Pages Menu
TwitterRssFacebook
Categories Menu

OZOB Vol1: Protocolo Molotov

por em ter 09America/Sao_Paulo fev 09America/Sao_Paulo 2016 em Entretenimento | 3 comentários

OZOB Vol1: Protocolo Molotov

Antes de começar minha crítica, fica o disclaimer de que sou suspeito para escrever sobre essa obra. Esse livro foi planejado e escrito por duas pessoas cujo trabalho admiro muito e acompanho há anos.

Por ser jogador de RPG e fã de Tormenta, tive meu primeiro contato com Leonel Caldela já no lançamento de seu primeiro livro, O Inimigo do Mundo, cujas páginas devorei e me apaixonei pela trama e personagens criados. Depois deste vieram os outros dois que compunham a Trilogia Tomenta, depois a trama de Caçador de Apóstolos/Deus Máquina e então O Código Élfico, e todos, sem exceção, me geravam um hype absurdo quando descobria que viriam e me absorviam quando eu finalmente começava a lê-los.

Além disso, sou consumidor assíduo da mídia podcast, e assim como a maior parte das pessoas com quem convivo, fui introduzido nesse mundo graças à dupla Jovem Nerd/Azaghal. Meu primeiro podcast foi o épico Nerdcast 52 sobre histórias de carnaval, ainda em 2007, e de lá pra cá nunca deixei de consumir semanalmente o conteúdo da dupla, fazendo maratonas e tendo reouvido muitos de seus programas 3 ou 4 vezes. Dá pra entender o tamanho da minha surpresa e felicidade quando descobri que Leonel escreveria livros para a Nerdbooks. E ele já inicia com um soco na cara em A Lenda de Ruff Ghanor: O Garoto-cabra, um dos melhores livros que já li, com um final de explodir o cérebro. E finalmente, após essa longa introdução, chegamos ao segundo livro de Leonel Caldela pela Nerdbooks – dessa vez escrito junto com Deive Pazos, o Azaghal –  e se Ruff Ghanor foi um soco na cara, OZOB: Protocolo Molotov é um chute no saco, no melhor sentido.

Em OZOB, Caldela nos leva a uma distopia ciberpunk, com uma enxurrada de referências à cultura pop, crítica social e violência sem limites. Caldela narra a história de maneira crua e visceral, como uma obra de punk-rock – bem adequado à trama – e consegue nos manter tão absorvidos que não somos tirados do clima sujo e depressivo, apesar de estarmos lendo a história de um palhaço, ruivo e albino, com uma granada vermelha no lugar do nariz que se chama Ozob. E Seu algoz, também um palhaço, com duas cabeças e três braços chamado Zatati Ratatá. Detalhes e referências que em qualquer outra situação seriam ridículas, na trama de Caldela não nos tiram do foco, e só mostram quão doentios e sádicos são alguns dos personagens e o mundo em que vivem.

Dá pra levar a sério?! Com certeza!

Dá pra levar a sério?! Com certeza!

O livro nos apresenta uma conspiração de megacorporações para dominar a sociedade através do controle cultural, com artistas pré-fabricados e músicas escritas para estimular o comportamento de manada. E contra isso os WAR ROADIES, um grupo punk que tenta levar música de rebeldia e contracultura através de seu ídolo, de 27 anos, Johnny Molotov. E no meio dessa guerra, cai de paraquedas nosso protagonista Ozob, que involuntariamente leva destruição e morte por onde passa.

A história segue em dois tempos distintos, mostrando o presente, onde acontece a guerra entre os WAR ROADIES e as megacorporações, e o passado, construindo a trágica história de Ozob e o caminho que o levou até àquele momento. Caldela como sempre “chafurda na escatologia e no sadismo” com sua história recheada de personagens quebrados, sofridos, marcados por tragédias, porém instigantes ou até mesmo cativantes. Ao ler, sentimos ódio, pena, nojo ou carinho por eles, mas nunca apatia. Cada personagem tem seu motivo de existir na trama e te desperta algo para compor essa experiência emocional que é ler OZOB. Certos momentos da história são tão fortes e pesados que fazem o próprio leitor se sentir mal, sujo, depressivo. Assim como a música de Molotov, a escrita de Caldela desperta muitos sentimentos diferentes em quem a experimenta.

O mundo em que se passa a aventura, por si só já é um personagem no enredo, com sua história, castas sociais e regras próprias, e, cada uma de suas descrições, das conspirações, corporações, asteroides e planetas me levava àquele local e criava um desejo enorme de participar daquilo. Como jogador de RPG, adoraria que fosse lançado um “guia de campanha” para Delta City, detalhando e aprofundando esse cenário tão cativante e envolvente.

Concluindo, Caldela – com sua magia negra – conseguiu novamente trazer um mundo onde você se sente preso, absorto e instigado, até que as mais de 400 páginas do livro passem e você não perceba. É surpreendente ler nos agradecimentos que esse monstro conseguiu construir tudo isso em apenas 6 semanas, e a única coisa que posso dizer é que estou desesperadamente ansioso pelo Volume 2 de OZOB. Mas nem vou sofrer muito, porque acabei de ler Ozob e hoje mesmo já peguei A Lenda de Ruff Ghanor: O Herdeiro do Leão, que estava aqui esperando pra começar a ser lido.

ozob

Ozob

OZOB Vol.1: Protocolo Molotov

Editora Nerdbooks

Nota: 5 Palhaços Psicotapas

  • Inoue

    “Artistas pré-fabricados e musicas escritas para estimular o comportamento de manada “,acho que isso não está muito fora da realidade.
    Vida longa e próspera.

    • Felipe Queiroz

      Pois é! Essa é a poesia de OZOB. Ele faz uma crítica social, mostrando situações tão absurda, mas que mostram quanto a nossa sociedade é ridícula sob certos aspectos!
      Outro exemplo excelente disso é o trecho onde eles falam dos ex-participantes de reality show,que fazem qualquer coisa para não desaparecer da mídia e exibir seus corpos perfeitos!

  • FELIPE BELMIRO

    Pessoal eu tô lendo o livro, e to gostando d mais, s q rolou um acidente e acabei perdendo uma das páginas do livro, 399 e 400, alguém poderia meandar uma foto dessas páginas?
    Sem ela não vou conseguir acabar o livro.
    Quem poder manda no meu e-mail
    [email protected]

%d blogueiros gostam disto: