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Scicast #07: Testes com Animais Parte 1

por em sex 13America/Sao_Paulo dez 13America/Sao_Paulo 2013 em Destaque, Scicast | 7 comentários

Scicast #07: Testes com Animais Parte 1

Pode a ciência andar de mãos dadas com a sensibilidade? Esta semana Silmar Geremia, Jorge Costa, Ronaldo Gogoni e Matheus Gonçalves (equipe #SciCast) unem-se aos pesquisadores Tatiana Nahas (@ciencianamidia e Ciência na Mídia) e Rafael Soares (@Rafael_RNAm e RNAm no ScienceBlogs) para partir em busca dos Beagles perdidos e debater sobre a necessidade de fiscalização e controle sobre os testes científicos aplicados em animais. Aproveite e finalmente descubra a diferença entre rato, ratazana e camundongo.

Comentado neste episódio:

  • Foundation for Biomedical Research: farta documentação (em inglês) explicando os motivos de por que determinados animais serem necessários para testes específicos.
  • O Uso de Animais em Testes Científicos: artigo altamente elucidativo, escrito por nossa convidada Tatiana Nahas em seu blog Ciência na Mídia.
  • Legislação sobre Testes em Animais no Brasil:
    • Lei 11.794/2008: conhecida como Lei Arouca, regulamenta o inciso VII do § 1º do art. 225 da Constituição Federal, revogando a Lei nº 6.638, de 8 de maio de 1979, e estabelece procedimentos para o uso científico de animais. A lei Arouca criou também o Conselho Nacional de Experimentação Animal (CONCEA).
    • CONCEA: é um órgão do Poder Executivo, integrante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), responsável pela formulação de normas relativas à utilização humanitária de animais com finalidade de ensino e pesquisa científica, bem como estabelecer procedimentos para instalação e funcionamento de centros de criação, de biotérios e de laboratórios de experimentação animal, dentre outras atribuições
    • RENAMA: a Rede Nacional de Métodos Alternativos ao uso de animais, criada em 2012 pelo MCTI, tem por objetivo aplicar o princípio dos 3Rs – Redução, reflete a obtenção de nível equiparável de informação com o uso de menos animais; – Refinamento promove o alívio ou a minimização da dor, sofrimento ou estresse do animal; – Replacement ou Substituição, estabelece que um determinado objetivo seja alcançado sem o uso de animais vertebrados vivos. A ideia é propiciar uma infraestrutura laboratorial e de recursos humanos especializados capazes de implantar métodos alternativos ao uso de animais, além de desenvolver e validar novos métodos no Brasil.
  • Ativistas invadem Instituto Royal em São Roque (SP): houve depredação e o resgate de dezenas de cachorros da raça Beagle, supostamente vítimas de maus-tratos durante a execução dos testes científicos.
  • Ativistas invadem novamente o Instituto Royal: nesta segunda investida, bem mais violenta do que a primeira, foram levados os animais restantes. Dentre os espécimes retirados, a maioria eram de ratos.
  • Instituto Royal decide encerrar as atividades no laboratório de São Roque: segundo nota divulgada pelo instituto, a primeira invasão provocou “elevadas e irreparáveis perdas”. O laboratório afirmou também que temia pela segurança de seus funcionários.
  • Empresa prospera sem fazer testes com animais: o sucesso é atribuído à filosofia da empresa, que comercializa produtos quase 100% naturais e, em vez de bichos, testes feitos em voluntários, que não cobram nada e ainda fazem fila para servir de cobaias. “Usamos em nós mesmos por meses. E, depois, começa o processo formal com um painel de testes”, explica a diretora de ética, Hilary Jones.
    • Na Europa, os testes foram abolidos para o desenvolvimento de cosméticos: A União Europeia baniu testes de produtos acabados em animais e de componentes de cosméticos, mas não menciona testes por experimentação de efeitos. Além do mais, a pesquisa cosmética e científica é uma via de mão dupla, e não são raras as vez em que ambas se beneficiaram com pesquisas. Casos: Shiseido e Kanebo.
    • Na China, todos os produtos DEVEM ser testados em animais, mas há movimentações para rever essa legislação.
    • Importante notar que mesmo empresas que alegam não testar seus produtos em animais, utilizam compostos que muitas vezes podem ter sido testados em algum momento. Além disso, é questionável se produtos como cremes dentais, protetores solares (que hoje são essenciais na prevenção do melanoma) e hidratantes de pele (indispensáveis para quem sofre de dermatite atópica) deveriam ser considerados cosméticos ou medicamentos de uso tópico.
  • Depoimento de um (vários) biólogos sobre o sacrifício de suas cobaias: os comentários são excelentes e enriquecem o debate, além de existir um easter egg lá na véspera do Natal de 2009 ;)
  • Cientistas da SBPC pedem fim dos testes de comésticos em manifesto da instituição: posição oficial é de que os demais testes com animais ainda são indispensáveis.

