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Relativizando o tempo em nossas vidas!

por em 25/04/2019 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

Relativizando o tempo em nossas vidas!

Lembro-me de quando era criança lá na década de 80. Sim, eu nasci no fim dos anos 70 e vivi a minha infância no modo analógico: totalmente desconectado de toda e qualquer tecnologia. Naquele tempo, ter uma TV em cores era para poucos e ter um vídeo-cassete (para quem nunca viu uma relíquia dessas, dê uma olhadinha aqui: Video Cassete), era para pouquíssimos. Nada de Netflix e, para “piorar”, nada de Internet, Facebook, Instagram, Podcasts, e todos os outros etceteras que estamos acostumados!

Na minha infância o tempo parecia passar bem lentamente, ou eu tinha a percepção disso. As férias da escola, as brincadeiras com os amigos da rua, as viagens para as casas dos familiares, os passeios nos parques… Tudo isso parecia que durava uma eternidade.

Lembro bem que acordava às 7h da madrugada (não me julguem, aliás podem me julgar, eu não ligo!) nos fins de semana, tomava café e já ia na casa do meu melhor amigo de infância, aquele comparsa para todas as horas, tanto as boas como as ruins. Nosso dia acabava por volta das 22h, quando nossos pais nos permitiam esticar. Essas 15 horas de brincadeiras, apenas interrompidas por idas ao toalete, hora do almoço, lanche da tarde e jantar, pareciam durar uma semana! Ao menos, o efeito mental era esse!

Depois de um sonho bom, a gente levanta

Toma aquele banho, escova os dentinhos

E na hora de tomar café, é o Café Seleto

Que a mamãe prepara, com todo carinho

Café Seleto tem, sabor delicioso

Cafezinho gostoso! É o Café Seleto

Café Se—le—to, Café Se—le–to

Jingle Café Seleto  – Anos 80

E agora, já adulto, em um mundo onde não temos os maravilhosos jingles dos anos 80 e 90, minhas manhãs são bem diferentes! Os dias não parecem ter 24 horas, ou 16 horas úteis. As férias parecem não durar tanto assim. Os feriados prolongados passam num piscar de olhos! E os fins de semana são apenas um refresco, surgindo como um oásis (não a banda) no meio de uma vida completamente atribulada. E sempre me pergunto por que tenho a sensação de que o tempo está sempre escasso.

Chegou a hora de recorrer para um mestre do assunto, assim consigo dar um contexto nessa reflexão. Pode chegar Mr. Albert Einstein!

Teoria da Relatividade Especial: é uma teoria publicada no ano de 1905 por Albert Einstein, concluindo estudos precedentes do físico neerlandês Hendrik Lorentz, entre outros. Ela substitui os conceitos independentes de espaço e tempo da Teoria de Isaac Newton, pela ideia de espaço-tempo como uma entidade geométrica unificada. O espaço-tempo na Relatividade Especial consiste de uma variedade diferenciável de 4 dimensões, três espaciais e uma temporal (a quarta dimensão), munida de uma métrica pseudo-riemanniana, o que permite que noções de geometria possam ser utilizadas. É nessa teoria, também, que surge a ideia de velocidade da luz invariante.

De acordo com os 2 postulados dessa teoria, podemos resumi-la assim:

Primeiro postulado, o princípio da relatividade: as leis que governam as mudanças de estado, em quaisquer sistemas físicos, toma a mesma forma em quaisquer sistemas de coordenadas inerciais. Segundo as palavras de Einstein, “…existem sistemas cartesianos de coordenadas, os chamados sistemas de inércia, relativamente aos quais as leis da mecânica (mais geralmente as leis da física) se apresentam com a forma mais simples. Podemos, assim, admitir a validade da seguinte proposição: se K é um sistema de inércia, qualquer outro sistema K’, em movimento de translação uniforme relativamente a K, é também um sistema de inércia.

