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Scicast #68: Divulgação Científica no Brasil

por em sex 13America/Sao_Paulo fev 13America/Sao_Paulo 2015 em Destaque, Scicast | 14 comentários

Scicast #68: Divulgação Científica no Brasil

Ciência é tudo que existe, tudo o que existiu e tudo o que existirá. Quando nossos ancestrais olharam para o firmamento e perguntaram o que eram aqueles pontos brilhantes no céu, surgiu o primeiro cientista. Quando o primeiro hominídeo viu o fogo e pensou o que ele poderia fazer com aquilo, testando várias coisas se queimavam ou não, nasceu o primeiro experimentalista. Daí, foi um curto espaço de tempo até mandarmos o Homem à Lua!

Foi-se o tempo em que a Ciência era passatempo de ricos endinheirados. Era preciso divulgá-la. Era preciso que outras pessoas tivessem acesso àquele saber. O conhecimento desceu do Olimpo e foi trazido aos homens através de divulgadores. Hoje, não apenas cientistas divulgam a ciência, mas muitos homens, mulheres e até crianças compartilham um pouco do que sabem, e a moderna tecnologia de informação facilitou em muito esta transmissão de saber. Estamos na Era da Informação, só precisamos que esta informação seja transformada em conhecimento. Portanto, a figura do divulgador científico é de extrema importância. Ou será que não?

Produção e Coordenação: Silmar Geremia. Equipe de Pauta: Tarik Fernandes e André CarvalhoRevisor: Silmar GeremiaApresentação: Silmar GeremiaEngenharia de Som: Silmar Geremia. Edição, Sonorização e Mixagem: Silmar Geremia. Convidados Especiais: André Carvalho, Pirulla, Luiz Bento e Luciano QueirozFoto da Vitrine: smflava.ru.

Diretoria:

  • Dois podcast com o Pirulla na mesma sexta-feira? Eita! :D

    • Lucas Balaminut

      O Pirula tinha que virar integrante regular do SciCast, o cara é muito bom!

      • Rodrigo Ribeiro

        Concordo plenamente!

  • Marcos Afonso

    “Quem segue estrela é rei mago” KKKKKKKKKKKKK

  • Passando de tartaruga voadora e jogando sementes de caos na plantação..

  • Schmidt

    Baixandoooooo….!!!

  • Pedro Gonçalves

    Concordo com quase tudo. Mas vale lembrar que- sou ateu- muitos padres estiveram a par de grandes descobertas. Exemplo básico é o próprio Gregor Mendel.

  • Rogério Moreira Júnior

    Meu nome é Rogério Moreira Jr, e sou infografista num jornal aqui de Florianópolis. Normalmente não comento porque não tenho muito a acrescentar nas conversas – mas no caso da divulgação científica, me vejo nos dois lados do debate.

    Por um lado sou jornalista e gosto muito de ciência. Isso começou na escola, lendo a Ciência Hoje para Crianças e a Superinteressante. Elas são as culpadas, aliás, por ter escolhido fazer jornalismo, o que me levou a ter bons professores* que bateram na tecla da divulgação científica e jornalismo científico. Toda esta base me leva naturalmente a buscar conteúdo científico, como podcasts (aliás, sou amigo do pause desde a época que vocês e o Cardoso colonizaram marte), revistas, blogs. Mas a mesma base também faz com que eu me incomode quando vejo a ciência sendo tratado do jeito que não lhe é próprio – o que nos leva para o outro lado.

    Também sou cristão (ou evangélico, embora o nome esteja muito sujo devido a péssimos representantes), daqueles que creem na Bíblia, e que se esforçam para tentar entender no que creem. Acontece que ao acompanhar o debate entre ciência e fé, percebo que há um problema de definição neste debate. O que realmente separa os dois lados não é a ciência em si, mas a visão de mundo do ‘naturalismo’: a ideia de que o universo é como uma caixa de formigas lacrada, onde nada de fora pode interferir. Deste modo, tudo o que acontece dentro dele só pode ser explicado por causa naturais. Não há milagres – no máximo, coisas que são muito improváveis, mas acontecem.

    O que me incomoda é que as vezes a divulgação científica é confundida com a divulgação do naturalismo. É como se a única forma de lidar com a ciência seja aceitá-la como explicação soberana sobre todas as outras. Isso aparece muito quando os jornais trazem alguma matéria sobre pesquisas com embriões: as narrativas das matérias normalmente trazem os cientistas (progressistas, inteligente, querendo curar as pessoas) contra os religiosos (antiquados, ignorantes, preocupados com superstições). Mas o que não é discutido é se os religiosos também não devem ser ouvidos – se, digamos, o direito á vida do ser humano não deveria ser estendido a ele. Quando se decide a priori qual dos lados tem a razão, os outros sempre serão irracionais.

    Enfim, acredito no diálogo. Acredito que separar naturalismo da ciência não fará mal nenhum a ela (e naturalistas podem ser abertos sobre suas decisões filosóficas). Acredito que, ao invés de separamos religiosos de um lado, cientistas do outro, podemos sentar e conversar juntos – sem que nenhum dos lados tenha de comprometer seus princípios. As universidades nasceram nos mosteiros, e muitos cristãos ajudaram em pesquisas importantes. É justo que esta história continue.

    * Uma destas professoras é a Tattiana Teixeira, professora de jornalismo científico que trabalha na comunicação da reitoria da UFSC, em Florianópolis, justamente ligada a esta divulgação. Recomendo ela para um scicast entrevista.

