No começo de dezembro o Spotify libera o wrapped do ano, as músicas, artistas, podcasts e estilos musicais mais ouvidos de cada assinante. Inclusive, esse ano uma nova categoria foi incluída, que foi a idade mental (a minha deu 69 anos, uma jovem senhora haha), e, pensando nisso, vi um vídeo (@davidmorimc) falando como a música se relaciona com a demência. No vídeo ele explica um pouco mais sobre como a música pode se conectar com memórias, e sugere salvar as playlists das nossas músicas mais ouvidas para mais tarde. 

A demência se caracteriza como o declínio geral das habilidades mentais e pode interferir nas atividades normais e familiares da pessoa, gerando confusão, perda da memória e habilidades, inclusive de tarefas diárias. A doença de Alzheimer é a causa mais comum da demência. 1 

Estudos demonstraram que um programa mais individualizado de música afetou o humor de pacientes com demência, e um estudo em específico buscou analisar o mecanismo que ativa a rede neural no cérebro de pessoas com esse tipo de doença. Os resultados podem oferecer uma nova abordagem para a ansiedade, depressão e agitação em paciente com demência. 2 

Nesse estudo, por 3 semanas os pesquisadores auxiliaram os participantes a escolherem músicas significativas para eles, além de ensiná-los a usar e carregar um dispositivo de mídia portátil com as músicas pré-selecionadas. Usando ressonância magnética nuclear, os pesquisadores escanearam partes do cérebro dos pacientes, que acenderam quando ouviram 20 segundos de música em comparação com o silêncio e colocaram 8 clipes de música da coleção do paciente, 8 clipes das músicas no reverso, e 8 clipes em silêncio. 2 

A comparação das imagens indicou que a música ativa o cérebro, induzindo a comunicação de regiões inteiras. Ouvindo uma trilha sonora pessoal, regiões do cérebro apresentaram conectividade significativamente maior. Contudo, esses resultados não são conclusivos, já que o estudo foi realizado com apenas 17 pacientes e não foi reproduzido, com nova coleta de imagens.2 

Apesar de os estudos disponíveis não apresentarem um resultado conclusivo, o que se sabe é que pessoas com demência, com o passar do tempo, esquecem fatos importantes da sua vida, inclusive sobre si mesmos e sobre suas relações familiares, perdendo sua identidade gradualmente. Contudo, essas pessoas têm uma tendência maior de acessar memórias dos 10 aos 30 anos, fenômeno conhecido como “reminisence bump” (pico de reminiscência). 3 

As nossas músicas favoritas não revelam apenas nosso gosto musical, mas também podem nos transportar para períodos da nossa vida que foram muito importantes, ou até mesmo para momentos banais com nossos amigos da escola, mas que de alguma forma marcaram quem nós somos. Mas muito mais que isso, a nossa playlist de músicas ouvidas também pode nos ajudar a lembrar de quem éramos e de como chegamos até aqui.  


1- APS/BVS. O que é Demência? [S. l.]: BVS, [20–]. Disponível em: https://aps-repo.bvs.br/aps/o-que-e-demencia. Acesso em: 10/12/2025 

2- UNIVERSITY OF UTAH HEALTH. Music Activates Regions of Brain Spared by Alzheimer’s Disease. Utah, abr. 2018. Disponível em: https://healthcare.utah.edu/press-releases/2018/04/music-activates-regions-of-brain-spared-alzheimers-disease. Acesso em: 10/12/2025 

3- KOPPEL, Jonathan; RUBIN, David C. Recent Advances in Understanding the Reminiscence Bump: The Importance of Cues in Guiding Recall from Autobiographical Memory. Current Directions in Psychological Science, [S. l.], v. 25, n. 2, p. 135-149, 1 abr. 2016. DOI: 10.1177/0963721416631955. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4850910/. Acesso em: 13/12/2025