Segundo postulado, invariância da velocidade da luz: a luz tem velocidade invariante em relação a qualquer sistema de coordenadas inercial. Segundo as palavras de Einstein: “A velocidade da luz, no vácuo, é a mesma para todos os observadores em referenciais intricais e não depende da velocidade da fonte que está emitindo a luz, tampouco do observador que a está medindo. A luz não requer qualquer meio (como o éter) para se propagar. De fato, a existência do éter é mesmo contraditória com o conjunto dos fatos e com as leis da mecânica.”

Obrigado mestre!

Outro dia estava fazendo leituras de textos aleatórios e encontrei, em uma reportagem, algo bastante curioso. Neste texto, li que quando um jovem está na fase dos 12 aos 18 anos, esses 6 anos que se passaram parecem um tempo muito logo, pois representam 50% de sua idade. Já, para uma pessoa que tem 60 anos, esses mesmos 6 anos representam apenas 10% de sua idade e é por isso o sentimento de que o tempo simplesmente voou, provando que o tempo é, simplesmente, uma questão relativa ao observador.

Maaaaaaaaaas, voltemos à pergunta original! Por que tenho a sensação de que o tempo está sempre escasso? Para mim, esta pergunta tem duas respostas distintas, porém estão ligadas de alguma forma:

A primeira está relacionada com o fato de que as crianças, e os adolescentes, estão em fase de aprendizado constante. Cada minuto, hora, dia, semana, mês ou ano é momento para viver novas experiências e aprender. Como muita coisa nova foi absorvida, muita coisa diferente vivida, as crianças e os adolescentes têm a sensação de que o tempo passou devagar. O mesmo acontece quando estamos aprendendo algo novo ou quando estamos em alguma situação em que não gostaríamos de estar, pois sentimos que estamos vivendo uma experiência nova, mesmo quando desagradável.

Já com os adultos, a coisa funciona de forma diferente. Nossos dias são marcados por rotinas: acordar, tomar banho, tomar café da manhã, se vestir, ir ao trabalho, resolver as coisas no trabalho, almoçar, jantar, ir para a faculdade, ir para academia, ir ao supermercado, pagar contas, pagar contas (eu disse pagar contas?!). Como vivemos poucas coisas novas ao longo do nosso dia, o nosso cérebro nos engana com a sensação de que o tempo passou depressa, pois absorvemos poucas novidades.

A segunda está relacionada à quantidade de tarefas e informações que temos que lidar ao mesmo tempo: trabalho, casa, filhos, linkedin, casamento, problemas, facebook, internet, amigos, twitter, celular, prazos, instagram, reuniões, visita à clientes, gato miando, cachorro latindo, gente buzinando, trânsito, notícias ruins, notícias boas, barulho na rua, etc., etc., etc… Um cotidiano acelerado e dinâmico, em que as mudanças e os avanços tecnológicos acontecem em uma velocidade muito alta, alterando nosso ritmo biológico natural. Quero lembrar que as crianças não possuem tantas tarefas ou não lidam com um volume exagerado de informações, portanto não são totalmente afetadas por este ritmo frenético.

Os homens trocam as famílias

As filhas, filhas de suas filhas

E tudo aquilo que não podem entender

Os homens criam os seus filhos

Verdadeiros ou adotivos

Criam coisas que não deviam conceber

O tempo passa e nem tudo fica

A obra inteira de uma vida

O que se move e o que nunca vai se mover…

Sobre o Tempo – Nenhum de Nós

Independente da linha de pensamento, ou de qual resposta faz mais sentido, o fato é que o dia tem “apenas” 24 horas e precisamos dar conta de uma série de coisas, além de ter que ficar antenados com o está acontecendo para poder acompanhar o ritmo de tudo.

Neste contexto, abandonamos as boas práticas de dormir 8 horas por dia, sentar à mesa para jantar com a família e conversar sobre como foi o dia, brincar com nossos filhos (mas brincar de verdade), ler um bom livro sem a preocupação de termina-lo em tempo recorde, passar o fim de semana, sem estar conectado, para aproveitar as coisas simples que a vida nos oferece.

Relativizando o que nosso mestre Albert Einstein disse em suas teorias, talvez estejamos simplesmente nos colocando em uma referência de observação, que faz com que o tempo viaje, sempre, na velocidade da luz.

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