Quando nos machucamos, seja batendo o dedo na quina do sofá, ou quando estamos com dor na lombar de ficar muito tempo sentados (e não porque estamos ficando velhos haha), geralmente sentimos alguns sinais que podem indicar um processo inflamatório, sendo o mais comum a dor.
Ela é considerada um dos sinais cardinais do processo inflamatório, caracterizado também por calor, rubor (vermelhidão) e tumor (inchaço/edema) e perda da função. Esses sinais aparecem após o organismo perceber a lesão e liberar algumas substâncias que funcionam como mecanismo de defesa contra o agente agressor. Dentre essas substâncias liberadas estão as prostaglandinas.
As prostaglandinas são produzidas a partir do ácido araquidônico, regulando alguns processos da inflamação, e existem 4 tipos de prostaglandinas bioativas que mantêm a homeostase do corpo. Contudo, durante uma resposta inflamatória, seu nível e perfil mudam: elas deixam o estado basal nos tecidos e aumentam conforme a inflamação evolui.
Mas onde entram os anti-inflamatórios não esteroidais (chamados de AINEs) nessa história?
Para as prostaglandinas serem produzidas, é preciso que ocorra a conversão de ácido araquidônico em prostaglandinas, e esse processo é mediado por enzimas chamadas ciclo-oxigenase (COX), divididas em dois tipos: COX-1 e COX-2.
A COX-1 é chamada de constitutiva por existir independentemente de inflamações. Presente na maioria dos tecidos, ela produz prostanoides com funções protetoras, como a indução do muco gástrico que protege o estômago do ácido clorídrico. Também atua na saúde renal, mantendo o fluxo sanguíneo e a filtração glomerular, e auxilia na coagulação. Alguns estudos mencionam a COX-3 que seria uma variante da COX-1 com ação mais central.
Já a COX-2 é chamada de induzível, pois surge em resposta a lesões ou infecções. Sua função principal é produzir as prostaglandinas que emitem o ‘alerta’ do organismo, gerando os sinais cardinais mencionados anteriormente.
E é aí que os AINEs entram. A função deles é simplesmente bloquear a ação da COX. Bloqueando a COX, não há a produção das prostaglandinas, e consequentemente, não há os sinais da inflamação.
Os AINEs usados mais comumente (dipirona, paracetamol, ibuprofeno, diclofenaco, entre outros) agem nas duas COXs, afetando outros sistemas. Isso pode reduzir a produção de muco, gerando dores estomacais, ou comprometer o fluxo sanguíneo renal, o que traz sérios riscos se o uso for prolongado.
Mas seria ótimo se existissem AINEs que agissem somente na COX-2, não seria? E eles existem, mas os medicamentos que inibem apenas a COX-2 (celecoxibe, etoricoxibe e parecoxibe), aquela que age na prostaglandina da inflamação, são de uso mais controlado devido a possíveis reações cardiovasculares e gastrointestinais graves, vendidos somente com receita de medicamento controlado, obtido após avaliação do médico.
Os AINEs são eficazes quando utilizados de forma esporádica e por tempo limitado para dores pontuais. Entretanto, vale lembrar que eles tratam apenas o sintoma, e não a causa. O uso indiscriminado pode mascarar condições que exigem avaliação médica para uma solução definitiva. Por isso, muito cuidado com a automedicação.
Referências
Sylvester J. Anti-inflamatórios não-esteroidais. Konstantatos A, editor. Anaesthesia Tutorial of the Week. 2011 Nov 7;240.
Zidar N, Odar K, Glavač D, Jerše M, Zupanc T, Štajer D. Cyclooxygenase in normal human tissues – is COX-1 really a constitutive isoform, and COX-2 an inducible isoform. J Cell Mol Med. 2009 Sep;13(9b):3753-63. doi: 10.1111/j.1582-4934.2008.00430.x.

