desigualdade social, de gênero e raça no Brasil. Afinal, como confirmado pelas diretivas gerais, propostas, projetos aprovados ou em pautas até o presente momento, os interesses dessas populações não encontram eco nos parlamentares que deveriam representa-las.

Para termos uma ideia do grau de vulnerabilidade das minorias políticas, segundo a mesma publicação do IBGE, ainda em 2015, sete em cada dez pessoas negras e pardas moravam em condições precárias, somente 12,8% cursavam ensino superior, e 75,5% estão entre os 10% com menores rendimentos (recebendo cerca de um salário mínimo por mês). Sobre as mulheres, seu rendimento é 34% inferior à renda dos homens, apenas 4,7% das mulheres estão nos cargos de gerência ou direção entre o total de ocupados com 25 anos ou mais de idade e ainda recebem cerca de 68% do rendimento médio dos homens ocupando os mesmos cargos de chefia.

Quando pensamos em termos de violência, os grupos minoritários se destacam (no pior sentido da palavra). Embora os dados de agressão e assassinatos apontem para um número absoluto maior de homens vítimas, o que propomos pensar para este texto se resume em como alguns atos violentos são motivados pela condição específica da vítima, e não a partir de contextos momentâneos e genéricos, como no caso dos conflitos armados, assaltos individuais, brigas de rua, etc. Em outras palavras, buscamos argumentar como mulheres, negros, negras e outras minorias políticas sofrem com agressões particulares motivadas pelo simples fato de se apresentarem no mundo como são e, com isso, se verem rendidos por uma série de preconceitos e sujeições. O gráfico a seguir demonstra alguns dados importantes:

De acordo com a publicação Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil [4] – documento produzido por um conjunto de organizações internacionais entre elas a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) –, “entre 2003 e 2013, o número de vítimas do sexo feminino passou de 3.937 para 4.762, incremento de 21,0% na década. Essas 4.762 mortes em 2013 representam 13 homicídios femininos diários”. Além disto, ainda segundo o relatório, se considerado o fator raça, “com poucas exceções geográficas, a população negra é vítima prioritária da violência homicida no País. As taxas de homicídio da população branca tendem, historicamente, a cair, enquanto aumentam as taxas de mortalidade entre os negros. Por esse motivo, nos últimos anos, o índice de vitimização da população negra cresceu de forma drástica.” [4]

Portanto, tratar a questão das minorias políticas com a devida importância não é apenas um tema “politicamente correto” e não se resume somente às desigualdades de sexo, renda e raça. Envolve as questões particulares dos portadores e portadoras de necessidades especiais; das populações indígenas; de pessoas homoafetivas; transgêneras; de idosas e idosos, etc. Envolve todos sub-representados e privados de leis de proteção mínimas e políticas públicas específicas que diminuam a desigualdade e vulnerabilidade socioeconômica desses grupos, bem como em relação à exposição dessas pessoas a contextos violentos. Fica a provocação: o que se tem feito para amparar travestis e transexuais no país, já que vergonhosamente lideramos o ranking mundial de assassinatos de pessoas trans? Quantos transexuais temos ocupando nosso parlamento? É só fazer a conta…

Além do mais, a questão da representatividade não se resume somente à faceta mais institucional da política. Conquistar e garantir direitos para todas e todos cidadãos é tarefa árdua e contínua que, sem dúvida, se faz eficiente quando aglutina e enfatiza uma diversidade de vozes e contextos. Porém, há algo de subjetivo em torno da representatividade. Algo que transforma o imaginário. Algo potencializador das lutas cotidianas, que inspira novos tempos, mais inclusivos e menos excludentes. É o poder de sentir-se representado e, com isso, pertencente àquele mundo ou àquela sociedade.

E é neste sentido que Star Wars – The Last Jedi também não pode ser entendido apenas como um filme politicamente correto. No fundo, trata de expressar digna e minimamente a diversidade que seu universo contém, e, em contra partida, refletir sobre a nossa pluralidade, reles humanos mortais, sem Força e sem sabre de luz. Parafraseando o primeiro ministro canadense, trata-se de deixar o elenco e protagonismo de Star Wars parecido com a diversidade que encontramos em um universo – inteiro. Inclusive, uma das constantes da franquia Star Wars é justamente a de mostrar a convivência de diversas espécies alienígenas, inteligentes ou não, mesmo que essa própria diversidade nunca tenha sido tratada como tema central, ou mesmo lateral, no interior das tramas.

É por isso que as críticas sobre a multiplicidade étnica e de gênero retratadas no filme contém duas ironias avassaladoras. A primeira, mais óbvia, é que estamos falando de um longa-metragem sobre povos e planetas espalhados por galáxias, então, por natureza, ele deveria ser multi-étnico. E, por incrível que pareça, a novidade que arrepiou os mais raivosos é ver mulheres e negros como personagens importantes do enredo. Ora, por que não seriam essas pessoas os heróis e heroínas desta trama, já que nos debruçamos em um universo tão criativo e diverso?

