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Bilionários: uma reflexão sobre o acúmulo de capital

por em 13/01/2021 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

Bilionários: uma reflexão sobre o acúmulo de capital

Em 1987, o número de bilionários era em torno de 150 em todo o mundo e eles detinham uma fortuna de U$ 300 bilhões. Hoje, só no Brasil, temos 238 bilionários com uma fortuna equivalente ao PIB do Chile (U$ 298,2 bilhões). Em 2019, a Forbes registrou pelo menos 2.153 bilionários em todo o mundo. Se todos os bilionários do mundo juntos fossem um país, seriam o 8º mais rico do mundo. Os bilionários são figuras que geram discussões, admiração e/ou revolta por parte da população mundial. Essas pessoas são a materialização do que o acúmulo de capital é capaz, transformando-os em um símbolo de desigualdade e de um sistema capitalista viciado. Quando falamos sobre dinheiro e poder aquisitivo, as coisas são um pouco diferente para os bilionários. Se compararmos um bilionário a uma pessoa que ganha entre dois e seis salários mínimos, uma viagem de jatinho particular é como uma passagem de ônibus ou metrô/trem; um carro extremamente luxuoso é como comprar um carrinho de controle remoto; e uma ilha particular é como dar entrada em uma casa com dois ou três quartos. É claro que alguns desses bilionários conquistaram sua fortuna inventando coisas que mudaram a nossa vida e o mundo. Portanto, essas pessoas são boas ou ruins para o mundo?

A origem da riqueza

Quando pensamos em riqueza, culturalmente, pensamos em pessoas que trabalham duro para conquistar sua fortuna. Mas, quando analisamos os dados, fica evidente que quanto mais dinheiro você tem, mais a sua renda vem do capital e não do trabalho. Alguém que herda uma fortuna bilionária, tem a opção de simplesmente nunca trabalhar. Isso quer dizer que dinheiro gera dinheiro. Como disse Edgar Bronfman (herdeiro da fortuna de Joseph Seagram):

“Transformar 100 reais em 110 reais é trabalhar. Transformar 100 milhões em 110 milhões é inevitável”.

 Se as riquezas continuarem aumentando dessa forma, durante algumas gerações, tanto dinheiro e poder se transformarão em dinastias. O dinheiro traz poder e o poder traz influência política. E a política, por sua vez, decide como vivemos. Apenas 56% dos bilionários construiram suas fortunas por mérito próprio, do zero. Grande parte já eram ricos e trabalharam para aumentar o patrimônio. E quando você já é rico, ficar mais rico não é difícil.

Além disso, há também os cleptocratas, cuja a origem da riqueza está ligada diretamente aos recursos naturais de um país. Os países onde isso ocorre com mais clareza são na Russia e na China. Na Russia, porque após a dissolução da União Soviética em 1991, isso ficou mais evidente. Na China, pelo parlamento Chinês possuir uma centena de bilionários. Essa forma de ganhar dinheiro é criticada pelo mundo e bem controversa.

Como os ricos escondem o dinheiro

Quando falamos sobre rastrear o dinheiro de bilionários, esse é um campo nebuloso em que muitas vezes nem os próprios bilionários sabem o quanto possuem de dinheiro ao certo. A Forbes, que foi o primeiro veículo de comunicação a investigar e fazer um ranking de bilionários, diz que subestimam o quanto dinheiro tem os bilionários e também a riqueza mundial. Com o mundo cada vez mais globalizado, os bilionários têm a seu dispor o mundo inteiro para guardarem suas riquezas e se eximirem de impostos. As Ilhas Cayman, por exemplo, é um ótimo lugar para quem não quer taxa sobre rendimentos. Para diminuir taxas, uma empresa pode ir a Luxemburgo. Para evitar impostos sobre herança, você pode deixar seu dinheiro em Jersey. Se você quer esconder seus bens de credores, as Ilhas Cook são especialistas nisso. Então, o que fazer?

Os documentos do Panamá

Em 2016, o mundo teve um vislumbre de como os bilionários escondiam seu dinheiro em paraísos fiscais. O escritório de advocacia Mossack Fonseca, do Panamá, foi responsável por 11,5 milhões de documentos que forneciam informações detalhadas de mais de 214.000 empresas em todo o mundo. Esse escândalo expôs ricos e poderosos do mundo todo. Alguns desses ricos são estrelas do esporte, governantes de diversos países e artistas. 10% do PIB mundial estava em contas de bancos estrangeiros. Vários países foram impactados com todo esse sistema global de esconder dinheiro. A Russia foi um dos mais afetados, os ricos russos escondiam pelo menos 50% do seu dinheiro em contas estrangeiras. Isso é muito imposto sobre rendimentos que poderiam ir para o serviço público e melhorar escolas, hospitais e universidades. Os bilionários simplesmente podem escolher a lei do país que quiserem e colocar sua fortuna lá.

O sistema viciado

No começo de 2018, em Nova York, 72% dos apartamentos que custavam mais de 10 milhões de dólares foram comprados por empresas LTDA, que permitiam que o nome do comprador ficasse anônimo. O sistema jurídico beneficia, e muito, essas pessoas. E, além do jurídico, o sistema tributário também beneficia essas pessoas. Como dito no começo, a maior renda dos bilionários vem do capital e não do trabalho em si. Na maioria dos países, a renda por trabalho individual paga mais impostos que a renda de capital. Isso quer dizer que taxa-se trabalho com impostos mais altos do que bens. Nós precisamos inverter essa lógica.

Conclusão

Os países não acompanham a economia mundial no âmbito de cada país. A Russia, por exemplo, não fazia ideia de que os ricos do país estavam guardando metade de sua fortuna em países extrangeiros. Na grande maioria dos países, a população é a favor da taxação de grandes fortunas e até alguns bilionários concordam que deviam pagar mais impostos. Como disse Warren Buffett:

 “O sistema tributário beneficia os ricos e é ruim pra classe média. Isso deveria mudar”.

O problema não são os bilionários em si. Alguns fazem coisas incríveis com o dinheiro e às vezes muito mais eficiente do que o próprio governo. Algo como lançar foguetes era um trabalho desenvolvido somente por países por meio de agências nacionais, não por indivíduos. Hoje temos a Blue Origin e a SpaceX que o fazem com excelência e estão na vanguarda da tecnologia espacial. O verdadeiro problema é o sistema que permite esse acúmulo gigantesco de capital e uma desigualdade enorme.

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