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Países assinam acordo para frear emissões de gases usados para refrigeração

por em sex 21America/Sao_Paulo out 21America/Sao_Paulo 2016 em Ciência | Nenhum comentário

Países assinam acordo para frear emissões de gases usados para refrigeração

Um tratado internacional, criado originalmente para salvar a camada de ozônio da destruição, agora está sendo recrutado para ajudar no combate às mudanças climáticas.
Líderes mundiais, reunidos em Kigali, Ruanda, anunciaram acordo para reduzir os gases de efeito estufa utilizados em aparelhos de ar condicionado e refrigeradores. Os chamados hidrofluorcarbonetos (HFC), gás alternativo ao clorofluorcarbonetos, suados para refrigeração e principal responsável pelo buraco na camada de ozônio, tem até 2.000 vezes a capacidade aprisionamento de calor do dióxido de carbono ou gás carbônico (CO2), o principal gás responsável pelo aquecimento do planeta. Num momento que estamos prestes a adicionar 700 milhões de aparelhos de ar condicionado até 2030, este acordo pode prevenir quase 0,5°C no aumento da temperatura ao longo deste século.

“O acordo pretende mostrar que podemos proteger o planeta de forma a ajudar todos os países a melhorar as condições de vida de seus cidadãos”, afirma Barack Obama.

“Nós viemos para tomar meio grau Celsius de aquecimento futuro, e que ganhou cerca de 90% do nosso prêmio do clima”, diz Durwood Zaelke, presidente do Instituto de Governança e Desenvolvimento Sustentável, uma organização sem fins lucrativos com sede em Washington, que tem lobby para reduções agressivas nos produtos químicos.

O acordo é um avanço significativo na política climática internacional desde o acordo de Paris, em 2015, no qual 195 nações se comprometeram a reduzir a emissão de gases de efeito estufa para manter os aumentos da temperatura global abaixo de 2°C. As negociações relativas ao HFC receberam atenção do governo Obama, que trabalha para selar acordos relacionados ao clima antes do novo presidente assumir o cargo.

John Kerry, secretário do Estado dos EUA, pediu apoio ao acordo, por ele marcar uma evolução na colaboração internacional na tomada de medidas para limitar o aquecimento global.

O acordo também marca a evolução de um tratado considerado modelo de colaboração internacional para resolver um problema ambiental global. Conhecido como protocolo de Montreal, de 1987, criado para combater a destruição da camada de ozônio por produtos utilizados em quase tudo, desde spray para cabelo a frigoríficos. Desde então as emissões destes produtos caíram a medida que foram substituídos por alternativas menos prejudiciais, incluindo os HFCs. Em junho, cientistas anunciaram que a camada de ozônio sobre a Antártida mostra indícios de recuperação.

Mas os produtos utilizados para salvar a camada de ozônio vêm com um preço alto, seu potencial de aquecimento. O mundo em desenvolvimento aspira comodidades, como ar condicionado, por exemplo. Cientistas afirmam que se não forem controlados, HFCs e similares podem ser responsáveis por até 11% das emissões de gases de efeito estufa até 2050, em comparação com cerca de 2% hoje.

O novo acordo é fruto de sete anos de negociações e tentativas frustradas de encontrar um terreno comum. Muitas das dificuldades giravam em torno de quão rapidamente os cortes teriam de vir para os países em desenvolvimento como Índia, onde os aparelhos de ar condicionado estão chegando ao alcance de um número crescente de pessoas.

A versão final do acordo cria um sistema de três camadas para diferentes países, Índia, Paquistão e quatro Estados do Golfo têm mais margem de manobra. Eles teriam de congelar o consumo de HFC em 2028 e usar níveis de consumo entre 2024 e 2026, como base para definir metas para reduções futuras. China e outros países em desenvolvimento deveriam interromper o crescimento em 2024, e usar os níveis de emissão entre 2020 e 2022 como base. O mundo desenvolvido deve reduzir gradualmente o uso de HFCs, a partir de 2019. Sendo o objetivo global é redução de 80% a 85% no uso de HFC até 2047.

Sob o acordo, espera-se igualar as emissões de HFC a cerca de 1,2 gigatoneladas de dióxido de carbono em 2050, pouco menos que o dobro dos níveis atuais, diz David Fahey, físico da International Oceanic and Atmospheric Administriation, EUA, que participa da conferência em Kigali como copresidente do painel de avaliação cientifica do protocolo. A previsão para 2050 sob o novo acordo está bem abaixo dos 4 a 5,3 gigatoneladas no valor de CO2, projetada nos termos da regulamentação em vigor.

Para atingir esta meta é preciso desenvolver possíveis substitutos. Alguns dos candidatos são inflamáveis, levantando questões sobre como usá-los com segurança. No Laboratório Nacional de Oak Ridge, Tenessee, EUA, no Departamento de Energia, cientistas utilizam modelagens para avaliar o espalhamento destes gases em ambientes fechados, em caso de vazamento. Isso é parte do cumprimento das normas de segurança, de modo que os novos produtos químicos sejam permitidos em edifícios, diz Omar Abdelaziz, engenheiros responsável pelo trabalho na Oak Ridge.

Os gases refrigerantes serão um problema num mundo com crescente acesso a aparelhos de ar condicionado. Como gases de efeito estufa, os novos produtos são um de um terço a um quarto tão poderosos quanto o dióxido de carbono. E, as emissões para geração da energia necessária para alimentar esses aparelhos podem superar os ganhos da eliminação progressiva de HFCs, adverte Fahey.
A construção de usinas para abastecer 700 milhões de aparelhos e o acordo de Paris, se pergunta “Como vamos lidar com esta demanda de energia?”, diz Fahey.

Fonte: ScienceMag

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