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O interior do planeta e sua relação com a dinâmica de superfície

por em 08/04/2022 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

O interior do planeta e sua relação com a dinâmica de superfície

O planeta Terra está em constante transformação, não apenas pela atividade humana e as alterações causadas em termos climáticos e na biosfera, como também devido à evolução geológica natural do planeta ao entrar em equilíbrio térmico com o restante do Universo.

Pode parecer estranho, mas enquanto sofremos com o aumento anual das médias de temperaturas, o planeta está se resfriando como um todo, assim como esteve desde a sua formação há 4,5 bilhões de anos atrás.

Não nos entendam mal, o aquecimento global é uma realidade, mas, em uma escala maior, o planeta está perdendo a sua energia para o Universo, que, em sua totalidade, está em temperaturas muito abaixo das do nosso planeta e do que a sensação térmica que presenciamos no nosso dia a dia.

O processo de resfriamento e equilíbrio térmico que citamos, ocorre desde a formação do universo, há 14 bilhões de anos, com todas as estrelas e planetas que se formaram desde então, incluindo a Terra, que em seu início era apenas uma bola de fogo.

Com a redução da temperatura, o magma que cobria a superfície pôde se resfriar e assim foi possível a formação das primeiras formações rochosas, ainda incipientes e em pequenas escalas, bastante primitivas. Esse foi o ponto de partida para existirem os continentes. Pequenos pedaços de rocha permitiam uma maior dificuldade de os magmas atingirem a superfície, e com isso as rochas foram se diferenciando e também ficando cada vez mais espessas, o que consequentemente intensificava toda essa dinâmica.

Com o espessamento e aumento de área desses blocos rochosos, dava-se início ao que futuramente passou a ser chamado de tectônica de placas, o maior responsável por termos os continentes da forma como conhecemos hoje.

Tudo isso teve início devido à busca do Planeta em atingir o equilíbrio térmico, com o interior mais quente e enviando material para a porção externa mais fria. Esse é o principal motor de toda essa atividade vulcânica e de movimentação de placas tectônicas que molda a Terra até o presente dia, gerando a formação de grandes cadeias de montanhas como os Andes e, na outra ponta, a formação de grandes oceanos como o Atlântico, na separação entre América do Sul e África.

Foi devido a interações desse material com a superfície que a nossa atmosfera se desenvolveu, e a partir da sua existência que nossas outras esferas, essenciais para o desenvolvimento e sobrevivência, puderam evoluir.

A hidrosfera começou a ser formada uma vez que a atmosfera possuía gases suficientes para precipitar e, posteriormente, a biosfera pudesse usar a água e oxigênio disponíveis desses ambientes para seu sustento.

Apesar de ser o grande motor e o grande responsável por nossa existência, há também no interior da Terra um grande potencial para causar desastres naturais. A movimentação de magmas buscando atingir a superfície são motivo de terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas devastadoras, chuvas ácidas e envenenamento por gases nocivos. Porém o planeta está acostumado a passar por eventos desse tipo, as rochas e os seres vivos ficam evoluindo e buscando formas de sobreviver a essas adversidades. A própria raça humana só conseguiu se desenvolver depois da extinção dos dinossauros, espécie dominadora de períodos anteriores ao nosso.

Esses eventos são muito danosos no ponto de vista humanitário, considerando altos números de fatalidades e destruição, mas existem inúmeros acontecimentos similares registrados nas rochas que estudamos hoje. Registros de grandes eventos estão marcados como grandes camadas de argilas registrando grandes enchentes ou estruturas em rochas sedimentares marcadora de eventos isolados de grandes tempestades.

A história geológica mostra que a nossa melhor opção é nos proteger desses eventos, com investimento em construções preparadas para resistir a eles. O Japão, país localizado em uma zona de grande atividade tectônica, é bem especializado em construções desse tipo, conseguindo reduzir significativamente os impactos desses eventos quando ocorrem por lá.

Até que a energia interna do planeta entre em equilíbrio térmico com a porção externa, eventos tectônicos e magmáticos tendem a continuar ocorrendo. O que é uma coisa boa, pois assim que eles pararem, o que irá demorar alguns bilhões de anos, será o início da extinção do próprio planeta. A Terra se tornará uma “uma grande pedra REDONDA e fria”.

Além da relação simbiótica da dinâmica interna com as esferas superficiais, o fim da energia interna significa que não existirá mais um nível no interior da terra que se encontra num estado físico fundido, portanto, não causará mais o efeito de dínamos ao girar em torno do nosso núcleo metálico e será também o fim do nosso campo magnético. Campo magnético que nos protege dos inevitáveis ventos solares que tornariam a vida impossível, além de uma ferramenta para várias espécies que se locomovem com o uso dele para se guiar.

Ao fim de todos esses processos, a vida deixa de ser possível e será o evento final de extinção em massa, restando apenas os registros nas rochas para, talvez, civilizações extraterrestres poderem estudar.

Por isso a corrida espacial é tão importante para a sociedade. O investimento na ciência nesse sentido nos dá a perspectiva não apenas de abandonar o Planeta pelas nossas ações degradantes, mas também pela própria evolução natural. A busca de planetas similares ao nosso se baseia tanto na presença água, como numa dinâmica tectônica ativa, para que os processos geológicos que nos fornecem recursos também possam estar presentes.

Fontes:  PRESS, F.; GROTZINGER, J.; SIEVER, R.; JORDAN, T. H. Para Entender a Terra.

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