 

Vídeos:

  • Morgatório do Pássaro: destaque para o momento do genocídio das bactérias. No começo parece bobo, mas o autor constrói um argumento tão forte baseado nele que é impressionante o limite imposto por ele ao debate.
  • Eu, Ateu (Pesquisas Com Animais – Quebrando Mitos): o Yuri Grecco é cientista e trabalha com testes em animais. Ressalva para a história pessoal dele quando não conseguiu matar um camundongo.
  • Pirulla – Ética 3: Uma discussão sobre os temas morte, dor, e quando é preciso colocar os dois na balança.

 

Literatura:

  • O último teste (Ricardo Laurino, 2013): O doutor Charles Smith está prestes a declarar uma grande descoberta na área de métodos alternativos à experimentação animal. Porém, um incêndio criminoso em seu laboratório destrói a inovadora pesquisa. O principal suspeito, Décio Sucla – renomado cientista e proprietário de um grande laboratório que usa cobaias animais – precisa provar sua inocência. Para isso, pede ajuda ao amigo de infância: o filósofo Fausto, amigo de Dr. Smith e defensor dos direitos dos animais. Fonte: A Tarde.

 

Games:

  • Whiplash (Eidos): da mesma produtora dos primeiros Tomb Raider, o objetivo deste jogo é destruir os laboratórios onde são conduzidos experimentos cruéis em macacos, hamsters e coelhos. Apesar de direcionado para crianças, foi muito criticado por sua dose excessiva(?) de violência.
  • Animal Lab: você é um cientista maluco que passa o tempo criando experimentos bizarros, a fim de inventar novas espécies de animais para enviar para Marte. Dentre as inúmeras possibilidades, o que poderia resultar do cruzamento entre uma cobra e um rato? Uma superpoderosa doninha, ou uma aberração da natureza? Apesar da sua pretensa genialidade, uma espaçonave não está nos seus planos, ainda! Para isso, tente começar pelo KSP :).
  • Cage Fight: Knock Out Animal Abuse: jogo patrocinado pela ONG People for the Ethical Treatment of Animals (PETA), com um visual 2D estilo anos 80, onde você é um lutador de MMA (vegetariano!) e precisa invadir laboratórios, bases militares e institutos de pesquisa numa cruzada contra os testes em animais. Claro que a forma de convencimento será à base de muitos socos, chutes e dedadas no olho (nãooo, dedada no olho não pode :D).
  • Tests on Breasts: apenas jogue! Não recomendado para menores de 12 anos, ou chatos em geral.
  • Animal Testing Games Pack: coleção de jogos em Flash (ai ai, sempre ele) com objetivos diversos, mas sempre seguindo a temática dos Testes com Animais.
  • BÔNUS: Super-Trunfo Zatz vs Zatz (Luisa Mell x Mariana Zatz).

