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Segurança do Trabalho aplicada em casa

por em 23/08/2019 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

Segurança do Trabalho aplicada em casa

Quem nunca trocou uma lâmpada em casa? Ou talvez até um chuveiro? Ou mesmo subiu numa escada para arrumar os armários da cozinha? As atividades domésticas estão cheias de pequenos riscos e normalmente nem pensamos a respeito. Convido você, nessa divagação, para falarmos um pouquinho de como a Segurança do Trabalho pode nos ajudar a não sofrer acidentes em casa também.

Acho que a primeira questão que podemos discutir é “como está nossa percepção de risco”. Eu sei que boa parte das atividades é considerada trivial demais para exigir que pensemos mais do que alguns segundos sobre ela, mas garanto que será uma reflexão engrandecedora e que precisa ser feita poucas vezes antes de se tornar, mesmo que inicialmente, mais natural.

A percepção de risco é exatamente o que o nome implica. Ao pensarmos numa atividade ou ao olharmos para uma situação, quanto dos riscos realmente relevantes (vamos chamar de riscos críticos para facilitar) são identificados? Não digo aqui para ficarmos procurando pelos em ovos e nem viajando na maionese sobre situações bizarras como:

E se eu estiver em cima de uma cadeira, trocando uma lâmpada, e um pássaro entrar pela janela, me atingir no lado da cabeça, eu perder o equilíbrio, cair, a lâmpada se espatifar no chão, um dos cacos voar diretamente na minha garganta pela boca e eu morrer engasgado?

Seguindo essa linha, nós não iriamos começar nunca a fazer nada e ficaríamos travados de medo por conta disso. Parece brincadeira, mas sabe onde isso aparece muito? Pais de primeira viagem, que ficam neuróticos achando que tudo vai ferir, aleijar seus filhos, ou pior.

Vale se cuidar mesmo em casa

Estou divagando aqui, mas minha sugestão é: pare alguns segundos e tente achar pelo menos um risco crítico no que irá fazer e numa medida para melhorar (usamos a palavra MITIGAR na segurança do trabalho quando é algo que reduz o risco). Pode ser algo simples como colocar a cadeira numa outra posição ou mesmo tirar o tapete antes, para ela ter menos chances de escorregar.

Logo vai perceber como é fácil fazer isso e como tal ação já ajuda.

Agora, queria dar algumas dicas de atividades mais rotineiras. Muitas parecem simples, mas se esquecermos delas, estaremos correndo riscos à toa.

A eletricidade sozinha pode nos colocar em risco, mais ainda se estivermos em cima de algo

1 – Trocar lâmpadas, chuveiros e outros reparos elétricos com a energia desligada.

A eletricidade é um dos maiores vilões em acidentes domésticos, junto com a altura e os perfuro-cortantes. Felizmente, ela tem uma característca fantástica, do ponto de vista segurança. O risco envolvendo eletricidade pode ser 100% eliminado e é raro quando isso pode ser feito com outros perigos.

Mesmo que seja algo tranquilo, como trocar uma lâmpada, vale a pena ir lá na caixa de força da sua casa/apartamento e desligar a chavinha daquele cômodo. Hoje em dias as caixas de força são bem identificadas e separam bem os cômodos, as tomadas, os chuveiros, etc. Caso não seja o seu caso, vale chamar alguém para fazer essa identificação ou fazer você mesmo, brincando de ache onde a luz apagou (se tiver filhos, pode ser uma diversão e tanto).

Desenergizar o ponto onde irá mexer resolve totalmente o problema com eletricidade. Com isso nos protegemos desde o óbvio choque, até de esbarrar ou cair pelo espasmo natural que temos, seja pelo susto ou pela dor, ao recebermos uma descarga elétrica.

2 – Use as ferramentas e equipamentos adequados para as atividades.

Muitas vezes fazer o certo custa só um pouco a mais do nosso dinheiro e tempo, mas não nos expõe a riscos desnecessários

Falamos acima sobre subir na cadeira, mas que tal usar o “equipamento” adequado para uma atividade? Se dar ao trabalho de pegar uma chave de fenda ao invés de usar a faca de cozinha para soltar um parafuso?

Uma das premissas básicas da segurança é não fazer gambiarras e nem dar um jeitinho. Fazer o que precisa ser feito, mas do modo correto.

Ter um joguinho de ferramentas e uma escadinha dobrável, daquelas de 3 degraus, podem ser a diferença entre se machucar ou não. Quando usamos as ferramentas certas, podemos confiar que não estaremos correndo nenhum risco a mais do que os “esperados”.

Isso sem falar que fazer do jeito certo normalmente é mais rápido e preciso também.

A escada, no lugar da cadeira ou do banquinho, normalmente tem um pé antiderrapante e pequenas travas para que ela não abra mais do que o previsto. Cair de uma cadeira vai matar você? Provavelmente não, mas uma mão mal posicionada durante a queda já vai ser mais que suficiente para ter um problema por vários dias.

3 – Não misture produtos químicos sem saber certinho qual será o resultado disso

Não é só bebendo que um produto químico pode nos trazer problemas

Uma situação muito comum é, durante uma faxina, termos aquelas receitinhas caseiras de como tirar manchas, como lavar uma bancada de pedra ou como deixar os rejuntes de banheiro branquinhos. E tão comum quanto é esquecermos que estamos lidando com produtos químicos.

Um dos grandes expoentes e maiores causadores de problemas, quando manuseado de maneira impensada, é o cloro. Já vi misturarem ele com diversos outros produtos, desde água até Veja-Multiuso. Além de ter um potencial de gerar gases tóxicos, pode causar ferimentos na pele e nas mucosas.

Onde eu quero chegar com isso? Seguindo a mesma ideia de parar um pouco antes de fazer algo, quando for manusear produtos químicos vale parar 2 minutos e ler o rótulo. Geralmente ele contém informações importantes sobre essas questões de segurança, além de falar a maneira correta de guardar esses produtos.

Além disso, nunca é demais ressaltar o cuidado de deixar esses produtos bem identificados e longe do alcance das crianças.

Que tal deixar nossa casa tão segura quanto nosso trabalho?

Com essas três dicas e o cuidado de intencionalmente pensar a respeito da atividade que irá fazer, já conseguimos reduzir bastante a chance de nos machucarmos em casa com essas situações domésticas. Inclusive, podemos fazer isso pela pessoa que mora conosco, se percebermos que ela está se pondo em risco desnecessariamente. Essa semana mesmo eu avisei a minha esposa que ela tinha colocado a escada em cima do tapetinho da cozinha, sem perceber, para guardar as comprar no armário.

Se cuidamos do nosso dinheiro, da nossa saúde e das nossas coisas, qual a estranheza de cuidarmos da nossa segurança também? Que outras situações nos colocamos em risco à toa?

Vale sempre essa reflexão.

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