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Como aconteceu a evolução do olho?

por em 08/02/2016 em Ciência | 3 comentários

Como aconteceu a evolução do olho?

A visão é muito importante para a interação entre os animais e seu ambiente, influenciando comportamentos de reprodução e estratégias de alimentação, por exemplo. E esta relação entre presa e predador fez com que a visão atuasse como forte fator de seleção sobre as populações animais.

Fósseis do Cambriano indicam que diversos artrópodes tinham olhos semelhantes aos de insetos e crustáceos atuais, mas nenhuma estrutura visual havia sido encontrada preservada por inteira, exceto os do Eoceno, preservados em âmbar. Porém, com o fóssil de Dollocaris (crustáceo extinto) isso mudou e cientistas puderam observar tecidos moles bem conservados e a partir deles reconstruir seus olhos e conhecer mais sobre os órgãos vitais e modo de vida.

O olho desse crustáceo é composto por 18.000 omatídeos justapostos, assemelhando-se aos olhos de insetos, como as libélulas, e de crustáceos modernos, provavelmente tendo funcionamento similar. Análises indicaram que esse crustáceo era ativo durante o dia e vivia na zona eufótica do oceano, sendo um predador e tendo sistema circulatório fechado, com alto consumo de oxigênio, caracterizando um estilo de vida ativo.

(a) Omatídeo simplificado (b–g) Simplificação longitudinal (b) secções transversais dos omatídeos com os tipos de células preservadas; ax, estrutura axonal. cd, depressão central; ce, célula; cw, parede celular; d, diâmetro das céluals receptoras de luz; Df, ângulo entre os omatídeos ; ex, média externa; f, distância focal; fs, superfície facetada; lr, crista longitudinal; ri, margem; ro(4), Estrutura de rosetas com 4 células; ro(5), Estrutura de roseta com 5 células. Barra de escala, 50 mm.

Reconstrução da estrutura do olho de Dollocaris feita pelos cientistas. (Fonte: Nature Comunications)

Observar e medir estruturas e parâmetros visuais em espécimes existentes é fácil, porém em fósseis como o de Dollocaris é muito desafiador. Os olhos desses e suas estruturas internas são ricas em detalhes e estão incompletas, fora do lugar ou deformadas, ou seja, em condições desfavoráveis para determinação precisa de muitas características. Mas por meio de microtomografia computadorizada de raio-X, os cientistas puderam reconstruir os olhos e suas estruturas internas e órgãos vitais, o que permitiu a inferência da relação entre os olhos da espécie, seus hábitos de vida e seu possível habitat.

Muitas características encontradas estão presentes em insetos e crustáceos modernos que apresentam olhos multifacetados, com alta densidade de omatídeos, e tem o campo de visão fortemente relacionado ao comportamento de predação.

O trabalho é importante por mostrar que é possível encontrar partes moles de organismos preservadas. Por isso, com auxílio de microtomografia computadorizada, foi possível observar e documentar a estrutura completa de um olho fossilizado. Isso indica a possibilidade de desenvolver estudos a partir de sistemas sensoriais fossilizados e mostra a importância dos fósseis na discussão da evolução de sistemas internos de organismos.

Fonte: Nature Communications

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