 

Saiba mais:

  • Caderno de ciência do Correio Braziliense (julho de 2010): MCT defende o uso de animais nas pesquisas; artigo contém infográfico sobre a atual legislação brasileira sobre os testes.
  • Relatório do FDA demonstra que 92% das drogas testadas em animais falham em humanos.
  • HM, the Man with No Memory: artigo da revista Psychology Today sobre a história do americano Henry Molaison, cuja cirurgia sofrida por ele em 1953 aos 27 anos, para reduzir o impacto das suas convulsões epilépticas, teve como curioso efeito colateral uma profunda e seletiva amnésia. Henry se voluntariou para estudos durante as décadas seguintes, na qual se descobriu que a amnésia fora causada pela retirada dos dois hipocampos do cérebro dele, cirurgia esta que nunca mais se repetiu. Veja aqui o cérebro dele fatiado para estudos no Brain Observatory.
  • Murilo Cardoso

    A Tatiana Nahas disse: “As pessoas não devem ficar sabendo dos métodos utilizados do nada”. Imagino que ela tenha dito isso dentro do contexto de que deve haver uma preparação antes. De qualquer maneira eu descordo. É justamente por isso que as coisas viram essa polêmica. Alguém disse no começo do cast que a acadêmia deve se aproximar mais da população. No Brasil, quase todas as pesquisas, pelo menos as que eu conheço, são pagas com dinheiro público. Inclusive a minha. Concluindo, é justamente o contrário. As pessoas devem cada vez mais ter ciência do que nós fazemos. Essa maior aproximação é que vai fazer, com um tempo, que a “pessoa não-cientista” apoie as práticas pelos benefícios.

    • Silmar

      Obrigado pelo comentário Murilo. Acredito que houve um pequeno problema de interpretação da sua parte. A fala da Tatiana refere-se justamente a que o acadêmico, o cientísta ou os órgãos de divulgação como as universidades e as sociedades científicas devem se aproximar das pessoas comuns para explicar e dar informações sobre as práticas científicas, dessa forma a população “[…] não deve ficar sabendo dos métodos utilizados do nada.” e sim através da divulgação aberta dos métodos e das práticas utilizadas.

      • Murilo Cardoso

        Pois é. Eu percebi isso mais adiante. rs Erro feio meu mesmo. Estava meio disperso ouvindo enquanto trabalhava.

  • Achei ótima a posição dos pesquisadores convidados (Tatiana e Rafael). Os ativistas têm atitudes desmedidas, incoerentes e até criminosas, mas acredito que há questionamentos importantes misturados nessa loucura toda.

    Citaram o famoso caso dos campos de concentração, mas há também o caso de Tuskegee que me chocou muito mais (acho que foi citado no episódio da AIDS). O nazismo era um regime totalitário e que considerava os outros seres inferiores, além disso estávamos em uma época com menos questionamentos. No caso de Tuskegee, a pesquisa foi realizada nos EUA, utilizando pessoas vulneráveis e continuou mesmo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Não imaginei que algo assim ocorreria nos EUA.

  • Grande episódio. Acabei de conhecê-los e fique maravilhado com o podcast.
    Sigo daqui por diante com vocês. =)

  • FabricioVaz

    Que a Força do Pink e do Cérebro estejam com vocês, nobres amigos.

    Continuando a #MaratonaSciCast, chego neste episódio e me surpreendo (mais uma vez) com a qualidade técnica (parabéns ao Silmar) e o alto nível do debate.

    Ronaldo provando porque é a Enciclopédia Humana do time humano do SciCast: o cara sabe falar de qualquer coisa!

    Adorei a interação entre o Jorge e a I.A. Bel (não seria B.E.L.?), e gostei demais do debate em si.

    Como venho do futuuuuuuuuro, sei que o sucesso é garantido! Até porque agora, aqui em 2025, A filha do Silmar tá conquistando mais e mais espectadores no programa da TV sobre ciência mais divert… Ops, não era pra eu falar isso, coooorta!

    Amplexos fofinho!

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