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O sequestro de dados é o estelionato do futuro?

por em 17/11/2020 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

O sequestro de dados é o estelionato do futuro?

A tecnologia veio para ficar, influenciando cada vez mais as gerações humanas e gerando muitas facilidades em vários pontos, fazendo com que hoje pensar a existência sem toda essa inovação seja praticamente impossível. Porém, como demonstrado em nossa história, muitas vezes inovações que foram planejadas para o bem acabam sendo usadas por criminosos para causar danos a nossa sociedade.


Nesse sentido temos de falar sobre o ransomware, que não é um conceito difundido para a maior parte das pessoas, mesmo que possam ser as próximas vítimas do ilícito. Ocorre que, como os delitos relacionados a ele estão aumentando de forma rápida e sua frequência está causando prejuízos financeiros gigantescos, essa discussão deve ser feita.

O termo ransomware é utilizado como termo genérico para que se possa identificar um tipo de malware comumente utilizado para a prática de crimes de extorsão, quando ameaçam as vítimas por meios digitais, obrigando-as a fazer pagamentos de valores específicos em moedas determinadas em troca de seus dados

Funciona assim: o criminoso consegue o acesso aos seus dados e faz uma criptografia avançada. Assim você não pode acessar nenhuma informação que tinha armazenada no dispositivo atacado, o que pode causar danos imensos, tanto a empresas, instituições ou mesmo pessoas físicas como nós. Imagina aquele artigo que você escreveu? Ou o seu TCC? Um relatório para o seu trabalho ou mesmo fotos de um tempo passado? Tudo isso fica bloqueado por conta do ataque.

Depois disso o que acontece é que o criminoso entra em contato com a vítima e solicita um pagamento para que seus dados sejam desbloqueados. Ameaça, inclusive, que, caso ele não seja realizado, tudo o que foi bloqueado irá se perder para sempre, pois tudo é apagado rapidamente quando as exigências não são aceitas. Esse problema cria novos jeitos de extorsão virtual, gerando um mercado lucrativo e sem precedentes que pode gerar inúmeros prejuízos.

Antigamente, a lógica era a de roubar dados de grandes empresas, usando malwares, para vender aos seus concorrentes como um tipo moderno de espionagem industrial, se valendo de roubo por autônomos, que depois tentavam capitalizar as informações.

Claro que essa prática não foi extinta, porém, pensando que as grandes corporações com poder econômico são limitadas e dificilmente incorreriam no erro de ter seus dados roubados inúmeras vezes, se apresenta um mercado com mais possibilidades colocar como vítima qualquer pessoa que faça uso da rede. Assim a lógica que legitima o golpe se dá na quantidade de pessoas que podem ser atacadas.

As informações que todos nós diariamente despejamos nas redes compartilhadas são inúmeras, e fazem com que bancos de dados tenham uma visão praticamente completa de nossas vidas, interesses, gostos e poder de compra. Isso faz com que esses dados sejam uma moeda muito valorizada no mercado, porque quem detém a informação também sabe como deve proceder para seu produto vender mais, ou para controlar uma nação em um estado autoritário.

Frente a isso podemos entender que a moeda mais cara do mercado nos dias de hoje são os dados que gratuitamente fornecemos as redes, que de forma peculiar conseguem monetizar os dados para auferir lucro e fazer suas ações de marketing para o consumo de massa. Ocorre que, então, existem cada vez mais criminosos que tentam acessar e roubar esses dados, para conseguir, com chantagem e ameaças, que valores sejam pagos.

Algumas companhias de seguro já começaram a oferecer um seguro cibernético para que as pessoas e empresas estejam preparadas para ataques e não tenham grandes prejuízos, com uma cobertura variada de acordo com a necessidade de proteção e o risco de violação.

Contudo, espera-se que as vítimas aprendam como funcionam os ataques e assim consigam formas de se proteger , baseadas na experiência de pessoas que foram lesadas e que consigam ter noção do alcance que essas ameaças podem ter.

Uma das coisas mais importantes é a questão da segurança de informação e de que forma podemos efetivamente tomar medidas para amenizar os danos e o acesso dos criminosos a esses dados. Isso se torna um problema de grande complexidade quando as redes e códigos inerentes ao funcionamento da tecnologia se demonstram como algo mutável, onde novos conceitos vêm sendo desenvolvidos todos os dias, tanto para a proteção quanto para o uso malicioso.

