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Estudar no Exterior: o caminho das pedras com Cleto Freire

por em 30/04/2019 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

Estudar no Exterior: o caminho das pedras com Cleto Freire

Olá, pessoal!

Temos hoje mais uma entrevista de nossa série de entrevistas com pesquisadores brasileiros que estudaram fora do país. O objetivo é trazer para vocês o caminho das pedras, a opinião de quem viveu a experiência e conselhos para quem está passando pela experiência. Espero que gostem!

Hoje iremos falar com o MSc. Cleto Freire.

Olá, Cleto, você pode nos falar um pouco sobre você?
Sou mestre em Ecologia com ênfase em limnologia e mudanças climáticas,  realizei parte do meu mestrado na Concordia University em Montreal, Canadá. Sou Bacharel em Ecologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Conta um pouquinho pra gente da sua experiência no exterior.

Foi massa! Porém eu estranhei um tanto, pois eu saí no verão da cidade de Natal (32 ºC) para o inverno canadense. De cara fui recebido com -15 ºC, mas, para quem nunca viu a neve, até que eu estava curtindo os momentos iniciais. Porém, a temperatura não aumentava, pelo contrário, variava entre -15 a -32 ºC, e chega uma hora que enche o saco! Mas todo inverno tem seu fim, amém! O Canadá é uma nação incrível, a sua população tem um senso de civismo acima do normal e é bonito de ver o quanto o respeito ao próximo é levado a sério por lá. Mas nem tudo são flores. Eu senti uma baita falta do Brasil, principalmente do calor humano e da facilidade do brasileiro de puxar assunto na fila do banco, parada de ônibus ou na balada, coisa que não é tão frequente lá no Canadá. Fiz alguns amigos canadenses que são muitíssimos gente fina, educados demais, porém a amizade me pareceu um pouco mecânica, sei lá. Acho que estou muito acostumado com o jeito brasileiro, tanto que estava contando os dias para chegar na capital potiguar para ver os meus pais, dogs, amigos e comer aquele churrasquinho com feijão verde.

E do ponto de vista acadêmico, como foi essa experiência de estudar fora?

Eu estudei na Concordia University com o cara mais importante da minha área. Foi demais! O ritmo de trabalho dos gringos é frenético e para me acostumar com o estilo “workaholic” demorou um certo tempo, mas logo me adaptei e compreendi por que o pessoal da América do Norte produz tantos artigos, eles realmente são viciados em trabalho.

O laboratório do qual eu fiz parte era bem heterogêneo, tinha pessoas de todas as partes do mundo, e aprendi muito sobre estatística multi-variada. Quando eu tinha alguma dúvida sobre algum comando no R ou sobre estatística, eu olhava para o lado e via aquelas pessoas que meses atrás eu as conhecia apenas pelos nomes nos artigos científicos. É algo surreal! O mais interessante do meu laboratório é que qualquer dúvida virava uma discussão acadêmica de altíssimo nível, pois as pessoas eram muito focadas. Sem sombra de dúvidas foi uma experiência única, trabalhar com os gigantes de sua área é um privilégio para poucos. Tive muita sorte e sou extremamente grato por essa experiência.

Assisti a algumas defesas de doutorado/mestrado e algo que valorizei foi a eficiência na avaliação. Em uma hora o estudante tinha defendido e todos da banca realizado os seus devidos comentários. Diga-se de passagem, aqui uma defesa de mestrado dura no mínimo 2 horas e de doutorado 3-5. Ao termino da primeira defesa de mestrado, me espantei com a postura dos professores. Eles questionam apenas o que lhes levantou dúvidas, não fazem perguntas retóricas e nem muito menos repetem o que já tinham corrigido na tese. Acho que poderíamos seguir esse modelo.

E, no dia-a-dia, pode nos contar como foi?

Lidar com uma cultura totalmente diferente da sua é um tanto estranho. Por exemplo, o Canadense evita qualquer tipo de toque, é do tipo se você encostar em alguém na rua eles te olham como se você estivesse invadindo o seu espaço. Confesso que esse cuidado de não tocar nas pessoas foi algo que eu trouxe para o Brasil. No mais, eles são muito solícitos em dar informações e ficam super felizes quando descobrem que você é brasileiro (vai entender).

O transporte público de lá é incrível! O metrô e linha de ônibus são interligados em uma sintonia quase perfeita, tanto que Montreal foi eleita em 2017 a melhor cidade para estudantes universitários, e parte disso foi devido ao seu sistema público de transporte, além de uma grande variedade de universidades renomadas em uma só cidade.

O clima, ah, o clima… É incrível como o inverno mexe com a cabeça das pessoas, principalmente de um povo que passa cerca de 8 meses lidando com temperaturas negativas. Eles ficam muito emburrados, de passo rápido e poucos amigos, principalmente nos meses finais. No entanto, como em um passe de mágica, quando surgem as primeiras temperaturas acima de 12 º C, está todo mundo de regata sorrindo e tomando uma cerveja na sacada de seu apartamento. E todos os dias tem algo para fazer: algum evento cultural na rua, na praça, festivais. Eles realmente sabem aproveitar a primavera/verão.

Quais as melhores coisas de ter estudado fora?

Boa parte já falei nas perguntas anteriores, mas acredito que foi o amadurecimento do ponto de vista acadêmico, psicológico e a evolução do inglês.

Tem alguma mensagem final que gostaria de deixar para nossos
leitores?

Nada de especial, mas irei me dirigir àqueles que estão almejando estudar no exterior: se você realmente quer ir, busque programas de financiamento estudantil, se informe, mande e-mails para os professores que você mais admira, entre em contato, leia os principais artigos dele. Com isso você termina criando um vínculo e isso facilita a sua ida para o exterior. De inicio parece algo impossível principalmente para quem não tem grana (como eu), mas eu consegui ir sem gastar 1 real do meu bolso, então, se eu consegui, vocês também conseguem.

Se você tem interesse em contar a sua história, é só entrar em contato através do e-mail [email protected].

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