A segunda ironia reside na relação entre um dos plots do filme e os comentários racistas, xenofóbicos e misóginos. Existe, entre os adoradores de Star Wars, uma disputa geracional relevante. Se pensarmos que o primeiro filme da saga data de 1977, temos aí quarenta e um anos de admiração, teorias, action figures e cosplays de Princesa Leia. Ao que nos parece, as análises mais perversas sobre The Last Jedi e seu casting variado reflete uma sociedade ultrapassada, na qual parte dos fãs mais antigos viveu e para a qual alguns novatos insistem em querer retornar. Uma sociedade insensível e cruel, cujos valores morais mais arcaicos e de matriz escravocrata, via mulheres, negros, homossexuais, transgêneros, portadores de deficiência, indígenas e uma sorte de minorias políticas, como seres inferiores e sem direitos. A nova geração, que se sobrepõe, supera e arruína as expectativas dos remanescentes dos séculos anteriores, exige uma sociedade mais inclusiva e igualitária e, consequentemente, exige maior representatividade nos filmes. Que fique bem claro: Não é uma questão etária. Mas de pessoas pertencentes ao século XXI coadunando com os valores sociais mais atrasados, arcaicos e obscuros que os séculos anteriores poderiam prover.

Talvez você ainda esteja pensando porque não gostou da representatividade dos personagens de Star Wars – The Last Jedi. A resposta para nós é evidente: medo. Se você continua achando que apenas homens brancos podem ser os protagonistas nos filmes ou na vida real, sentimos dizer, mas o mundo está ruindo sob seus pés. E tal como o Coiote, algoz do Papa-léguas, basta olhar para baixo para que caia de uma vez… e vai tarde. E mais: será que se estivéssemos vivendo numa realidade X-Men, nesse momento, você não estaria angariando fundos para o projeto Sentinela? E estaria aplaudindo de pé a caça aos mutantes, sejam eles crianças, adultos ou idosos em cadeira de rodas?

Nosso ponto final é o de que The Last Jedi segue a tradição Star Wars e renova mais uma vez nossa esperança – e com toda licença proposital do uso desta palavra no contexto da saga. É a esperança de que essa geração autoritária, século XIX, seja sucedida por outra, de rebeldes e resistentes, e que o princípio da igualdade seja um ideal mínimo que orienta a sociedade.

 

– E por que igualdade importa? Porque é 2018, cara!

 

NOTAS DE RODAPÉ

[1]. Por ora, não cabe aqui avaliar a performance do seu governo em termos de políticas socioeconômicas, ambientais, de inclusão, de desenvolvimento, etc.

[2]http://www.huffpostbrasil.com/entry/rotten-tomatoes-last-jedi-ratings-bots_us_5a38cb78e4b0860bf4aab5b1

[4] http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2015/MapaViolencia_2015_mulheres.pdf

[5]  Síntese de Indicadores Sociais. Umas Análise das Condições de Vida da População Brasileira. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2016. https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv98965.pdf

Mais sobre representação social você pode ler em http://www.deviante.com.br/noticias/ciencia/vou-te-contar-uma-estoria/


Thiago Brandão. É sociólogo e acredita que o louco só está usando uma metodologia diferente.

Raquel Oscar. Antropóloga, problematizadora nerd e acredita que a tecnologia vai salvar a humanidade – mas não do jeito que você imagina

  • Paulo Peiker

    Obrigado, Debbie, obrigado.

    • Debbie Cabral

      Na verdade, eu fui a responsável pela postagem, mas que produziu esse texto incrível foi o Thiago Brandão e a Raquel Oscar S2

    • Thiago Brandão

      Somos nós quem agradecemos Paulo! Valeu!

  • Daniel Klain

    Ótimo texto, autores. Impecável na argumentação e na moralidade.

    • Thiago Brandão

      Muito obrigado pelos elogios Daniel!

  • Já sou fã de carteirinha! Queria escrever assim! rs

    Sério, é muito agradável ler um texto que se alonga nas partes devidas e quando é necessária também sabe ser sucinto. As ideias vão se intercalando, um argumento dando origem a outro. Enfim, dá pra ver que tem um ótimo time por trás desse trabalho!

    Acho que realmente estamos vivendo novos tempos e foi bom o texto colocar esse sentimento em palavras. A representatividade virou uma questão. No passado simplesmente não era. Nesse sentido eu acho super previsível que gerações mais antigas estejam batendo cabeça com essas novas questões. É sempre mais complicado para pessoas mais velhas se adaptarem a um novo mundo, a uma nova geração.

