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Desmistificando a inteligência artificial – onde estamos e para onde vamos? (1/5)

por em 02/03/2020 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

Desmistificando a inteligência artificial – onde estamos e para onde vamos? (1/5)

Recentemente uma onda de publicações em sites especializados e até mesmo abordagens fora da área de tecnologia têm falado sobre a inteligência artificial e como suas capacidades vão mudar nossa vida em um futuro a curto prazo.

De fato, nos últimos poucos anos, tanto a sociedade, o mercado de trabalho e o mundo têm mudado rápido, e, para minha surpresa e felicidade como um entusiasta do assunto e profissional de TI, em pouco tempo eu estava entrando em reuniões nas empresas discutindo e vendo cases de aplicações de reconhecimento de linguagem natural e redes neurais.

Fui tomado de assalto! Para minha surpresa, a minha área de formação, que até então era restrita a um grupo específico de pessoas, estava chegando nas empresas, nos aplicativos e sendo colocada na base da revolução da indústria 4.0.

A visão que eu trarei aqui é muito mais pautada na realidade que na expectativa ficcional. A ideia é te conduzir por uma história que vai te dar a base para entender o que é, para que serve, como chegamos até aqui e como evitar o apocalipse da com a inteligência artificial.

Esta série de textos está estruturada a partir de três assuntos que têm se mostrado bem comuns na produção de conteúdo não acadêmico sobre Inteligência Artificial (IA)

  1. O impacto que a IA terá para as empresas
  2. O impacto que a IA terá na sociedade;
  3. O futuro da IA.

O impacto que a IA terá para as empresas e para os negócios: A Inteligência Artificial vai mudar as relações de trabalho?

A resposta curta é sim!

O impacto da IA na forma como as empresas farão negócios e se organizarão é real.

Não é difícil visualizar que técnicas como chatbots, análise de comportamento, aprendizado profundo e sistemas de apoio a decisão já estão trazendo novas possibilidades para as empresas.

A IA adotada hoje pelas empresas  é baseada em técnicas que já existem há algum tempo e estão maduras para serem adotadas como vantagens competitivas pelas empresas, porém, vale ressaltar que a maior parte dessas novidades na verdade são oriundas da era “pré-cambriana”  da pesquisa em inteligência artificial. É o que chamamos de IA fraca, que basicamente são algoritmos que podem simular comportamentos inteligentes e mimetizar a forma como o ser humano toma decisões em casos específicos e bem definidos.

Posso citar como exemplo o reconhecimento da linguagem humana. Essa linha de pesquisa passa pelas mais variadas técnicas, desde análise de sinais até aprendizado probabilístico e tem como seu principal produto até o momento os famosos chatbots.

Podemos somar a esse exemplo, muitas outras novidades como as redes neurais, deep learning, reconhecimento de padrões, processamento dinâmico de imagens e vídeo e o próprio bigdata. Pense em algo novo que você viu explodindo com as palavras chaves: Cognitive e Artificial Intelligence e provavelmente você estará topando com essas coisas.

Mas por qual motivo esses pequenos diamantes que estavam, até então, escondidos nos centros de pesquisa de computação finalmente saíram de lá e estão causando uma revolução nas empresas e na sociedade?

A resposta é que algoritmos de inteligência artificial são geralmente custosos do ponto de vista computacional: pesados e demorados.

Em contrapartida, processar hoje nunca foi tão barato, tão rápido e tão fácil.

Entre os mais importantes motivos da IA não ficar mais restrita aos centros acadêmicos, podemos citar:

  • O aumento do poder computacional de processamento e diminuição dos custos de infraestrutura que baratearam o armazenamento de grandes volumes de dados;
  • O advento da computação em nuvem;
  • A arquitetura em 3 camadas e sistemas distribuídos;
  • A simplificação das linguagens de programação e criação de camadas de exposição que permitem disponibilizar serviços de forma simples e segura;
  • A disposição social com a tecnologia (aumento de smartphones, etc).

Esses itens não estão em ordem de importância ou impacto, mas com certeza a conjunção desses fatores criou um habitat possível para que a IA saísse da academia e fosse rapidamente vista como um diferencial competitivo pelas empresas.

Inevitavelmente a IA mudará a forma como fazemos negócios criando novas formas de gerar inteligência e consequentemente oportunidades para as empresas e, a bem da verdade, essa transformação já está ocorrendo e consequentemente ocorrerá também uma transformação nas relações do mercado de trabalho e nas relações sociais.


Rodolpho Freire. Formado em ciências da computação, mestre em inteligência artificial e doutor em inteligência artificial, possui mais de 15 anos de experiência em TI na área de finanças, telecomunicações, consultoria e mídia em posições de arquitetura, infraestrutura e sistemas e dados. Na área acadêmica, foi professor e coordenador das disciplinas de IA e lógica da UMC e professor convidado da USC. Membro do board de revisores do IGI Global.

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