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Quando até a natureza quer ser feminista

por em dom 23America/Sao_Paulo jul 23America/Sao_Paulo 2017 em Ciência | 2 comentários

Quando até a natureza quer ser feminista

Sua reação seria diferente se dois furacões, um com nome feminino e outro masculino, fossem atingir sua casa? Por que fazer isso quando se trata de profissionais?

Esse texto se originou por conta de uma notícia que rodou a internet na última semana: Female-named hurricanes kill more than male hurricanes because people don’t respect them, study finds (“Furacões com nome feminino matam mais do que furacões masculinos porque as pessoas não os respeitam, estudo descobre”, com uma versão em português aqui). Como interessada tanto na área de desastres quanto no papel da mulher na sociedade, foi um ótimo motivador para um texto sobre o assunto (especialmente sobre o segundo tópico).

Começando pelo furacão. Como vivemos em um país com pouca ocorrência desse tipo de fenômeno, nem sempre sabemos como reagir diante uma situação de risco. Porém, a pesquisa foi feita em um país que está “acostumado” a lidar com tais fenômenos, inclusive tendo que responder a furacões devastadores como o Katrina. O mínimo que se espera é que eles saibam o que fazer… #sqn

Não sei vocês, mas pouco me importa se o furacão se chama João ou Maria. Se eu soubesse de um furacão, entraria no modo “corram para as colinas!” (se a rota do furacão não estiver na direção dela, claro!).

Se você que está lendo este texto é mulher, como eu, já vivenciou alguma situação em que foi desacreditada apenas por ser mulher. Se é homem, pode já ter visto uma situação assim e nem ter se dado conta. Por exemplo, quantas vezes você já riu do Peter Griffin (Family Guy) ou Stan Smith (American Dad!) menosprezando ou ignorando suas filhas? Eu também ri, não se sinta mal por isso, apenas reflita.

E olha essa entrevista da Mayim Bialik no SAG Awards. Apesar de ser a “real cientista” do elenco de The Big Bang Theory, ela ainda precisa responder perguntas como essa para se provar capacitada…

Essas situações ficam mais visíveis nas áreas conhecidas por STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics – Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática), que tradicionalmente atraem mais homens para seus cursos. Avalie os dois gráficos a seguir. Percebe a diferença entre os cursos mais procurados por homens e mulheres? Apesar dos dados serem dos EUA, a situação no Brasil não é muito diferente dessa representada.

Clique para ampliar

A diversidade de profissionais em todas as áreas é algo fundamental para representar corretamente seus participantes e ter impactos mais adequados aos problemas por eles enfrentados. Se em STEM o problema é a falta de representatividade feminina, em áreas ditas “femininas”, como Pedagogia, Nutrição e Enfermagem, quem não se vê representado é o homem.

Olhando para a Computação (desculpe puxar a sardinha para minha área, mas é inevitável hehehe), nota-se que a participação feminina é a mais crítica dentro das áreas que compõem STEM. Apesar de não estar na última posição, o interesse das meninas vem caindo ao longo do tempo, diferente da Engenharia que está atraindo cada vez mais a atenção feminina. No Brasil, números divulgados pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC) reforçam a diminuição da participação das mulheres na área, sendo cerca de 15% dos alunos na área em 2015, contra 25-30% em 2001.

Pensando nisso, muitas empresas investem em iniciativas para mostrar que mulheres podem (e devem) trabalhar em STEM, lançando campanhas para encorajar meninas buscarem essas áreas desde cedo.

A comunidade científica também vem promovendo encontros nacionais e internacionais para discussão do tema, como o painel “Diversidade de gênero na computação”, que aconteceu no último Congresso da SBC. Além disso, vários programas visam incentivar meninas a buscar uma profissão em Tecnologia, como o Meninas Digitais (da própria SBC), Progra{m}aria e Mulheres na Computação. Porém, muitas pesquisas e iniciativas ainda precisam ser feitas para uma maior igualdade nesse ambiente.

Agora olhe ao seu redor: Como é a distribuição de gênero nesse ambiente? Alguma vez não se sentiu representado na área que escolheu seguir? Conhece alguma iniciativa para estimular a participação de minorias na sua profissão?

 

 


Bruna Diirr

Doutora em informática, amante de tecnologia, livros policiais e séries. “Pouco” viciada em joguinhos de raciocínio lógico e vídeos de maquiagem, além de ferrenha defensora de que sem colaboração a ciência não vive.

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