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Ciência em Crise (?) – Parte II: A Polêmica das Publicações Científicas

por em 10/09/2017 | Nenhum comentário

Ciência em Crise (?) – Parte II: A Polêmica das Publicações Científicas

Como comentei no último post que escrevi, aquele seria o início de uma trilogia sobre a crise (?) na ciência que estamos vivenciando atualmente. Para quem não captou a ideia da primeira parte, eu escrevi sobre a tentativa de Lysenko de fazer melhoramento em plantas para fins agronômicos sem levar em consideração as Leis de Mendel e a teoria evolutiva darwinista como um cautionary tale em relação aos perigos potenciais que a aplicação cega de alguma ideologia travestida de “ciência” pode causar à sociedade.

Na época, os experimentos de Lysenko não vinham a público via periódicos científicos tradicionais e confiáveis, como é de praxe ser feito para se comunicar os resultados de algum experimento e submetê-lo ao escrutínio público. Eles eram divulgados pelas páginas do jornal oficial do regime soviético, não sendo passíveis de análise crítica e contra-argumentação. Assim, este post será justamente sobre isso: uma análise reflexiva sobre o momento atual das publicações científicas, sobre como estas informações chegam ao público e sobre a disputa entre acesso pago vs. acesso aberto.

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Ciência em Crise(?) – Parte 1 de 3: O Caso Lysenko

por em 05/08/2017 | 3 comentários

Ciência em Crise(?) – Parte 1 de 3: O Caso Lysenko

Após um hiato breve por conta das férias de julho, voltamos aos trabalhos. Esta é a primeira parte de uma série de três postagens nas quais dissertarei sobre alguns aspectos do fazer e viver esta entidade abstrata chamada “ciência”.

A ideia para esta trilogia surgiu de uma impressão incômoda que tenho sentido já há algum tempo e que, conversando com mais gente, descobri que não estou sozinho no meu desconforto. A situação a qual me refiro é o aparente paradoxo entre estarmos vivendo em um futuro inimaginável pouco mais de 15 anos atrás, com toda a sorte de benesses que a tecnologia nos proporciona, e um crescimento de certa forma acachapante de movimentos contrários a várias conquistas que a humanidade conseguiu a duras penas nos últimos três séculos. Sim, me refiro a toda sorte de descalabros como Terra Plana (trollagem, só pode!), anti-vacinação, anti-evolucionismo, curas quânticas, pílulas milagrosas contra o câncer (!) e por aí vai, para ficar em somente alguns. Não, e não vou linkar nada. Vocês sabem do que estou falando (ou pelo menos deveriam saber) de modo que não vou dar relevância a este tipo de iniciativa. Então, para começar a série, vou contar a historinha de um senhor que quis ser uma voz dissonante em sua época, lutando contra as conspirações imperialistas e propondo que “um novo mundo é possível”. Não preciso dizer que excelentes resultados ele conseguiu!

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Resistência a um antibiótico visto como “último recurso” se espalhou mais do que o previsto (preocupemo-nos!)

por em 27/06/2017 | Nenhum comentário

Resistência a um antibiótico visto como “último recurso” se espalhou mais do que o previsto (preocupemo-nos!)

Vamos lá, mais uma vez bater nesta tecla. Para azedar todo o clima de Dia dos Namorados e estragar todo o romantismo racionalista-científico deste programa aqui, a Nature publicou uma notícia no último dia 12 de junho (eu sei!) externando preocupação sobre a expansão de um gene que confere resistência a um antibiótico tido como último recurso em infecções resistentes. A droga em questão se chama colistina e o gene de resistência foi batizado de mcr-1 (acrônimo para seu nome em inglês mobilized colistin resistance). Ou seja, o espectro do apocalipse bacteriano está na área mais uma vez, rondando, esperando, afiando o gancho para atacar. Isso já não aconteceu antes? Já não está difícil comprar antibióticos sem receita? Devemos mesmo levar isso a sério?

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Dossiê Deviante: Dieta Paleolítica

por em 10/05/2017 | 4 comentários

Dossiê Deviante: Dieta Paleolítica

Antes de começar, um alerta: o texto será longo, porque eu não tenho como resumir alguns conceitos que preciso explicar em 140 caracteres (apesar de saber que algumas pessoas só conseguem ler isso). Aliás, foi exatamente este número de toques (quem se lembra deste jargão jornalístico?) que acendeu a fagulha na minha cabeça e a vontade de sentar no computador e mandar ver neste texto. Estou falando deste twit do @Pirulla25 que se desenrolou em uma longa thread, como sempre, cheia de argumentos a favor e contra alguma coisa. Para quem não esta a fim de clicar no link, o twit em questão é um comentário do Pirula sobre um post do blog do Dr. Souto, que é médico e escreve sobre dieta de maneira anti-establishment, ou seja, defende uma abordagem não baseada em pirâmide alimentar e contagem de calorias, mas sim em consumo de comida de verdade e limitação da ingestão de carboidratos como solução não só para o emagrecimento e controle do peso, mas também para a melhoria dos parâmetros de risco para doenças cardio-vasculares. Esta abordagem ganhou o nome fantasia de Dieta Paleolítica ou só páleo e aí se instalou a celeuma, já que este movimento preconiza que a alimentação certa para os seres humanos, aquela moldada pela evolução, deve ser a mais próxima possível da utilizada pelos “homens das cavernas”.

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É possível explicar a evolução da fauna da ilha de Kong?

por em 29/03/2017 | 1 comentário

É possível explicar a evolução da fauna da ilha de Kong?

No último dia 09 de março estreou nos cinemas brasileiros o (aguardado ou não) novo filme sobre um dos animais/monstros mais clássicos do cinema mundial, o famigerado King Kong. Com este remake, esta é a quarta tentativa de levar a história deste grande gorila carente às telas da sétima arte desde sua primeira versão em 1933 (sim, século XX, com muito, mas muito slow motion). E, bom, eu não sei se esta versão é boa ou ruim, porque ainda não assisti. Isto trás uma vantagem: o texto é spoiler free. Se bem que, mesmo se eu tivesse visto o filme, não faria diferença para o texto. Minha intenção não é fazer uma crítica cinematrográfica, mas sim falar sobre a ciência da Ilha da Caveira. Já que é um filme clássico de ficção científica, a pergunta que não quer calar é: o filme faz sentido do ponto de vista do que se conhece hoje a respeito dos processos envolvidos na evolução e ecologia de uma biota insular?

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