    Faço votos para que tudo isso torne o mundo mais igualitários, com mais igualdade de oportunidades independente de cor, sexo e etc.

    Agora vou pontuar especificamente um argumento que tem se tornado comum, e com o qual eu tenho dificuldade de concordar, porque tenho dificuldade de entender de onde saiu. É o argumento do tipo “existe X% de mulheres na população, então deve haver esse mesmo X% de mulheres em determinada profissão/grupo qualquer”.

    Entenda X como qualquer número, e entenda mulheres apenas como um exemplo de grupo específico dentro de uma população geral.

    Eu estou completamente de acordo que deva existir oportunidades iguais para todas as pessoas. A sociedade deve se esforçar pra garantir isso, porque sei lá, é parte do contrato social. Mas igualdade de oportunidades não necessariamente vai garantir igualdade de resultados, e aí entram muitos assuntos que vai alongar demais o comentários e vai sair do tema.

    Enfim, eu queria entender essa correspondência entre a quantidade de um grupo na população e a quantidade de um grupo numa área específica. Porque não me parece autoevidente.

    Valeria um texto sobre isso, talvez?

    • Thiago Brandão

      Olá Felipe, tudo bem? Muitíssimo obrigado pelas e questões e considerações. Todas muito pertinentes por sinal.
      E obrigado pelos elogios. A Raquel e eu nos dedicamos ao texto com muito carinho, sobretudo, porque escrevemos sobre um filme que gostamos muito e sobre o que é particularmente importante para nós: a relação entre (a manutenção dos) privilégios e (permanência da) desigualdade. E isso tem tudo a ver com o que você perguntou Felipe.
      O Brasil é um país reconhecido mundialmente por sua desigualdade. Não apenas de 1) renda: as seis famílias mais ricas do país possuem a mesma renda somada que 50% da população mais pobre. Estamos falando de 100 milhões de pessoas; mas também de desigualdade de gênero (mulheres ganham menos que homens realizando as mesmas tarefas, por exemplo) e de raça/etnia (nossa população carcerária é composta, na média nacional, de 67% de negros).

      Somos um país absurdamente desigual. Dito isso, podemos tentar falar um pouco sobre sua pergunta.
      Ela tem a ver com a construção do imaginário social. Mas especificamente com os horizontes de desejos [1] das pessoas. Me deixa dar alguns exemplos. Há pouco tempo atrás, como vc bem sabe, a trajetória mais comum entre as mulheres era ‘arrumar um marido’. Esse imaginário sobre a trajetória das mulheres ainda existe. Agora imagine uma garotinha. Ela vê uma mulher em um cargo de chefia, ou ocupando um cargo político importante, deputada, senadora, etc., e pensa “- Nossa, eu queria ser como ela…” Pronto. Ampliou-se o horizontes de desejos de uma garotinha. Outro exemplo. Quando Obama se elegeu, ele ampliou o horizonte de desejo de milhões de pessoas negras nos EUA. Crianças negras se questionaram: “Será que eu também poderia ser presidente?”.

      O problema é que não basta apenas ampliar os horizontes de desejo. É preciso criar condições que permitam que esses desejos se realizem. E a desigualdade é a principal barreira imposta. Veja novamente. Segundos os dados de 2016 do IBGE, 44 milhões de brasileiros recebem R$ 747,00 (ou seja, ganham menos que um salário mínimo).
      Os filhos dessas pessoas podem ter o desejo de ingressar em uma universidade. Entretanto, elas precisarão competir com 889 mil pessoas que recebem, em média, R$ 27 mil reais mensais. Os pobres conseguem entrar na universidade. Graças a não-Deus, conseguem. Mas precisam de um esforço individual muito maior. Nesse caso, portanto, a competição é, digamos, desumana.
      E porque humanidade é importante? Ora, porque estamos em….

      bem, você já sabe ;)

      Nossa, já escrevi demais. Tenho um sério problema com isso. Espero ter respondido adequadamente, ou pelo menos parcialmente. Pronto, concordo contigo. Esse assunto vale um texto sim. E assim que o texto sair, eu prometo voltar aqui e te mandar o link. Pode ser? Vou ficando por aqui. Abraços :)

      [1] Caso você queira saber mais sobre esse conceito, consulta o livro “Horizonte do Desejo: Instabilidade, Fracasso Coletivo e Inércia Social” do centista político brasileiro Wanderley Guilherme dos Santos. Tem disponível online

  • Rodrigo Braga

    Excelente texto! Parabéns!

  • Rafael Machado

    Não gostei do filme por N motivos, agora, vamos lá, Lando Calrissian (um negro) entra e destrói a segunda estrela da morte em um ataque comandado por Mon Mothma (uma mulher), tudo isso em O retorno de Jedi, um filme de 1983, ou seja, essa “representatividade” de TLJ já existia na saga.

%d blogueiros gostam disto: