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Quando eu ficar velhinha…

por em 30/05/2018 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

Quando eu ficar velhinha…

Onde você, leitor, se imagina morando na melhor idade? Sim, ela chega para todos e quem sou eu para não abraçar a melhor fase que a vida pode me oferecer? Não teria mais desculpas para ficar em casa em um sábado à noite vendo séries até dormir (21h, claro); passaria dias procurando qual supermercado tem o quilo do tomate mais em conta… Claro que eu já faço tudo isso, pois esse estereótipo de melhor idade que temos já não é tão real assim!

Na minha família, minha mãe e meus tios, que já desfrutam das maravilhas da experiência sexagenária, são tão ativos quanto eram aos 30, aos 40, aos 50… quase nada mudou, só a maneira de olhar a vida e a serenidade ao desfrutar dos momentos de descanso. No caso específico da minha família, eles moram com seus maridos ou esposas, e também há os que moram sozinhos. A rotina de cada um é única, seja com as tarefas de casa ou com o trabalho fora, e eu percebo que a atividade diária de cada um deles é imprescindível para a felicidade de cada um.

Mas por que estou falando da minha família e da rotina de cada um? Vou repetir a pergunta que fiz no começo do texto: onde você, leitor, se imagina morando quando os 60 ou mais chegarem? Será que o lugar onde moramos pode influenciar na qualidade de vida? Na minha humilde opinião: COM CERTEZA ABSOLUTA. Dependendo da rotina que a pessoa leva, viver em locais agitados pode ser muito benéfico, mas por outro lado, se a pessoa não se socializa muito, um bairro tipo a Vila Madalena em São Paulo, pode ter o efeito oposto.

Pensando nessa ideia de como o lugar onde moramos pode influenciar na nossa qualidade de vida, pesquisei sobre locais onde a melhor idade pode viver com qualidade, respeito e carinho. Encontrei um lugar perfeito, mas infelizmente não é no Brasil, mas sim nos Estados Unidos. Uma organização criada por moradores do bairro Beacon Hill, em Boston, visa à manutenção de casas e famílias que quiserem morar em um bairro colaborativo, com facilidades como cuidadores, médicos e uma série de voluntários para ajudar em diversas situações, além de uma vida social agitada para os que gostam da noite. Mas não vá embora! Isso tudo acontece em um bairro da cidade, do tipo mesmo da Vila Madalena, sem que haja uma segregação do restante da cidade.

A Beacon Hill Village aceita pessoas com no mínimo 50 anos de idade, e a missão deles é “cuidar e ser cuidado”, com a premissa de que ter uma vida ativa entre os moradores do bairro é importante para cuidar e ser cuidado. Imagine não ter que sair de casa, mas simplesmente aderir a um programa que, além de fornecer ajuda qualificada, te oferece a oportunidade de interagir com várias pessoas em clubes de livro, clubes de filmes, e mais desses eventos bem comuns nos EUA? Há os que concordam comigo que isso é um avanço muito grande para os sistemas de cuidadores de idosos, pois não é necessário sair de casa, o que pode ser um fator muito importante na maneira como encaramos o envelhecimento; não há segregação da comunidade, ou seja, o bairro é o mesmo, ele não é habitado somente por pessoas que aderiram ao programa, e sim por seus moradores habituais; e não é necessário ficar no ambiente de casas de repouso – o ambiente quase que hospitalar pode também afetar como vemos os anos chegando. Por outro lado, a ideia de casas de repouso, mesmo que atualizadas para um modelo moderno e mais preocupado com a dignidade pode ainda afastar possíveis moradores que não concordem com o cuidado excessivo que estes lugares geralmente oferecem.

Saber envelhecer é o evento que me parece mais presente na vida de muitas pessoas que conheço, inclusive na minha própria vida. Saber o que gostamos de fazer, o que não gostamos, como conviver com nossa família e amigos, colegas de trabalho… tudo isso é parte do processo de viver ativamente, e ao mesmo tempo envelhecer ativamente.  A preocupação com a qualidade de vida desde muito cedo é um dos fatores que me faz pensar em como os anos virão e como podemos tirar o melhor proveito dessa existência.

 

How a new kind of community is creating a better aging experience