    • Lucas Balaminut

      Cara, excelente opinião. Eu sou ateu, mas gosto muito de quando os amigos religiosos conseguem separar religão de ciência. Não precisamos entrar em conflito o tempo todo. O exemplo que você deu sobre as pesquisas com embriões mostra um tipo de conflito que não acontece por razões científicas, mas por razões éticas. Quando entramos no campo da ética, na tentativa de definir oque é certo e oque é errado, fica difícil separar religião de ciência pois os religiosos tem uma pré-definição ética muito forte. Não que isso aconteça necessariamente, mas muitas vezes o avanço científico fica travado pois a ética é baseada em algum conceito religioso. Este, por sua vez, é muito arbitrário, ou muito interpretativo, e não ajuda o lado científico.

      Não quero discutir se aborto é certo ou errado aqui, mas acredito que seja um bom exemplo pra mostrar o porque existe conflito ético. Por exemplo: quando é pecado praticar o aborto? Seria pecado abortar todos os fetos, independente do estágio de formação? Ou é pecado apenas depois de um certo ponto? E que ponto é este? 3 meses? 1 mês? Espermatozóide pode ser jogado fora? Pode ser que a interpretação de que aborto é pecado seja equivada, e que este nunca é pecado? E quem define qual é este ponto, já que a bíblia não trata de desenvolvimento embrionário?

      As possibilidades de interpretação ética são muito amplas, e quando é definida, é geralmente muito arbitrária (por exemplo: se definirmos que aborto feito depois de 3 meses de gestação é pecado, aborto com 59 dias não é pecado, mas com 61 dias é pecado). Se pudéssemos separar uma coisa da outra, talvez não teríamos tanto conflito e sim mais diálogo.

      Por de mais, seja bem vindo aos comentários. Deixe sua opinião sempre que puder, estou gostando cada vez mais de descobrir a fascinante pluralidade dos ouvintes do SciCast.

      Obrigado.

  • Quando li o título do texto do artigo nos feeds do Ceticismo pensei que viria alguma bomba envolvendo a tradição do Brasil em estuprar a ciência e divulgar pseudociências. Ainda bem que eu estava errado.

    E não querendo defendê-la, mas já a defendendo (e vendo as pedras serem atiradas), a única emissora que vejo realizar alguma divulgação científica é a Rede Globo. Poderia ser por mais tempo? Claro que poderia. Poderia ser melhor feito? Claro que poderia.

    Mas já é alguma coisa.

  • Guest

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  • Embora eu seja ateu, sinto-me extremamente incomodado com a arrogância e prepotência de certos céticos quando se referem de modo pedante aos rituais e crenças partilhados por outros grupos sociais que não os deles. No fundo, trata-se do primado do “dogma da ciência” sobre quaisquer outros dogmas: afinal, a razão está sempre conosco e o outro está sempre errado… (sqn).

    Embora não compartilhe de qualquer liturgia ou estrutura religiosa, sou fascinado pelos rituais e pelos significados construídos por aqueles que as nutrem. A partir do momento em que a “religião da ciência” se transforma em algo superior a todas as outras formas de religião, estamos no fundo propondo o fundamentalismo da razão sobre qualquer outro fundamentalismo. Nada mais distante da democracia e da liberdade. O que este tipo de ceticismo arrogante não percebe é que o discurso científico é apenas UM entre milhares de outras manifestações discursivas que fluem no meio social. Enquanto discurso, a ciência não difere da religião: trata-se, enfim, de um conjunto de valores e significados compartilhados por um grupo, tanto quanto qualquer forma de denominação religiosa.

    Sou fascinado pelos rituais da umbanda, do candomblé, pela missa católica, pelo culto evangélico, pelas práticas budistas, ainda que não consiga crer em nenhuma de suas mitologias. Mas o fato de ser ateu não me dá o direito de me considerar superior a qualquer uma dessas manifestações culturais. Ciência não é um valor absoluto: é apenas uma manifestação cultural entre muitas outras. A própria ideia de “divulgação científica” já carrega em si certa arrogância: por que divulgar ciência é importante por si só? Está introjetado neste tipo de enunciado um certo desejo catequizador, evangelizador do discurso científico. Por que não falar em diálogo, ao invés de divulgação? Um pouquinho de Paulo Freire às vezes poderia ser útil em meio a tanta arrogância e prepotência.

    Deixando de lado esta questão, acho que valeria a pena discutir um pouco mais os museus e centros de divulgação científica, que andam em situação cada vez pior no Brasil. Os casos recentes do Museu Nacional (administrado pela UFRJ e, se não me engano, primeiro museu de história natural do país) e da Estação Ciência (administrada pela USP) são significativos.

  • Auridian

    Cara, qual o nome da música que tocou no início do podcast? Muito massa.

  • Nilda Alcarinquë

    Olás!

    O comentário do Pirula sobre como a divulgação científica é encarada na USP me fez perceber o porquê de uma das maiores universidades do país estar enfrentando a maior crise desde a sua criação e ninguém, ou quase ninguém, dar a mínima.
    Afinal, se sou contribuinte porque vou querer que meus impostos sejam investidos num lugar que acha que não precisa dizer o que faz? E quando resolve dizer, o diz numa linguagem que só quem está lá dentro entende? E só aparece na TV quando os maconheiros de lá criam problemas?

    Explico que sei que a USP não é um antro de maconheiros, sei que tem um trabalho de qualidade. Mas se a postura de quem trabalha e estuda lá é de desprezo para com a divulgação da ciência que fazem, não podem querer que a sociedade a defenda sem questionar.
    Ou, como está acontecendo, nem ligue para o fato de estar sendo desmontada.

    Fora isso, gostei do conteúdo desta ‘”reunião pedagógica”

    Abraços

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