Além disso, pesquisadores de segurança e tecnologia vêm buscando meios de solucionar esses ataques, e ainda preveni-los, para que haja mais segurança entre os usuários e que a solução seja duradoura, visto que a tecnologia está em constante transformação.

Como podemos constatar, não somente os dados dos seres humanos podem ser bloqueados por esse tipo de ação, mas as consequências podem ir para esferas práticas da sociedade, causando danos irreparáveis.

Assim, com base na análise de dados e de ransomware, é possível concluir que a melhor forma de tentar minimizar os danos é realizar um backup dos arquivos regularmente, além de buscar novos avanços tecnológicos que possam trazer mais segurança ao usuário, como desenvolvimento de algoritmos para proteção de dados.

Aliadas aos pesquisadores, as autoridades policiais também têm um papel importante na investigação dos ataques, para identificar os responsáveis e puni-los, porque a cibersegurança se tornou um problema de segurança pública, demonstrando que o combate a esses crimes deve vir de todos os lados, com forças tarefas efetivas, para manutenção da sociedade no ambiente de rede como conhecemos.

No passado os crimes eram essencialmente territoriais e ocorriam no local em que a pessoa residia, assim, as leis e políticas de repressão foram construídas baseadas nesse pressuposto, incluindo aí as legislações de países e também as condições de soberania de territórios e de condutas praticadas em sua terra física.

O problema é que esse tipo de crime tem uma característica muito particular. Hoje esses atos podem ser cometidos de forma intercontinental, então ataques sofridos no Brasil podem estar sendo feitos de lugar longínquos como a Europa ou os Estados Unidos, tornando a responsabilização pelos danos mais difícil de acontecer.

Existe também a questão do estado como regulador das atividades humanas. Muitas vezes isso se dá de forma lenta frente à evolução da tecnologia que, de forma exponencial, cria soluções e alternativas tecnológicas para resolver os problemas do mundo. Esse sempre foi um problema enfrentado pelo nosso ordenamento, porém hoje ele se agrava, pois a velocidade de mudança se apresenta em proporções nunca antes vistas.

É necessário cada vez mais se entender como esses criminosos agem para buscar a criação de políticas que lutem contra esse tipo de prática, visando a destruir suas fontes de renda e também punir as pessoas que usam desses artifícios.

É importante também conhecer a origem criminosa dos valores arrecadados pelos cibercriminosos que faz com que eles não tenham que pagar impostos, saindo em vantagem econômica e gerando cada vez mais riqueza para os agentes, que podem investir em novas formas de atividades cibercriminosas.

Esses valores normalmente são movimentados pelas chamadas ciber-moedas que se tornaram as ferramentas utilizadas no mercado de bens e serviços ilícitos, servindo como uma moeda de troca comum, no mercado ilegal. Por esses meios é que normalmente os criminosos fazem a cobrança da sua chantagem por dados, gerando todo um mercado lucrativo e dificilmente detectável.

As regulações são necessárias, mas precisam ser viáveis economicamente, pois, em um mundo onde o capital de fato comanda praticamente todas as decisões, quando ele é atacado normalmente sai vitorioso.

Dessa forma, a atenção encontra-se voltada para solucionar as dificuldades em estabelecer e implementar um sistema eficaz e global para combater as ciberocorrências e crimes relacionados a lavagem de dinheiro e terrorismo, financiados por meio de Bitcoin e de usuários. Para que assim seja possível concretizar uma cooperação necessária para o combate dessa indústria de crimes.

Outro fato importante é que em breve possivelmente utilizaremos a quinta geração do sistema de comunicação móvel (5G), voltada especificamente para o usuário, fazendo com que os possíveis ataques à segurança cibernética tomem proporções nunca percebidas, visto que as conexões serão mais rápidas e isso pode beneficiar os criminosos.

Baseado em tudo o que foi falando nesse texto, podemos ver que a tecnologia vem trazer inúmeros benefícios para as pessoas, e que a sua revolução está acontecendo a todo momento. Mas como sabemos essa revolução também vem para trazer novos problemas, o que já era esperado, dado seu grande potencial de inovação.

Nós, como seres humanos pensantes, precisamos encontrar maneiras de aliar o poder da tecnologia para que ele sempre seja levado à criação de inovações como nosso aliado e com isso trilhar um caminho de paz e harmonia entre todos os seres humanos.

Gostou do assunto? Até o próximo texto que vai tratar de outro crime que envolve a tecnologia.

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